Viagens, passeios e SPA: as vantagens de promover benefícios diferentes

Com o objetivo de motivar os funcionários e se diferenciar dos concorrentes, companhias investem em benefícios que fogem do padrão

Ver as montanhas lá do alto num passeio de balão, passar a semana inteira fazendo trilhas em meio à natureza, tirar o fim de semana para relaxar em um SPA. Por si sós, essas atividades fazem a alegria de muita gente, mas os olhos brilham ainda mais quando elas são oferecidas pelas empresas, como uma recompensa pelo bom trabalho prestado. Para se diferenciar da concorrência ou aumentar o engajamento, diversas companhias estão apostando em benefícios que vão além dos prêmios financeiros e provocam surpresa — e boas lembranças — aos funcionários.

A ideia, no fundo, está alinhada com um termo que tem ganhando os holofotes das campanhas de marketing e vendas nos últimos anos: a experiência. Em um mercado acirrado, oferecer algo único ao consumidor (seja uma excelente jornada de consumo, seja um atendimento positivamente fora do padrão, seja um brinde singular) é essencial para criar conexão entre consumidores e marcas.

O mesmo princípio se aplica às organizações e a seus funcionários: quanto mais significativas forem as vivências dos empregados dentro das companhias, mais identificados com a empregadora eles ficarão. Isso tem a ver com o novo entendimento de carreira, que deixa de ser mera sequência de cargos e se transforma numa sequência de experiências significativas. Para conquistar isso, é preciso apelar ao emocional — ser o patrocinador de um fim de semana numa praia paradisíaca pode contar mais pontos do que pagar um bônus. Essa percepção é comprovada cientificamente.

Uma pesquisa da Universidade de Cornell, publicada em 2014, mostra que, em geral, as pessoas sentem o mesmo nível de felicidade ao receberem uma experiência ou um bem material. Mas, no longo prazo, a satisfação com os bens materiais diminui, enquanto a satisfação com as experiências tende a aumentar.

A demanda por benefícios que incluam experiências e viagens vem, principalmente, do RH. Na Viva! Experiências, companhia especializada nesse mercado, 70% dos pedidos corporativos são feitos pela área de gestão de pessoas. “Abrimos em 2009 para atender o público geral, mas desde 2014 nosso foco é o corporativo, que corresponde a 97% de nossa receita”, diz Andre Susskind, CEO da Viva! Experiências.

O concorrente de Andre, Jorge Nahas, CEO da O Melhor da Vida, também está de olho nesse nicho. “As empresas veem a rotatividade aumentar e entendem que precisam tratar melhor os funcionários, por isso estão buscando novas formas de se relacionar com eles”, diz  Jorge, que viu sua empresa crescer 50% nos últimos dois anos por causa da demanda corporativa. “Esses benefícios dão a oportunidade de os colaboradores fazerem algo novo e de compartilharem com a família ou com os amigos — o que vale mais do que uma TV.”

Loucos por pontos

Em 2018, a Dasa, dona de laboratórios como Delboni Auriemo e Lavoisier, começou um movimento para repaginar o relacionamento com os funcionários — o objetivo era prover aos times uma experiência tão boa quanto a que a instituição pretende dar aos clientes.

O resultado da pesquisa de clima, que mostrava que os empregados queriam políticas de reconhecimento não financeiro, foi a motivação para o RH ousar nos benefícios. Além de fazer um calendário de comemorações de datas especiais para reunir e engajar as equipes, a Dasa criou um sistema de acúmulo de pontos voltado para todos os 6 000 integrantes da área comercial (incluindo coordenadores e recepcionistas, por exemplo).

Paraquedismo, surfe, massagem e passeio de balão da Viva! Experiências: os prêmios corporativos são responsáveis por 97% da receita da companhia | Fotos: Divulgação

Paraquedismo, surfe, massagem e passeio de balão da Viva! Experiências: os prêmios corporativos são responsáveis por 97% da receita da companhia | Fotos: Divulgação (/)

O investimento da empresa no desenvolvimento do site foi de cerca de 2 milhões de reais e, entre os prêmios, estão ingressos para cinema, viagens e jantares no restaurante Outback — um dos favoritos do pessoal. A pontuação é coletiva: cada uma das mais de 800 unidades comerciais da Dasa tem uma meta que, quando atingida, rende pontos para toda a equipe. “O modelo trouxe um engajamento muito grande, as pessoas conversam sobre o que gostariam de fazer”, diz Eric Telles, analista de novos negócios e responsável pela campanha de incentivos na área comercial.

Até agora, mais de 1 milhão de pontos foram utilizados. Os resultados são divulgados para toda a companhia e a Dasa incentiva os funcionários a compartilhar fotos de suas experiências. “O objetivo é que o funcionário tenha um momento de descontração em algo que faça sentido. Desvinculamos do que é financeiro e permitimos que ele crie uma memória”, afirma Flávia Pontes, superintendente de RH na Dasa.

Olho no lance

As viagens de incentivo não são novidade, mas elas também estão em transformação. “As empresas querem experiências que as pessoas não conseguiriam de outra maneira: um jantar no Louvre, uma visita exclusiva à Capela Sistina, um tour pelas empresas do Vale do Silício”, afirma Luis Abrahão, sócio-diretor da Top Service, antiga Stella Barros. “Ao proporcionar uma experiência que de outra forma não seria alcançável, a empresa gera um prêmio que vale muito mais do que o equivalente em dinheiro.”

Na Aon, consultoria de gerenciamento, as viagens para a área comercial existem há mais de uma década. Mas são pensadas no detalhe. “A campanha precisa estar relacionada aos objetivos da empresa e ao perfil dos trabalhadores”, diz Eduardo Takahashi, vice-presidente executivo para soluções comerciais de riscos da Aon Brasil. A campanha gera minipremiações ao longo do ano (como uma patinete elétrica e outros gadgets tecnológicos), mas o grande prêmio é uma viagem para a equipe vencedora — formada, em média, por 20 funcionários.

Além de levar os empregados para países como Estados Unidos, Irlanda e Inglaterra, um dos diferenciais é proporcionar às equipes a possibilidade de assistir a competições esportivas diretamente do camarote — o pessoal já viu jogos de basquete da NBA, partidas de tênis e campeonatos de golfe masculino e feminino.

Além, é claro, de acompanhar disputas do Machester United da tribuna — a Aon é uma antiga patrocinadora do time inglês. Os funcionários também são convidados a conhecer os atletas e tirar fotos com eles. “Usamos isso para falar de espírito esportivo, competitividade e diversidade”, diz Eduardo. Quando voltam da viagem, os ganhadores compartilham suas histórias com os colegas. “Essas experiências quebram a rotina e tornam o ambiente mais engajado”, diz Adriana Zanni, vice-presidente de RH da Aon para a América Latina.

Além disso, assim como a Dasa, a Aon oferece a seus empregados um leque de premiações — que não se limitam às viagens. Manter essa diversidade é importante porque, nem sempre, as pessoas serão motivadas pelas mesmas coisas. Para encontrar a melhor experiência para cada funcionário, vale a máxima do marketing: “Conheça profundamente seu cliente e antecipe suas necessidades”.

Eduardo Takahashi, vice-presidente executivo da Aon Brasil e Adriana Zanni, vice-presidente de RH para a América Latina: o comercial vai ao exterior e assiste a competições esportivas dos camarotes | Foto: Omar Paixão

Eduardo Takahashi, vice-presidente executivo da Aon Brasil e Adriana Zanni, vice-presidente de RH para a América Latina: o comercial vai ao exterior e assiste a competições esportivas dos camarotes | Foto: Omar Paixão (/)

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