Futuro do trabalho: inteligência emocional é habilidade em alta

Estudo da FRST publicado com exclusividade por VOCÊ RH revela que, para 44% dos executivos, as empresas não estão prontas para enfrentar os desafios futuros

Startup de educação da Falconi, a FRST conduziu, em parceria com a consultoria Quaest, uma pesquisa sobre o futuro do trabalho com companhias brasileiras de diferentes portes. O objetivo era mapear quais são os desafios atuais e futuros em temos de contratação, habilidades e desenvolvimento de pessoas.

De acordo com o estudo, divulgado com exclusividade por VOCÊ RH, 46% das companhias encontram dificuldades em recrutar devido à falta de competências técnicas. “Segundo a pesquisa mais recente do Fórum Econômico Mundial, que analisa expectativas sobre o futuro do trabalho em 20 economias e 12 setores até 2022, 75 milhões de postos de trabalho exigiram cada vez mais conhecimentos técnicos sobre as novas tecnologias. Ao mesmo tempo, 33 milhões de novos papeis poderão surgir”, diz Juliana Scarpa, CEO da FRST.

Isso significa que as habilidades comportamentais não serão deixadas de lado. Para todos os entrevistados, elas são importantes no desenvolvimento profissional e, segundo o estudo, as mais demandadas são inteligência emocional, liderança e flexibilidade cognitiva. Inteligência emocional, aliás, é algo raro de ser encontrado, de acordo com os participantes do estudo.

Outra questão delicada é a liderança – ainda mais quando se pensa em futuro. Para 44% dos executivos, as companhias não estão prontas para encarar os desafios que estão por vir e, entre os motivos listados, estão a falta de líderes e profissionais capacitados.

A seguir, Juliana Scarpa comenta os principais pontos da pesquisa.

Embora o grande gargalo das contratações sejam as competências técnicas, os entrevistados concordam que as competências “humanas” são fundamentais para o desenvolvimento das pessoas. Isso não demonstra uma ambiguidade entre o que o mercado diz precisar hoje e no futuro?

A evolução da tecnologia faz com que as competências técnicas oscilem cada vez mais rápido e é preciso se adaptar rapidamente a elas e se preparar profissionalmente para uma nova era, que será marcada pelo aprendizado contínuo, pelas grandes disrupções e pela importância de habilidades fundamentalmente humanas.

Neste mundo hiper tecnológico e conectado, o papel do profissional de alta performance se torna duplo: além de entender e trabalhar com as novidades – seja através de novos aprendizados ou de atualizações –, ele deve alavancar suas características humanas.

Inteligência emocional aparece como uma habilidade demandada e difícil de ser encontrada. Por que ela é tão importante?

A inteligência emocional é uma competência que abriga diversas habilidades socioemocionais, entre as mais importantes estão: preocupação com o outro (entender suas necessidades e sentimentos), cooperação (ser uma pessoa fácil de se trabalhar), sociabilidade (saber trabalhar com outras pessoas e se conectar a elas) e percepção social (reconhecer e entender as reações alheias).

A comunicação entre seres humanos pode ser cheia de detalhes e emoções – e isso pode ter um impacto real no sucesso e na produtividade de um negócio. Quem possui um alto índice de inteligência emocional sabe identificar e lidar com suas próprias condições emocionais e aquelas de seus amigos, colegas e clientes. Em seguida, consegue adaptar seu tom de voz, gestos e postura geral de acordo com aquela situação específica para obter o melhor resultado.

Comunicar-se com empatia gera uma relação de confiança e cooperação e desenvolver essa competência (especialmente em líderes e gestores), pode transformar positivamente comportamentos e resultados.

Do ponto de vista da liderança, colaboração aparece como a competência mais característica e a inovação a mais difícil de achar. Por que isso acontece?

Inovar nas empresas é essencial para manter o negócio vivo e conectado com as necessidades do mercado, fazendo parte das responsabilidades de todos os profissionais que desejam liderar e crescer.

De modo geral, fortalecer sua capacidade de inovação significa abrir espaço para novas ideias, oportunidades e soluções para problemas, algo que claramente beneficia qualquer tipo de trabalho – especialmente em meio a mudanças rápidas e constantes. Na prática, significa se abrir para perspectivas diferentes, identificar padrões e criar soluções verdadeiramente inéditas. Porém, inovar também significa aceitar e lidar bem com “erros” que possam acontecer no meio do caminho e algumas empresas ainda não conseguem avançar neste quesito, o que dificulta que esta competência seja desenvolvida.

As empresas preferem desenvolver novas habilidades nos funcionários a contratar novos profissionais. Quais são os desafios nesse sentido? 

O desenvolvimento de habilidades é o desafio-chave dessa Era. Ao criar uma cultura de aprendizado contínuo, as empresas incentivam a mudança de mentalidade e, consequentemente, as condições de desenvolvimento necessárias para se ter sucesso nessa nova era.

O Institute for the Future, um think tank sem fins lucrativos com sede em Palo Alto (Estados Unidos), em parceria com a Universidade de Phoenix, criou um relatório sobre habilidades em alta em 2020 e destaca o papel do setor empresarial no desenvolvimento profissional, em especial de times de recursos humanos. Em meio às disrupções digitais, ter uma estratégia para desenvolver a equipe em alinhamento com os objetivos do negócio deveria ser uma das principais responsabilidade dos profissionais de RH, além de criar colaborações com universidades para promover essa cultura de aprendizado contínuo.

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