Benefícios financeiros aumentam produtividade nas empresas

Inadimplência prejudica o desempenho de colaboradores em todo o mundo. Mas algumas soluções de recursos humanos podem ajudar. Veja como

No mundo ideal, o funcionário preciso deixar os problemas pessoais do lado de fora da empresa. Mas essa é uma missão difícil, principalmente quando o assunto é inadimplência: o estudo The Employer’s Guide to Financial Wellbeing 2018, feito com mais de 10 000 funcionários no Reino Unido, concluiu que as dívidas diminuem em 15% a produtividade.

O cenário não é diferente no Brasil. Uma pesquisa realizada pela Negocia Fácil, serviço de cobrança digital, em parceria com o Instituto Locomotiva, aponta que 53,5 milhões de brasileiros consideram que o seu rendimento no trabalho é afetado pelas dívidas.

“O estresse constante causa cansaço, distração, insônia e pode levar a um quadro de depressão ou síndrome do pânico”, afirma Lucia Madeira, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). “Além da queda de produtividade, a pessoa pode apresentar falta de atenção, cometer erros e até estar mais sujeita a um acidente de trabalho”, explica.

O que dizem as empresas?

Um levantamento da Unicamp e do Instituto Axxus para a Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) mostra que 96% dos profissionais de RH acreditam que os colaboradores com mais dificuldades em administrar suas próprias finanças são menos produtivos. Por outro lado, 87% das empresas dizem desconhecer a realidade financeira dos seus funcionários. Ainda assim, metade das empresas entrevistadas diz ter realizado ações voltadas à educação financeira.

Mais do que aumentar a produtividade, 94% das companhias perceberam que os colaboradores superaram as dificuldades após o treinamento. “Cada vez mais as empresas se conscientizam dos benefícios e impactos positivos que a educação financeira pode proporcionar porque vivenciam na prática os problemas que um funcionário endividado pode trazer”, afirma Reinaldo Domingos, presidente da Abefin e da DSOP Educação Financeira.

Essa é uma prova de que a área de RH pode – e deve – ajudar seus profissionais a ter uma saúde financeira equilibrada. “Isso diminui o presenteísmo (quando o profissional vai ao trabalho, mas é disperso) e o absenteísmo (faltas) e aumenta a produtividade”, diz Domingos. São resultados de curto, médio e longo prazo que têm impacto até mesmo na rentabilidade do negócio ao proporcionar um ambiente produtivo.

Veja, a seguir, como as empresas podem ajudar o funcionário a lidar melhor com suas finanças.

Programa de educação financeira

“O principal benefício que uma empresa pode oferecer aos seus colaboradores é um programa de educação financeira, que, inclusive, pode ser estendido aos familiares”, afirma Domingos. Para que esse programa seja eficaz, é preciso seguir alguns passos.

O primeiro é realizar o diagnóstico financeiro dos colaboradores. Um teste de perfil, por exemplo, identifica a porcentagem de funcionários endividados, equilibrados ou investidores. Em um segundo momento, a empresa pode promover atividades, como palestras de sensibilização, cursos, workshops, leitura de livros, entre outras opções.

Em um curso de planejamento, por exemplo, é possível explicar a importância de ter uma reserva de emergência para lidar com imprevistos. “Quando o colaborador cria o hábito de poupar todos os meses uma porcentagem segura do salário, ele consegue ter uma reserva sólida sem desequilibrar o orçamento”, explica Domingos. Isso evita até mesmo que o profissional acione a empresa para conseguir um adiamento salarial, por exemplo.

Opção de crédito saudável

Outro benefício que as empresas podem oferecer aos seus funcionários é o crédito consignado. Nessa modalidade, o colaborador pode colocar o salário como garantia para conseguir condições melhores e prazos maiores para pagar suas dívidas.

E, no país, a ascensão de fintechs no mercado financeiro tem contribuído para disseminar a cultura do crédito saudável entre colaboradores. Por contarem com estrutura inovadora e 100% digital, as fintechs entram como alternativa às modalidades de empréstimos tradicionais, como o cheque especial e o rotativo do cartão, principais responsáveis pelo mau endividamento dos colaboradores.

De acordo com o estudo Fintech Mining Report 2019, realizado pela consultoria Distrito, atualmente, existem mais de 550 fintechs no Brasil. Do montante 85 são focadas em oferecer crédito de qualidade aos consumidores.

Prova disso é a Creditas. No mercado desde 2016, a fintech é a principal plataforma de empréstimo com garantia online do Brasil. Na modalidade de crédito consignado privado, por exemplo, além de a companhia não ter nenhum custo para oferecer o benefício ao colaborador, as parcelas mensais são altamente saudáveis. Isso porque a fintech não concede empréstimo que ultrapasse 30% do salário, para que o colaborador consiga realizar um controle financeiro.

Dessa forma, o funcionário pode arcar com as dívidas sem antecipar férias, 13º ou pedir adiantamento salarial. “É uma opção, sem dúvida, por conta das taxas menores”, afirma Domingos, da Abefin. Lucia, da ABRH, concorda: “É melhor trocar uma dívida com juros altos, como cheque especial e rotativo do cartão de crédito, por outra que se encaixe no orçamento do colaborador”.

Mas, apesar de mais saudável, a modalidade deve ser usada com parcimônia. “O empregado não pode esquecer que tem esse financiamento pela frente e contrair novas dívidas”, alerta Lucia. Por isso, é importante que a área de RH contribua com dicas de educação financeira para que o funcionário não prejudique ainda mais seu orçamento. Se for bem planejado, o empréstimo consignado pode ser uma boa solução para os colaboradores.

Orientação individualizada

Além de oferecer cursos, palestras e oficinas, é importante que a empresa olhe com atenção para os profissionais que estão inadimplentes, principalmente quando os reflexos das dívidas são sentidos na produtividade do colaborador. Cabe ao gestor estar preparado para identificar os sinais de estresse, pois nem sempre o funcionário se sente à vontade para falar sobre o assunto.

“É importante o colaborador ter um espaço para conversar sobre seus problemas, e que eles sejam tratados com confidencialidade”, afirma Lucia, da ABRH. “Um bom benefício é o apoio social, uma orientação personalizada para cada caso, que pode envolver consultoria financeira, orientação jurídica e apoio psicológico”, explica.

Há, por exemplo, a terapia financeira, que consiste em encontros para descobrir o que causou a inadimplência. Ou seja, mais do que orientar o profissional a regularizar sua situação financeira, é uma oportunidade de levantar o histórico da pessoa para saber quais comportamentos a levaram ao desequilíbrio. “Essas terapias podem ser individuais, entre casais ou até mesmo com toda a família, pois não adiantaria apenas uma pessoa ter novos hábitos financeiros e o restante da família tratar ganhos e gastos de forma desordenada”, pondera Domingos.

Mais benefícios

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revelou que 20% dos brasileiros utilizaram cheque especial no último ano, sendo que 25% desse total recorreu a essa modalidade por causa de imprevistos com doenças ou compra de medicamentos.

É por isso que companhias vão além do vale-transporte e do vale-alimentação e oferecem também o vale-farmácia. A empresa pode disponibilizar o crédito para que o trabalhador use em farmácias conveniadas durante todo o mês. Na folha de pagamento, é feito um desconto apenas da coparticipação. Assim, é possível evitar que o colaborador se enrole com modalidades de crédito prejudiciais para a saúde financeira.

 

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