Meta demite 10% dos funcionários para focar investimentos bilionários em IA
Depois de cortar 8 mil cargos, a big tech deixou clara sua próxima grande aposta. As demissões vão “compensar os outros investimentos" que fazem.
Em abril, os funcionários da Meta ficaram sabendo que 8 mil deles seriam cortados da empresa no dia 20 de maio. Tudo parte do esforço da empresa de direcionar seus investimentos para a era da inteligência artificial.
A tragédia anunciada realmente chegou. Na última quarta-feira, durante a manhã, os colaboradores demitidos começaram a receber a notícia em seus emails. Com isso, cerca de 10% dos 78 mil funcionários da big tech foram mandados embora.
A Meta é só mais uma das várias empresas de tecnologia que estão cortando funcionários – Microsoft, Google e Amazon também anunciaram reduções de pessoal nos últimos meses. Contudo, a diferença dela para as demais é que a Meta foi franca e direta ao dizer que os layoffs estariam compensando outros investimentos. Em outras palavras, as demissões estão financiando a aposta dela na inteligência artificial.
“Como comunicado anteriormente, decidimos reduzir o número de funcionários como parte do nosso esforço contínuo para administrar a empresa com mais eficiência e para compensar os outros investimentos que estamos fazendo”, começava o email.
É raro uma empresa de tecnologia ser tão honesta sobre como grandes investimentos afetam o quadro de funcionários. Geralmente elas contornam o assunto e evitam falar sobre diretamente.
Segundo Jason Schloetzer, professor de administração de negócios na Georgetown University ouvido pela Business Insider, essa franqueza reflete a vantagem que essas empresas têm no atual mercado de trabalho. Como empregador, “você tem a possibilidade de ser mais direto e pragmático quando os trabalhadores não têm tantas perspectivas de emprego”, disse Schloetzer.
O email enviado também continha orientações sobre a indenização por rescisão de contrato, questões de vistos para funcionários estrangeiros e acesso aos sistemas da empresa.
O início da era da IA na Meta
Na segunda-feira passada, dias antes dos cortes, os funcionários ficaram sabendo de outra novidade: 7 mil deles seriam realocados para novas iniciativas de IA.
Mas a transição da empresa para deixar as redes sociais de lado e focar pesado em inteligência artificial não é um consenso interno. Funcionários relataram que a adoção da IA gerou raiva e ansiedade entre os colaboradores da Meta. Essa frustração foi exacerbada pelo forte desempenho financeiro da Meta, que registrou receita recorde no mês passado, levantando questionamentos sobre a necessidade dos cortes de empregos.
E essa não é a primeira rodada de demissões no ano da Meta. Em janeiro, ela demitiu cerca de mil funcionários da unidade Reality Labs da empresa, e outra leva de demissões em março afetou centenas de outros colaboradores.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, fez um post em janeiro afirmando que a IA terá um impacto significativo nos negócios em 2026. “Estamos começando a ver projetos que antes exigiam grandes equipes sendo realizados por uma única pessoa muito talentosa”, disse.
Em outro comunicado aos funcionários, Zuckerberg agradeceu o trabalho daqueles que foram demitidos e se disse otimista em relação aos esforços da empresa em inteligência artificial. Segundo ele, a Meta não terá mais demissões em massa em 2026.





