Horas extras são o principal motivo de ações trabalhistas no Brasil
Elas aparecem em 25% dos processos abertos no último ano, segundo levantamento da Predictus. Verbas rescisórias e adicional de insalubridade vêm logo atrás.
No último ano, os brasileiros abriram 2,47 milhões de novos processos na Justiça do Trabalho. E uma em cada quatro dessas ações reivindica o pagamento de horas extras, segundo um levantamento da Predictus, empresa de tecnologia especializada em dados judiciais.
O estudo mapeou as principais causas por trás da litigiosidade trabalhista no Brasil e mostrou que apenas três temas explicam dois terços de todas as disputas iniciadas em 2025: horas extras, verbas rescisórias (que motivam 20% dos processos) e adicional de insalubridade (outros 20%).
“A predominância de questões relacionadas a horas extras sugere que a fiscalização e o cumprimento da jornada de trabalho permanece como um ponto crítico de conflito entre empregadores e empregados”, afirma Hendrik Eichler, fundador da Predictus. “Disputas sobre o correto cálculo e pagamento de direitos [em situações de] rescisão contratual, por sua vez, ganharam mais relevância após a reforma trabalhista de 2017.”
Pedidos de indenização por dano moral, disputas envolvendo FGTS e conflitos relacionados ao intervalo intrajornada foram outros motivos mais comuns para processos trabalhistas no último ano.
O levantamento também mostrou que as 100 empresas com maior volume de ações no Brasil foram responsáveis por 13,6% de todos os processos trabalhistas em 2025, enquanto outras milhões de companhias aparecem de forma pontual nas estatísticas.
Os especialistas da Predictus observam que o número de novos processos trabalhistas vem aumentando ano após ano desde o fim da pandemia.
Para Eichler, existe uma relação clara entre estabilidade econômica e aumento da judicialização. “Observamos que, à medida que o mercado de trabalho se fortalece e o desemprego recua, os trabalhadores se sentem mais seguros para buscar a Justiça”, afirma o executivo.





