Fuvest aborda demonização da CLT em prova da 1ª fase
Com 90 questões de múltipla escolha, vestibular trouxe temas da atualidade que estiveram em debate nas redes sociais.
No domingo (23), a Fuvest realizou a primeira fase do Vestibular 2026. A prova, formada por 90 questões de múltipla escolha, trouxe assuntos da atualidade que estiveram em debate nas redes sociais, incluindo discussões relacionadas às leis e direitos trabalhistas. Nas perguntas 15 e 16 do Caderno V1, por exemplo, os candidatos que concorrem às vagas na Universidade de São Paulo analisaram um texto sobre a uberização do trabalho. Já na pergunta 17 do mesmo caderno, o tema foi a demonização da CLT por parte de crianças e adolescentes.
Como explicamos na matéria de capa da edição 315 da Você S/A, essa rejeição à CLT é fruto do modo como o emprego se consolidou no Brasil lá atrás, no século XX, e como ele se transformou nos últimos anos. Especialmente a partir de 2017, quando a Lei 13.467, que promovia a Reforma Trabalhista, foi sancionada pelo então presidente Michel Temer. Entre outras mudanças, a reforma legalizou o trabalho intermitente, precarizou contratos, tornou possíveis jornadas de trabalho de 12 horas ininterruptas, tornou a contribuição sindical facultativa e desestimulou trabalhadores a buscarem pela justiça do trabalho.
Com a precarização do trabalho sedimentada, os especialistas consultados pela S/A entendem que a aversão dos jovens à carteira assinada é também uma forma de denúncia. “Na mente desses jovens, é como se a consolidação fosse um corpo sem alma”, analisa Alice Oleto, professora e pesquisadora da Fundação Dom Cabral. A especialista chama o fenômeno de zumbificação da CLT.
“Se eu perguntar para qualquer trabalhador se ele quer ter férias todo ano, 13º salário, FGTS para quando for demitido, ele raramente vai dizer não. A questão é que não estamos mais associando esses direitos à carteira assinada porque, na realidade do Brasil, as pessoas não têm esses direitos respeitados”, adiciona Valdete Souto Severo, advogada e professora de Direito e Processo do Trabalho na UFRGS.
“O banco de horas que eu nunca enxergo, as injustiças sem penalidade, as férias que nunca acontecem. Por que um jovem ia lutar para ter a carteira assinada se vê o pai, mãe e amigos trabalhando nessas condições?”, finaliza.
Para entender mais sobre a aversão da juventude à CLT – e o que ela diz sobre o futuro do trabalho no país –, leia a reportagem completa aqui.
*Com informações de Sofia Kercher.





