Amazon anuncia a demissão de 16 mil funcionários a fim de “eliminar a burocracia”
Segundo o CEO Andy Jassy, dessa vez não tem nada a ver com inteligência artificial: "é uma questão de cultura".
Os cortes na Amazon não acabaram. Depois de demitir cerca de 14 mil funcionários em outubro do ano passado, a bigtech americana disse que vai mandar mais 16 mil funcionários embora.
A onda mais recente de demissões foi anunciada na quarta-feira passada (28), pela vice-presidente de experiência pessoal e tecnologia da Amazon, Beth Galetti. Ela descreveu a redução como parte do esforço interno de cortar burocracias dentro da empresa.
“Como compartilhei em outubro, temos trabalhado para fortalecer nossa organização reduzindo níveis hierárquicos, aumentando a responsabilidade individual e eliminando a burocracia”, escreveu Galetti em um memorando publicado no blog da Amazon. “Embora muitas equipes tenham finalizado suas mudanças organizacionais em outubro, outras só concluíram esse trabalho agora.”
Globalmente, a Amazon tem um total de 1,5 milhão de funcionários. Os cortes representariam cerca de 4,5% dos cerca de 350 mil funcionários corporativos.
Os cortes seguem a linha do objetivo maior da Amazon de operar de forma mais enxuta e eficiente. Ao mesmo tempo, a companhia parece se reformular internamente como preparação para um investimento pesado em inteligência artificial.
Ao menos é isso que as condições da última demissão em massa na empresa levam a crer. Em junho de 2025, antes do corte de 14 mil funcionários, o CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou que os ganhos de eficiência impulsionados pela IA reduziriam a força de trabalho necessária. “À medida que implementamos mais IA generativa e agentes, a forma como nosso trabalho é feito vai mudar. Precisaremos de menos pessoas realizando algumas das tarefas que são feitas hoje e mais pessoas realizando outros tipos de tarefas”.
Mas se as demissões de outubro foram atribuídas às mudanças impulsionadas pelos rápidos avanços da IA, a Amazon preferiu se distanciar do tema desta vez. Jassy afirmou, poucos dias depois dos cortes, que eles tinham mais a ver com adequação cultural do que com economia de custos ou automação. E a publicação de Galetti não menciona IA nenhuma vez.
“O anúncio que fizemos há alguns dias não foi realmente motivado por questões financeiras, e nem mesmo por inteligência artificial, pelo menos não agora”, disse Jassy. “Na verdade, é uma questão cultural.”
Realmente, a declaração do CEO parece estar alinhada com sua força-tarefa de reformular a cultura da empresa este ano. Nos últimos anos, a Amazon cortou níveis de gestão, reduziu a burocracia, restringiu custos, reformulou os sistemas de desempenho e remuneração e ordenou que a maioria dos funcionários corporativos voltasse ao escritório cinco dias por semana.
No memorando recente, Galetti reconheceu que a companhia está fazendo muitos cortes. Ela disse que o objetivo não é seguir passando a tesoura no pessoal, mas não descartou novas demissões. “Alguns de vocês podem se perguntar se este é o início de um novo ritmo — em que anunciamos reduções drásticas a cada poucos meses”, escreveu ela. “Esse não é o nosso plano. Mas, como sempre fizemos, cada equipe continuará avaliando a autonomia, a velocidade e a capacidade de inovar para os clientes e fará os ajustes necessários.”
Motivadas pela inteligência artificial ou não, as demissões da Amazon refletem uma tendência entre as grandes empresas de tecnologia: cortar milhares de empregos enquanto aumentam o investimento em IA.
“Enquanto implementamos essas mudanças, continuaremos contratando e investindo em áreas e funções estratégicas que são cruciais para o nosso futuro”, destacou Galetti.
A maioria dos funcionários terá 90 dias para procurar novas vagas internamente, enquanto aqueles que não conseguirem (ou não desejarem) novos empregos na Amazon receberão indenização por demissão e benefícios adicionais.





