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56% dos profissionais com deficiência ou neurodivergentes enfrentam barreiras de acessibilidade

São obstáculos que, segundo levantamento do Instituto Locomotiva, prejudicam o bem-estar e o desempenho no ambiente de trabalho. Saiba mais.

Por Luisa Costa 28 dez 2025, 08h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 18h13
Diversos papéis quadrados azuis representando pessoas com deficiências diversas.
 (bilalulker/Getty Images)
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Mais de 63 mil pessoas com deficiência conseguiram um emprego no primeiro semestre de 2025, segundo dados do eSocial, mas apenas metade das vagas reservadas pela Lei de Cotas estão preenchidas – e 56% desses profissionais enfrentam barreiras de acessibilidade que prejudicam o bem-estar e o desempenho no trabalho, segundo um levantamento do Instituto Locomotiva.

São obstáculos que dizem respeito, por exemplo, à mobilidade urbana. Os profissionais entrevistados afirmam que já se atrasaram para compromissos de trabalho – ou simplesmente não puderam comparecer a uma reunião ou entrevista pela dificuldade de se locomover pela cidade. Um terço deles já deixou de buscar emprego ou formação por prever desafios de acessibilidade, e 37% afirmam que se sentem tristes ou deprimidos ao enfrentar esses problemas no trajeto diário.

A pesquisa encomendada pela consultoria Talento Incluir e pelo Pacto Global da ONU no Brasil entrevistou 1,7 mil pessoas e mostrou que uma parcela ainda maior dos profissionais com deficiência ou neurodivergência (86%) já enfrentou capacitismo no trabalho. Tais pessoas já ouviram comentários capacitistas (74%) ou sofreram preconceito de um superior (60%), de colegas de equipe (57%) e até de clientes, fornecedores e outros parceiros externos (27%). Metade acredita que já foi desqualificado ou deixou de ser promovido por ter uma deficiência.

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A maioria desses profissionais (77%) passou por situações do gênero quando estava empregado, mas apenas 23% relataram o caso à empresa em questão por medo de sofrer retaliações e 78% dos que denunciaram não se sentiram acolhidos ao fazê-lo. (No geral, 77% dos PCDs não se sentem à vontade para conversas sobre sua deficiência com o RH ou a liderança de sua organização.)

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Os entrevistados também acreditam que as oportunidades oferecidas pelas empresas não são igualitárias. Eles apontam que as principais barreiras para seu crescimento profissional são a ausência de programas de mentoria ou desenvolvimento específicos para PCDs (opinião de 49% dos entrevistados), os vieses cognitivos de quem chefia, contrata e promove (40%) e a falta de divulgação das oportunidades disponíveis nas empresas (40%).

Esses dados expõem o desafio da inclusão na busca por transformar o trabalho não-digno que vivenciamos [as pessoas com deficiência], tema que permanece à margem de grande parte das discussões sobre diversidade no Brasil”, disse Carolina Ignarra, CEO da Talento Incluir, em comunicado à imprensa. “A falta de acessibilidade nos cansa e nos atrasa e ainda somos culpabilizados pelo atraso.”

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