Ucrânia tem segundo dia de bombardeios, e mercado financeiro busca paz em meio à guerra
Bolsas asiáticas e europeias seguem a deixa de Wall Street e se recuperam. Após disparada, petróleo estabiliza perto de US$ 100
Se tem guerra, os investidores decidiram deixar para pensar nas consequências mais para frente. Depois da
alta expressiva nas bolsas americanas ontem, hoje foi dia de recuperação na Ásia, e a Europa vai começando na mesma toada, com avanços superiores a 1%. Até o petróleo decidiu dar uma trégua e opera perto da estabilidade.
Para não dizer que tudo é azul no mercado financeiro, os futuros americanos caem na faixa de 0,50% (veja abaixo), numa espécie de busca por equilíbrio após a alta expressiva de ontem. O dia parece positivo, mas nada é tranquilo em uma guerra..
A reação mais contida de investidores foi atribuída às sanções de Estados Unidos e Europa ao governo russo, isso depois que Putin invadiu a Ucrânia. O principal foram os vetos aos bancos de negociarem com empresas russas. Ficaram de fora transações com petróleo e outras commodities. De um lado, isso preservaria a economia global, de outro, manteria o dinheiro pingando na conta do governo russo.
De resto, as reações continuam. A Rússia sediaria a final da Copa da UEFA, mas foi limada como retaliação. Os debates sobre a retirada do país do sistema de transferências internacionais continuam.
O fato é que as medidas anunciadas até aqui não foram suficientes para deter o autocrata russo, que promoveu a segunda noite de bombardeios ao país vizinho. Imagens que circularam em redes sociais – e foram checadas pelo The New York Times – mostram a queda em chamas de um avião, imagina-se russo. Prédios residenciais foram atingidos.
As informações, ainda desencontradas, dão conta de que as forças de Putin cercam a capital ucraniana Kiev. Esse seria o dia decisivo para a tomada da capital, mas os ucranianos resistem.
Por aqui, a bolsa brasileira viverá um dilema: depois do toque da campainha às 18h, o mercado só abrirá novamente na quarta-feira à tarde. É tempo demais para dormir com ações em meio a uma guerra. Não dá para cravar que o Ibovespa cairá, mas convém estar preparado.
Aqui no AM, nós aproveitaremos a pausa da B3. Até quarta!

Futuros S&P 500: -0,59%
Futuros Nasdaq: -0,46%
Futuros Dow: -0,58%
*às 8h03

Índice europeu (EuroStoxx 50): 1,27%
Bolsa de Londres (FTSE 100): 2,03%
Bolsa de Frankfurt (Dax): 1,03%
Bolsa de Paris (CAC): 1,42%
*às 8h03

Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): 0,97%
Bolsa de Tóquio (Nikkei): 1,95%
Hong Kong (Hang Seng): -0,59%

Brent: -0,25%, a US$ 98,83*
*às 8h12

Quem lucra mais
A Vale lucrou R$ 121,2 bilhões em 2021, o maior lucro de uma companhia aberta na história do país. O recorde anterior era da Petrobras, com seus R$ 106,6 bilhões também em 2021, mostra reportagem da Folha com base em dados da Economatica.
Dessa bolada, a Vale pagará mais US$ 3,5 bilhões em dividendos a seus acionistas (cerca de R$ 18 bilhões), isso depois de já ter distribuído US$ 7,4 bilhões (R$ 37 bilhões) referentes ao primeiro semestre. O lucro por ação no ano ficou em R$ 11,13, o que dá um dividend yield de 13%.

A culpa é de quem?
O The Wall Street Journal fez um pesado editorial em que atribui ao Ocidente sua parcela de responsabilidade pela escalada autoritária de Vladimir Putin, que culminou agora na invasão à Ucrânia. O jornal afirma que, quando Putin invadiu a Geórgia (2008) e anexou a Crimeia (2014), as sanções de Estados Unidos e Europa foram fracas. Agora, seria preciso que a Otan ajude o governo ucraniano a resistir. Além disso, o veículo recomenda que o mundo ocidental exponha a “máfia” que ocupa o Kremlin e a fortuna acumulada pelos oligarcas russos. Aqui.

Marcopolo, antes da abertura do mercado





