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S&P 500 cai 1,64% e Ibov derrete 2,15% com juros altos por mais tempo nos EUA

Dirigentes do Fomc esperam juros de 5,1% ao fim de 2024 e 3,9% em 2025. Minério de ferro derreteu 3,81% e arrastou mineradoras: VALE3 -2,61%

Por Camila Barros 21 set 2023, 18h10 | Atualizado em 16 dez 2024, 15h37
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 (Tamires Mazzo/Fotos: Getty Images/VOCÊ S/A)
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O comunicado do Fed na tarde de ontem abriu a caixa de pandora de más notícias para o mercado. Ainda na quarta, as bolsas americanas fecharam em queda. Mas foi hoje que o impacto realmente foi sentido: o S&P 500 recuou 1,64%; o Nasdaq caiu 1,82%. Por aqui, o mergulho do Ibovespa foi ainda mais profundo, de 2,15%. Foi uma queda generalizada na Faria Lima: das 86 ações que compõem o índice, 78 caíram. 

Ontem, o Fomc, comitê de política monetária americano, sinalizou que não pretende afrouxar seu pulso firme até atingir a meta de inflação, de 2%. Segundo estimativas dos dirigentes da instituição, isso só deve acontecer em 2026 – o que significa que a economia terá que engolir juros mais altos também em 2024 e 2025. 

A mediana das projeções lá dentro é a seguinte: juros em 5,6% ao final de 2023 e 5,1% no fim de 2024. Em 2025, 3,9%. Para os parâmetros americanos, trata-se de um patamar incômodo. Para comparar: em 2019, antes da pandemia, os juros fecharam a 1,75%. O país não encerra um ano com juros acima do patamar de 5% desde 2006. 

As expectativas dos membros do Fomc são coletadas pelo dot-plot, um gráfico de pontos divulgado quatro vezes por ano e que faz parte do relatório de projeções econômicas do Fed. Nele, os dirigentes compartilham suas visões sobre PIB, desemprego, inflação e taxa de juros para os próximos anos. Em março, o relatório apontava uma mediana de projeções de 4,3% para os juros em 2024 e 3,1% para 2025. Em junho, a coisa subiu para 4,6% em 2024 e 3,4% em 2025. 

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Naquele mês, o PCE, indicador de inflação usado pelo Fed, havia caído para 3% em 12 meses. Em julho, ele voltou a subir a 3,3%. A inflação oficial, medida pelo CPI, também era de 3% em junho e repicou para 3,7% em agosto. Em resumo, os preços estão longe dos patamares elevados do pós-pandemia. Por isso, esperava-se que as projeções dos juros no dot-plot fossem permanecer estáveis – ou quase isso. O que rolou, no entanto, foi uma alta significativa. 

A maior parte do mercado, no entanto, continua apostando que os juros permanecerão estacionados em 5,50% ao fim deste ano. Dados do CME indicam que 54,5% dos agentes do mercado esperam a manutenção, contra 39% esperando alta de 0,25 p.p. 

Ainda assim, a perspectiva hawkish para o longo prazo reacende o medo de que o mundo passe por uma contração. É que, com os juros nas alturas, a economia americana – que até agora tem se mostrado resiliente ao aperto monetário – pode finalmente perder força. Nesse caso, a demanda por bens e serviços na maior potência da Terra diminuiria. E isso significa desacelerar a economia do planeta, que vem passando por outros percalços, como a China.

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Imaginando esse cenário, o minério de ferro tombou em Singapura: -3,81%, a US$ 117,45 por tonelada. Em Dalian, na China, a baixa foi de -1,90% a US$ 115,66. (Isso, vale lembrar, em meio a um rali de alta significativa de 20% desde a metade de agosto).

O resultado derrubou as mineradoras da bolsa. VALE3 fechou em queda de 2,61%, CSNA3 caiu 1,45% e GGBR4, -2,32%. 

No setor, só se salvou a CMIN3, que conseguiu sustentar um posto entre as maiores altas do dia. Foi com ajuda do Morgan Stanley, que divulgou um relatório elevando a recomendação da companhia de neutra para compra. O preço-alvo subiu de R$ 5 para R$ 5,50 – o que significaria uma valorização de 19% em relação ao fechamento de hoje.

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Na toada de reação ao Fomc, o petróleo também terminou o dia deprimido. O Brent até ensaiou um alta, impulsionado pela notícia de que a Rússia vai suspender temporariamente as exportações de óleo diesel e gasolina – o que enxuga a oferta dos derivados do petróleo no mercado, aumentando o preço. Mas não teve jeito: no fechamento, queda de 0,25%, a US$ 93,3 por barril (com a mesma observação do minério, vale dizer. O barril valorizou 29% desde junho). 

Por aqui, as petroleiras também ajudaram a empurrar o Ibovespa para baixo: PETR4 em queda de 1,55%, PRIO3 a -4,66%, RRRP3 a -3,35% e RECV3, -3,58%. 

É, péssimo dia para day traders operando comprados. 

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Até amanhã!

MAIORES ALTAS

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Suzano (SUZB3): 2,04%

Sabesp (SBSP3): 2,03%

Natura (NTCO3): 1,95%

CSN Mineração (CMIN3): 1,54%

Vibra (VBBR3): 0,83%

MAIORES BAIXAS

Magazine Luiza (MGLU3): -6,75%

Grupo Soma (SOMA3): -6,71%

Locaweb (LWSA3): -5,24%

Arezzo (ARZZ3): -5,71%

MRV (MRVE3): -4,83%

Ibovespa:2,15%, aos 116.145 pontos

Em Nova York

S&P 500: -1,64%, a 4.329 pontos

Nasdaq: -1,82%, a 13.223 pontos

Dow Jones: -1,07%, a 34.070 pontos

Dólar: 1,13%, a R$ 4,93

Petróleo

Brent: -0,25%, a US$ 93,3 

WTI: -0,03%, a US$ 89,63

Minério de ferro: -1,90%, a US$ 115,66  a tonelada na bolsa de Dalian

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