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Copom eleva Selic a 11,75% – e mercado já espera outros aumentos

A taxa está em seu maior patamar desde abril de 2017. Bolsas americanas acordam no vermelho após Rússia negar que negociações com Ucrânia avançaram.

Por Bruno Carbinatto 17 mar 2022, 08h23
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 (Laís Zanocco e Tiago Araujo/VOCÊ S/A)
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Bom dia!

Demorou, mas veio. Após atrasar a divulgação de sua decisão em quase uma hora, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central comunicou que decidiu aumentar a taxa Selic em um ponto percentual, de 10,75% ao ano para 11,75% ao ano. É o nono aumento consecutivo nos juros, e agora a taxa está em seu maior patamar desde abril de 2017 (quando ficou em 12,25%).

O movimento já era amplamente esperado pelo mercado, então não surpreendeu ninguém, mesmo com o atraso. Menos esperado, porém, foi o BC já ter adiantado que pretende subir a taxa mais uma vez, novamente em um ponto percentual, na próxima reunião, que acontecerá em maio. E que pode seguir seu ciclo de aumentos se a inflação teimar em se manter alta. 

Havia quem esperava uma desaceleração no aperto – como uma sinalização de um aumento de 0,5 p.p. para a próxima reunião – ou mesmo que o comunicado deixasse isso em aberto, dada a alta incerteza causada pela guerra no Leste Europeu e a disparada nos preços das commodities. Nisso, todo mundo correu para atualizar suas previsões, e há quem aposte na Selic para além dos 13%.

Em seu comunicado, o Copom explicou que adotou um “cenário alternativo” de inflação para suas projeções. Isso porque os preços do petróleo vivem uma montanha-russa com a guerra na Ucrânia, e adotar uma média dos preços nos últimos dias como referência, como o órgão geralmente faz, poderia gerar distorção. Nesse cenário alternativo, que o BC considera mais provável, o petróleo terminaria o ano custando US$ 100 por barril e passaria a aumentar 2% ao ano a partir de janeiro de 2023. Nisso, a inflação ficaria em 6,3% em 2022 e em 3,1% em 2023, abaixo das projeções no cenário de referência – 7,1% em 2022 e 3,4% em 2023.

O mercado estranhou, já que exatamente por conta da volatilidade causada pela guerra fica difícil prever para onde o petróleo vai, como o próprio comunicado ressalta. Nisso, todo mundo ficou lendo e relendo o comunicado do Copom em busca de desvendar o que o BC está pensando para o futuro.

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O banco central americano, por sua vez, foi bem mais direto e reto que o brasileiro. Ontem o Fed aumentou os juros nos EUA para entre 0,25% a 0,50% e adiantou que haverá mais seis aumento no ano, um em cada reunião. Já a redução do balanço patrimonial, atualmente em quase US$ 9 trilhões, deve começar em maio.

A decisão do Fed agradou o mercado e garantiu altas polpudas nas bolsas ontem. Hoje, os índices futuros até abriram no vermelho, mas próximos à estabilidade, ainda digerindo a decisão da autoridade monetária. No entanto, logo aprofundaram suas perdas quando a Rússia negou que avanços significativos tenham sido feitos nas negociações de paz com a Ucrânia, como algumas fontes sugeriram anteriormente. O porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov disse que essas notícias estavam “erradas” e culpou a Ucrânia pela lentidão em chegar a um acordo. A mensagem que ficou ao mercado foi que, infelizmente, a guerra está longe de acabar.

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