Clima pós-eleições e bom humor em Wall Street puxam bolsas para cima
Enquanto investidores brasileiros ainda absorvem o resultado de domingo, NY faz a festa com a perspectiva de um Fed menos agressivo. Há base para a esperança?
Bom dia!
O primeiro pregão da semana foi marcado pela política, com investidores absorvendo os resultados das eleições presidencial e legislativas. O resultado foi uma atípica alta de 5,5% nesta segunda-feira – um salto nessa magnitude só tinha ocorrido lá em abril de 2020.
Agora, com correções eleitorais feitas, o mercado abre as portas para o humor estrangeiro, que acabou ficando de lado com o noticiário brasileiro. A parte boa é que, lá fora, o otimismo também é generalizado: as bolsas americanas subiram mais de 2% ontem, e, ao que indicam os índices futuros, o rali deve seguir hoje. As bolsas europeias, que já estão abertas, também indicam um dia de ótimo humor: o Euro Stoxx 50, por exemplo, sobe mais de 3%.
Parte do otimismo gringo vem da esperança de que os bancos centrais, especialmente o Fed, vão pegar mais leve no aumento dos juros a partir de agora, já que a economia mundial dá importantes sinais de desaceleração e ameaça entrar em recessão a qualquer momento.
Essa esperança de que o Fed virá mais suave não é nova – e, nas últimas vezes que surgiu, acabou com Wall Street quebrando a cara com o banco central americano, que já há algum tempo deixa claro que o inimigo número um é a inflação (e que os juros seguirão subindo até que ela seja derrotada, custe o que custar).
De qualquer forma, uma notícia nova pode trazer uma pontinha de esperança a mais: o banco central da Austrália surpreendeu hoje ao subir os juros em apenas 0,25 ponto percentual – o esperado pelo mercado e economistas era uma alta de 0,5 ponto percentual no país. Em comunicado, o órgão cita justamente os sinais de desaceleração da economia global para pegar mais leve na sua política. É a sexta alta de juros consecutiva na Austrália desde maio.
Seguirá o Fed pelo mesmo caminho? É difícil dizer, mas é o que sustenta o otimismo de parte do mercado. Hoje, quatro membros do comitê do Fed participam de eventos públicos e suas falas podem dar emoção ao pregão.
Enquanto isso, a política deve voltar ao radar dos investidores dessa semana, já que os dois candidatos do segundo turno vão agora à procura dos votos da “terceira via” e dos indecisos. Espera-se, de ambos, moderação em seus discursos. A ver como se desenha o cenário.
Bons negócios.
Futuros S&P 500: 1,68%
Futuros Dow: 1,40%
Futuros Nasdaq: 2,11%
às 8h10

Índice europeu (EuroStoxx 50): 3,36%
Bolsa de Londres (FTSE 100): 1,84%
Bolsa de Frankfurt (Dax): 2,94%
Bolsa de Paris (CAC): 3,34%
*às 8h14

Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): feriado
Bolsa de Tóquio (Nikkei): 2,96%
Hong Kong (Hang Seng): feriado

Brent*: 0,84%, a US$ 89,61
Minério de ferro: 1,74%, cotado a US$ 93,70 por tonelada em Cingapura
*às 8h00

Crise do Credit Suisse
O Credit Suisse está enfrentando uma crise de confiança do mercado, que tem dúvidas de que o banco consegue reestruturar seus negócios sem pedir mais dinheiro emprestado. Na semana passada, os burburinhos fizeram os CDS (Credit Default Swaps, títulos que funcionam como um seguro contra calotes) da instituições dispararem. Por isso, altos executivos do banco passaram o último final de semana no telefone, tranquilizando grandes clientes, outros bancos e investidores sobre a solidez financeira do Credit Suisse. Ao acordar com essa notícia, na segunda-feira, o mercado levou um susto: as ações em NY caíram mais de 10% durante o pregão, mas depois reverteram o sinal e fecharam em alta de 2,30%.
JBS não será mais plant-based nos EUA
A JBS decidiu encerrar as operações da Planterra, negócio de proteína vegetal nos Estados Unidos, três anos após o seu lançamento. A empresa disse que vai se dedicar ao mercado plant-based no Brasil e na Europa, onde tem crescido. Segundo o Departamento de Trabalho dos EUA, 121 trabalhadores no Colorado serão atingidos pelo fechamento – a JBS disse que está tentando realocá-los em outras unidades do grupo no país.

Artistas afetados pela TikTokização do Instagram
Já faz mais de um ano, o Instagram está em processo de TikTokização. A rede social quer que os vídeos no formato Reels sejam o novo carro chefe da plataforma, tomando o espaço (e o engajamento) dos posts comuns, em formato de foto. Os usuários começaram a reparar que as fotos no feed já não alcançam mais a mesma quantidade de gente que alcançava até 2020. Entre esses usuários, artistas que usavam a rede social como veículo de divulgação e venda de suas obras. O NYT conta como a mudança do Instagram tem afetado o negócio de artistas independentes.
O Lobo de Wall Street
Em 1989, os sócios Jordan Belfort e Danny Porish – dois corretores americanos de vinte e tantos anos – fundaram a Stratton Oakmont, uma corretora especializada em negociar ações de peixes pequenos. Eles organizaram 35 IPOs, e montaram o esquema criminoso que rendeu a Belfort a alcunha de Lobo de Wall Street. A Você S/A te conta essa história aqui.

Fed Boys – Lorie Logan (Fed de Dallas) e John William (Fed de NY) falam, em eventos separados, às 10h. Loretta Mester (Fed de Cleveland), fala às 10h15. Mary Dale (Fed de São Francisco) dá as caras às 14h.





