Por que a alimentação dos funcionários traz ganhos na produtividade

Um funcionário bem nutrido falta e se atrasa menos, aprende mais nos treinamentos e sofre menos acidentes de trabalho

Almoçar fora de casa durante a semana de trabalho é reali­dade para a maioria dos bra­­­sileiros — ainda mais para aqueles que vivem em cidades nas quais o deslocamento até o trabalho leva horas. Por isso, muitas companhias disponibilizam locais para que os funcionários possam se alimentar.

Porém, mais do que uma simples oferta de comida, as Melhores Empresas esforçam-se para que o momento da refeição seja agradável e saudável. E não apenas porque isso melhora a motivação, mas principalmente porque um prato balanceado se reflete na saúde e na produção dos empregados.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a falta de ferro, por exemplo, é responsável pela perda de 5% da produtividade em atividades fabris leves e de 17% em tarefas pesadas. A OIT alerta, também, que um aumento de 1% nas calorias ingeridas significa um acréscimo de 2,27% de produtividade.

“Os impactos são ainda maiores sobre os trabalhadores com faixa salarial mais baixa, que têm dificuldades de bancar refeições saudáveis e que ofereçam os nutrientes necessários para o serviço”, afirma José Afonso Mazzon, professor na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP).

Só que não basta aumentar as calorias sem cuidar do equilíbrio nutricional. Senão, há risco de estimular o sobrepeso entre os empregados. E isso tem se tornado um problema grave no Brasil. De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada em junho pelo Ministério da Saúde, a taxa de obesidade no país aumentou quase 68% de 2006 a 2018.

“A atenção deve ser grande para quem faz refeições fora de casa, já que o acesso a alimentos inadequados pode ser mais fácil. Por isso a importância das empresas nesse processo”, afirma a nutricionista Ana Beatriz Barrella, da RG Nutri.

Gastos ou investimentos?

As companhias que pensam que aumentar os recursos destinados à alimentação significa “engordar” os gastos estão enganadas. Além dos benefícios fiscais decorrentes da adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador e do aumento da produtividade, outros fatores pesam nessa balança. Um funcionário bem nutrido falta e se atrasa menos, aprende mais nos treinamentos e sofre menos acidentes de trabalho. Além disso, caso se alimente na própria empresa, passará mais tempo lá.

Na O Telhar Agropecuária, os valores investidos com alimentação dos funcionários nas fazendas de algodão, soja e milho têm crescido. Enquanto na safra 2016-2017 foram gastos 3,7 milhões de reais, na de 2018-2019 os números chegam a 6,2 milhões de reais. Desde 2013, a reforma e a construção de refeitórios já consumiram cerca de 1,5 milhão de reais.

Isso ocorreu porque, em 2012, a companhia contratou uma nutricionista e percebeu que precisava melhorar a qualidade das refeições — são oferecidos café da manhã, almoço e jantar para todos os funcionários e ceia para quem trabalha no período noturno. “Essas melhorias fazem parte de um investimento geral nas condições de trabalho, que englobam desde a estrutura dos alojamentos nas fazendas até a qualidade das refeições”, explica Lilian Carrijo, gerente de recursos humanos da O Telhar.

Os investimentos geraram resultados significativos. A empresa possui um indicador que mostra que na safra de 2011-2012 a produtividade máxima não chegava­ a 120 000 horas homens trabalhadas por hectare produzido. Hoje em dia, o índice chega próximo a 200 000 horas homens trabalhadas por hectare produzido.

Se a vizinhança não ajuda

Muitas empresas passam a prestar mais atenção no assunto quando percebem que as opções ao redor de suas unidades não atendem às necessidades alimentares dos empregados. Foi o que aconteceu na Schneider Electric, multinacional do setor de distribuição de equipamentos elétricos que possui cinco fábricas, dois escritórios administrativos e mais de 7 000 pontos de venda em todo o país. “Por volta de 2004, percebemos que nosso entorno não contava com opções de refeição equilibrada”, diz Mari Stela, gerente de RH da Schneider Electric para a América do Sul.

A estratégia de melhorar as opções de alimentação tem gerado resultados e satisfação entre os funcionários. Gustavo Araújo, estagiário de people analytics, é um exemplo. “Trabalhei anteriormente em outra empresa onde tive diversos problemas com a refeição, desde o cardápio até a qualidade dos alimentos. Em decorrência disso, durante um bom tempo tive de ser adepto da marmita. Agora, na Schneider, devido à variedade e à qualidade dos alimentos, eu nunca tive problemas, consigo equilibrar minha dieta e variar bastante entre as opções”, afirma.

Feedback fundamental

Para manter o padrão das refeições, os nutricionistas são ca­tegóricos: há a necessidade de monitoramento da opi­nião dos empregados. Existem diversas ferramentas nesse sentido: totens instalados nas saídas dos refeitórios, pesquisas de satisfação, canais na intranet para críticas e sugestões, entre outros.

Na Schneider Electric há comitês que recebem e filtram os feedbacks e as sugestões, que são posteriormente encaminhadas aos nutricionistas. “Nosso trabalho é atender às expectativas dos clientes, diversificando o cardápio. Atualmente, estamos aplicando pesquisa de preferência de sobremesas na última semana do mês. A iniciativa está sendo um sucesso”, diz Rosa Sakagami, nutricionista terceirizada da empresa.

Além de todas essas ferramentas e desses indicadores de opinião, nada substitui aquela boa e velha conversa de depois do almoço. “Procuro sempre visitar as fazendas e ter contato com os funcionários, criar uma proximidade para que eles se sintam à vontade para fazer críticas e sugestões às refeições”, diz Marcelo Correa, nutricionista da O Telhar. Às vezes, nada substitui o bom e velho bate-papo no cafezinho.

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