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Startup brasileira aposta no aluguel de instrumentos musicais

Modelo por assinatura transforma equipamentos parados em acesso mais barato para quem quer aprender a tocar ou retomar um hobby.

Por Alexandre Carvalho 22 dez 2025, 17h01 | Atualizado em 4 jun 2026, 18h13
Fotografia aérea de instrumentos musicais distribuídos no chão.
 (thegoodphoto/Getty Images)
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A BATS nasceu de uma constatação simples e bastante comum no Brasil: tocar um instrumento musical custa caro. Caro demais para muita gente que sonha em aprender, experimentar ou simplesmente voltar a tocar depois de anos. Fundada pelo casal Leonardo Nocito e Luiza Massari, a startup surgiu justamente desse descompasso entre o desejo de fazer música e as barreiras financeiras do mercado.

A ideia começou em 2021, de forma despretensiosa. Leonardo, engenheiro mecânico carioca e músico amador, percebeu que tinha instrumentos parados em casa enquanto amigos reclamavam dos preços altos para comprar equipamentos básicos. Guitarras, pedais, uma bateria eletrônica – tudo encostado. A solução inicial foi prática: criar um site simples para alugar os próprios instrumentos.

O que era um teste ganhou tração rapidamente. Em poucos dias, surgiram os primeiros clientes. A demanda mostrou que o problema não era pontual, mas estrutural. Foi nesse momento que Luiza entrou no projeto para organizar a operação, estruturar o modelo e transformar a iniciativa em um negócio escalável.

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“A criação da BATS foi muito motivada para atender um público iniciante, hobbyista, que deseja ter contato com a prática no dia a dia, porque sabe dos benefícios que isso traz”, explica Leonardo. “Esse público quer experimentar, mas sem precisar investir pesado logo de cara, o que acaba afastando muita gente.”

Como funciona

A proposta da BATS é direta: em vez de comprar um instrumento que pode custar milhares de reais, o cliente paga uma mensalidade acessível, recebe o equipamento em casa, conta com manutenção, suporte e ainda pode trocar de instrumento ao longo do tempo. Se quiser comprar no fim do contrato, parte do valor já pago vira desconto.

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O modelo conversa com a lógica da economia do compartilhamento e com um comportamento cada vez mais comum: experimentar antes de decidir. “Atendemos muitos clientes que fazem rodízio e testam diferentes categorias até engrenarem de fato em um instrumento”, conta Luiza. “Teclas, cordas, sopros ou percussão… A adaptação varia muito de pessoa para pessoa.”

Ao longo do desenvolvimento do negócio, ficou claro que o problema não era apenas financeiro, mas cultural. “O Brasil é um dos países mais musicais do mundo, mas também um dos mais caros para se ter acesso a instrumentos e aulas”, afirma Leonardo. “Foi a partir dessa evidência que desenhamos um modelo que, com poucos cliques, permite que praticamente qualquer instrumento chegue à casa do cliente em poucos dias.”

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Para viabilizar o crescimento sem exigir um aporte inicial gigantesco, a BATS adotou um sistema híbrido de estoque. Parte dos instrumentos pertence à empresa; outra parte vem de investidores independentes, que compram equipamentos e os disponibilizam na plataforma, recebendo renda mensal pelo aluguel. Na prática, instrumentos parados em casa passaram a se tornar ativos produtivos.

“No início, percebemos que havia muitos instrumentos caros inutilizados, seja por falta de manutenção, seja porque o dono não se adaptou”, explica Luiza. “A ideia foi oferecer uma experiência melhor para quem quer tocar, sem imobilizar dinheiro em algo que pode acabar parado ocupando espaço.”

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Ambição para 2026 é bem alta

Hoje, a BATS opera em capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte, onde mantém um hub com cerca de 450 instrumentos. A estratégia prevê um acervo de 15 mil até o fim de 2026, acompanhando a expansão nacional.

Esse crescimento exige atenção especial aos bastidores. Logística, transporte, manutenção e controle de qualidade são desafios constantes quando se trabalha com equipamentos sensíveis. “No começo, achávamos que isso seria quase impossível”, admite Leonardo. “Mas fomos desenhando processos que centralizam a comunicação entre clientes e hubs operacionais, criando um ciclo de melhoria contínua.”

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Para financiar a expansão, a empresa levantou R$ 465 mil via crowdfunding em 2025, com foco na ampliação do estoque, entrada em novas cidades e fortalecimento da operação. Brasília, Porto Alegre e Florianópolis estão no radar.

Mais do que um modelo de negócios, a BATS acaba impactando o acesso à educação musical. Crianças, jovens e adultos conseguem tocar pela primeira vez sem a pressão de um investimento alto. O mercado, historicamente elitizado em muitos aspectos, passa a ganhar uma alternativa mais inclusiva e flexível.

No fim das contas, a BATS ajuda a mudar a lógica do consumo musical: a primeira guitarra, o primeiro teclado ou a primeira bateria não precisam ser comprados às cegas. Podem ser vividos, testados e descobertos no tempo de cada pessoa.

Porque, quando o acesso deixa de ser um obstáculo, a música volta a ocupar o lugar que sempre teve: o de experiência, expressão e possibilidade.

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