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OpenAI, empresa do ChatGPT, também abre processo para entrar na bolsa de valores

Uma semana após a rival Anthropic, a OpenAI deu o mesmo passo em direção a Wall Street. Quem chegar primeiro pode ditar o padrão de investimentos no setor de IA

Por Leo Caparroz 10 jun 2026, 15h00
Imagem da OpenAI
 (NurPhoto/Getty Images)
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Segunda-feira, 8 de junho de 2026. Foi dada a largada para a corrida da inteligência artificial rumo a Wall Street. 

A OpenAI anunciou o início do processo para abrir seu capital – exatamente uma semana depois da Anthropic. Com isso, as duas empresas avançam para começar a vender parte delas como ações na bolsa de valores.

Abrir capital, ou fazer um IPO (Oferta Pública Inicial), significa que uma empresa que até então pertencia apenas a seus fundadores, funcionários e investidores privados passa a negociar suas ações publicamente. Com isso, qualquer pessoa pode comprar um pedacinho da empresa.

Em um comunicado oficial, a OpenAI disse: “esperávamos que a notícia vazasse, então estamos anunciando.”

Em 1° de junho, a rival Anthropic, do chatbot Claude, anunciou seus próprios planos de abrir capital. Com o pedido da OpenAI, o conjunto de IPOs de inteligência artificial chegou a uma avaliação combinada de cerca de US$ 3,6 trilhões, somando SpaceX, Anthropic e OpenAI.

A posição da OpenAI

A OpenAI estava avaliada em US$ 852 bilhões em março, quando levantou US$ 122 bilhões. Em uma única rodada de investimento privado, a empresa captou mais do que o PIB anual de países como o Uruguai (US$ 96 bilhões) e Croácia (US$ 116,57 bilhões).

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A empresa está trabalhando com instituições financeiras para uma possível listagem entre setembro e novembro deste ano. A previsão é considerada plausível por analistas, já que pedidos confidenciais costumam ser apresentados alguns meses antes da oferta pública.

Mas ela também fez questão de deixar a data em aberto. “Pode demorar um pouco, porque há coisas que queremos fazer que provavelmente são mais fáceis como empresa privada”, disse no comunicado. Segundo eles, o pedido é “uma questão complexa de prós e contras, e nos dá a opção de abrir o capital mais cedo, caso seja a melhor solução.”

Terceira fase

O anúncio do IPO veio acompanhado de um longo texto de Sam Altman descrevendo sua visão para o futuro da empresa. Altman chamou esse momento de “terceira fase” da OpenAI.

A primeira fase era de pesquisa em direção à inteligência artificial geral. A segunda fase começou quando a OpenAI se tornou uma “empresa de produtos” e eles começaram a aprender como as pessoas usavam suas ferramentas. 

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“Agora estamos entrando na terceira fase. A economia está começando a se remodelar em torno da IA. A questão central agora é como tornar a IA avançada abundante, acessível, segura, útil e fácil o suficiente para que todas as pessoas e organizações possam se beneficiar dela”, afirmou Altman em seu texto. “A tarefa maior é transformar essa tecnologia em ferramentas que as pessoas possam realmente usar para prosperar.”

O CEO do ChatGPT argumentou que a inteligência artificial deve ser amplamente distribuída, e não controlada por um punhado de empresas ou governos. Ele também ressaltou que a primeira obrigação da OpenAI é “construir IA a serviço da humanidade”.

Mas discurso só pelo discurso não faz ninguém te dar dinheiro em Wall Street. A OpenAI vai precisar convencer investidores cujo trabalho é examinar narrativas de empresas e ir atrás dos números reais.

Não falamos de lucro

E é nos números que mora o maior desconforto da OpenAI. A empresa bilionária trabalha com contas que simplesmente não fecham. A estimativa é de que ela perca US$ 1,22 para cada dólar de receita gerada – um saldo de US$ 0,22 negativos. 

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A OpenAI reportou mais de US$ 20 bilhões em receita recorrente anual em 2025, o triplo do que registrava dois anos antes. O ChatGPT supera 900 milhões de usuários ativos por semana, bem acima dos cerca de 400 milhões registrados no início de 2025. Ela cresceu significativamente, mas acumula enormes prejuízos e ainda está longe de se tornar lucrativa.

Documentos internos preveem um prejuízo de US$ 14 bilhões em 2026 e dizem que a empresa não deve se tornar lucrativa antes de 2029. Isso significa que, por pelo menos mais três anos, a OpenAI deve continuar gastando muito mais do que arrecada.

O maior culpado desse déficit é o alto custo da computação em IA. Em fevereiro, a OpenAI informou a investidores que planeja gastar cerca de US$ 600 bilhões em infraestrutura de IA até 2030.

A corrida contra o segundo lugar

O fato de a OpenAI ter entrado com o pedido uma semana após a Anthropic não é coincidência. As duas gigantes da era da IA começaram uma corrida para chegar em Wall Street e captar a grana dos investidores.

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A Anthropic saltou para uma avaliação de US$ 965 bilhões em sua última rodada privada,  superando a OpenAI pela primeira vez. A dona do ChatGPT, que deu origem à corrida da inteligência artificial, agora ocupa o segundo lugar no ranking de valor entre as rivais.

A pressão para ser o pássaro que bebe água fresca é grande. Analistas afirmam que as duas empresas de IA estão correndo para abrir capital antes que o dinheiro dos grandes investidores acabe.

Por outro lado, uma pesquisa do banco Deutsche Bank, realizada em dezembro, apontou a possibilidade de uma bolha no setor de tecnologia como a maior preocupação dos investidores para 2026, e essa disputa entre OpenAI e Anthropic pelo mercado só acentuou esse nervosismo. 

A empresa que listar suas ações primeiro vai ditar o jogo de todo o setor. Quem ganhar a corrida vai ser o parâmetro de avaliação e o preço de referência – quem chegar em segundo terá que justificar por que vale mais, ou aceitar valer menos.

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