Oferta Relâmpago: Revista Impressa por R$ 9,90/mês e ganhe descontos e cashback.
Imagem Blog

Clara Cecchini

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Palestrante e consultora, especialista em aprendizagem organizacional e desenvolvimento de habilidades humanas.

Esqueça o cansaço: aprender algo novo pode dar energia e satisfação

Veja três dicas para manter a motivação ao longo do processo de aprendizagem – e, assim, aumentar as chances de não abandonar o barco.

Por Clara Cecchini, colunista da Você S/A 17 jan 2026, 12h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 22h14
Borrachas animadas em livros.
 (Freepik/Reprodução)
Continua após publicidade

Passamos o dia inteiro consumindo informação – no trabalho, nas redes sociais, nos streamings. Portanto, é normal que não tenhamos energia para aprender coisas novas, certo?

Pode até ser. Mas o aprendizado não precisa ser maçante e cansativo. Ele pode, inclusive, te dar mais energia.

Vamos primeiro ao cansaço.

Aprender algo novo significa fazer novas conexões neurais (ou sinapses), uma capacidade do sistema nervoso central chamada “neuroplasticidade”. É um processo que leva tempo e exige energia, afinal, o pensamento crítico e a reflexão consomem recursos cognitivos extras. O cansaço, portanto, é uma consequência fisiológica natural do aprendizado.

Ele também pode ser explicado por meio da “teoria da carga cognitiva”. Ela propõe que, devido à capacidade limitada de nossa memória operacional imediata (ou seja, nossa “memória RAM”) e à capacidade ilimitada de nossa memória de longo prazo, aprender algo novo demanda gerenciar os recursos mentais para minimizar cargas cognitivas irrelevantes. Em grosso modo: demanda selecionar os estímulos no presente para sustentar a aprendizagem do futuro.

Continua após a publicidade

Os pesquisadores que propõem essa teoria consideram a existência de três “cargas cognitivas”. A intrínseca consiste na dificuldade natural do que se quer aprender; depende da complexidade do conteúdo em questão e da proficiência do aprendiz. A relevante, por sua vez, é a energia dedicada a entender e conectar informações; ela contribui diretamente para a construção de “esquemas mentais”. A carga irrelevante, por fim, é todo ruído envolvido no processo de aprendizagem. Ele pode vir do próprio conteúdo – um texto mal escrito, por exemplo – ou de estímulos fragmentados e superficiais que nos distraem – as buzinas na rua e os latidos no vizinho. (1)

Dada nossa disposição finita de aprender em determinado momento, graças ao cansaço naturalmente embutido no processo, o segredo é afastar aquilo que consome nossa atenção mas não traz resultado – a carga irrelevante, claro.

E como ganhar mais satisfação e energia com o aprendizado?

Continua após a publicidade

Você precisa se manter motivado ao longo do caminho. O aprendizado deve estar associado à liberação de dopamina, substância envolvida nos circuitos de interesse e recompensa que ajudam a contrabalançar a fadiga. Para isso, você pode conectá-lo a interesses pessoais ou propósitos claros, por exemplo.

O aprendizado, assim, fica mais forte e sustentável. Forma-se um círculo virtuoso em que bons resultados alimentam a motivação, que por sua vez favorece o uso de melhores estratégias e renova a disposição para aprender. (2)

Três medidas práticas

Observo que esses dois fatores, a motivação intrínseca e a existência do ciclo virtuoso, são recorrentes na vida dos profissionais que continuam aprendendo, apesar dos desafios.

Continua após a publicidade

Esses profissionais…

  • … não tratam o aprendizado como uma punição ou uma demanda extra. Encaram como uma oportunidade de se tornarem profissionais mais consistentes — e pessoas mais interessantes.
  • … não reduzem o aprendizado a retornos imediatos. Entendem que seguir aprendendo é mais importante do que aplicar o novo conhecimento no curto prazo. Por isso, abrem espaço para conteúdos profundos, que ampliam a visão de mundo — não que apenas geram resultado hoje.
  • … reconhecem e celebram pequenos avanços. Percebem valor no percurso, compartilham conquistas e levam outras pessoas junto.

O processo de aprender ganha outra cara quando está ligado à possibilidade de construir outros futuros. E isso não é discurso motivacional: está na nossa biologia.

Continua após a publicidade

Fontes:

(1) Artigo “As dimensões da Carga Cognitiva e o Esforço Mental”, de Marcus Vinicius Costa Alves e colegas, publicado em 2017 na Revista Brasileira de Psicologia.

Continua após a publicidade

(2) Artigo “Neurociência e aprendizagem”, de Raquel Lima Silva Costa, publicado em 2023 na Revista Brasileira de Educação.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital