🔥 Mês do Cliente: Assine o Digital por R$ 9,90/mês e tenha conteúdo exclusivo na palma da sua mão!
Imagem Blog

Breno Paquelet

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Executivo, palestrante e fundador do Instituto de Negociação e Influência, empresa de educação corporativa.

Donald Trump: os métodos e consequências de um negociador agressivo

Impor sua vontade pela força traz um custo elevado: mina a confiança, cria ressentimentos e faz com que seus interlocutores busquem outros parceiros.

Por Breno Paquelet 6 out 2025, 15h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 18h10
Foto do presidente dos EUA, Donald Trump.
 (Anna Moneymaker/Getty Images)
Continua após publicidade

De antemão aviso que essa coluna não tem como intuito discutir política. O objetivo aqui é analisar o método que o atual presidente dos Estados Unidos usa à luz dos princípios de negociação e que efeitos ele gera, tanto imediatos quanto no longo prazo.

Donald Trump tem um estilo de negociação próprio. Entender como ele conduz as negociações é uma tarefa útil para quem gosta do assunto e pretende evitar erros ao negociar.

Trump ficou conhecido por um padrão muito específico: com tom elevado, começa com demandas extremas e criando tensão. A estratégia parece clara e tem como objetivo provocar um impacto inicial, na tentativa de gerar desconforto e criar dominância. Uma abordagem que aposta no medo e na pressão para conseguir o que quer. O professor Deepak Malhotra, da Harvard Business School, costuma dizer que “pressão pode até gerar movimento, mas dificilmente gera compromisso duradouro”.

A questão não é se a pressão funciona, mas qual é o custo de usá-la. O uso dessa estratégia de demandas extremas, seguidas de pressão, gera efeitos colaterais. O mais grave é criar um ambiente de desconfiança. Ao não saber o que esperar de você, seus interlocutores passam a se movimentar para buscar alternativas (e com isso não depender mais de você).

Continua após a publicidade

Um bom exemplo disso está na maneira como Trump lidou com a guerra comercial contra a China. Após ameaçar, impor tarifas e depois recuar repetidamente, ele criou um ambiente de instabilidade. Empresas chinesas passaram a se movimentar para buscar outros mercados para seus produtos e a usar outros países para finalizar a produção de seus itens, driblando potenciais tarifas americanas. Nesse mesmo caso, países europeus passaram a reativar acordos antigos com países e blocos econômicos, para diminuir a dependência do mercado americano. Mesmo que acordos com os EUA aconteçam, o sinal de alerta já foi ligado.

Estratégias agressivas até podem gerar algum resultado pontual imediato, mas trazem um custo elevado: minam a confiança, criam ressentimentos e fazem com que os interlocutores passem a buscar independência.

Essa postura também tende a gerar impasses e desperdício de recursos. Ao focar apenas em impor suas demandas, a negociação vira uma disputa de poder. A negociação fica rasa, travada em posições fixas, bloqueando a chance de criar valor. Potenciais sinergias são desperdiçadas e a criação de valor é inibida. Quando a outra parte não vê espaço para construir um bom acordo, a tendência é empurrar o problema, buscar alternativas externas ou até abandonar a negociação.

Continua após a publicidade

E isso leva a outro ponto. O poder na negociação é dinâmico. Pensar no curtíssimo prazo, ignorando os efeitos que seus movimentos geram nas próximas negociações, é arriscado demais. Mesmo que você tenha poder, é possível ser assertivo na busca pelos seus interesses, sem os efeitos colaterais que a agressividade gera.

Não faça cabo de guerra com ele

Outra questão é como lidar com negociadores que possuem esse estilo. Não é tarefa fácil, mas requer habilidade. A pior coisa a se fazer é usar a mesma estratégia e entrar em um cabo de guerra, em uma disputa para provar quem é mais forte ou ver quem cede primeiro.

A maior preocupação de negociadores agressivos não é o acordo em si, mas a sua imagem. Eles farão de tudo para manter a aura de negociador durão, mesmo às custas de um acordo ou de seus objetivos.

Continua após a publicidade

Não é que você tenha de se curvar às demandas deles. Mas é possível esvaziar as ameaças do negociador agressivo, sinalizando que você está disposto a buscar um acordo que atenda aos interesses de ambos, mas não pode e nem vai simplesmente ceder a essas demandas extremas.

A partir daí, é melhor trabalhar nos bastidores, para que um acordo tenha chances de ser construído. “Trocas de farpas” em público é um caminho muito ruim, porque impede que o outro recue em suas demandas, já que isso seria uma demonstração de fraqueza.

Com esse tipo de negociador, é preciso dar algo que ele possa “vender internamente” como uma vitória, mesmo que objetivamente não seja.

Continua após a publicidade

Por mais caótico que pareça, esse estilo é previsível. Ao esvaziar suas ameaças, não entrar no jogo dele, atuar nos bastidores e dar algo que ele possa chamar de “vitória”, as chances de atingir seus objetivos aumentam bastante.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital