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Sem plano de carreira: quem são os profissionais que não querem ser promovidos

Com as mudanças no mundo do trabalho, ter mais tempo livre e menos responsabilidades são ativos cada vez mais valorizados

Por Camila Almeida 28 fev 2025, 17h00 | Atualizado em 28 fev 2025, 17h28
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 (DNY59/Getty Images)
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Receber uma promoção costuma ser um sonho profissional, por ser símbolo de reconhecimento e garantir um salário melhor no fim do mês. Mas será que vale a pena aceitar a oferta? A nova geração já não tem mais a mesma relação com o trabalho, e ascender dentro de uma empresa não é mais uma ambição.

A pesquisa Futuro do Trabalho 2024, realizada pela empresa Futuros Possíveis em parceria com o Grupo Boticário, revelou que boa parte dos brasileiros entrevistados prefere evitar assumir mais responsabilidades. Nos próximos dois anos, 27% gostariam de receber um aumento, mas sem trocar de cargo ou função; 20% buscam uma carga horária menor e 12% até topariam uma promoção, mas sem precisar liderar equipes.

Sim, é um fato que a relação com o trabalho mudou, e que muitos jovens já não consideram que um emprego promove realização. De acordo com a pesquisa, os índices de satisfação com o trabalho caíram de 67% para 57% em apenas um ano, e entre os jovens de 16-29 anos essa taxa é muito menor: apenas 28% estão contentes com a profissão.

E um bom salário já não compra felicidade — 72% acreditam que a satisfação vai muito além do dinheiro. Ele ainda é o principal fator de contentamento com o emprego para 37% dos profissionais, mas outros pontos também são priorizados, como horário flexível e autonomia. Enquanto isso, apenas 16% acreditam que ter um plano de carreira é algo que torna o trabalho mais satisfatório.

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Novos tempos, novos desejos

Essa resistência aos percursos tradicionais de carreira não ocorre só no Brasil, e tem sido chamada globalmente de “quiet ambition” ou ambição silenciosa. Existem inúmeros fatores por trás do baixo interesse por essa escalada corporativa, como a epidemia de burnout e . Uma promoção muitas vezes significa aumento de estresse e pressão, além de uma carga horária mais alta, o que torna cargos de liderança pouco atrativos.

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Mas isso não quer dizer que há falta de profissionalismo ou de desejo por boas oportunidades profissionais. A questão é que a nova geração tem preferido modelos que garantam mais equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Afinal, saúde mental importa, bem-viver também — e buscar cargos de chefia não é o único caminho para se tornar uma pessoa bem-sucedida. 

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