Oferta Relâmpago: Revista Impressa por R$ 9,90/mês e ganhe descontos e cashback.

Pequenos delitos, grandes impactos: o que fraudes cotidianas dizem sobre a integridade nas empresas

Cometer pequenas fraudes dentro da empresa pode parecer, bem, pequeno. Mas quando acumuladas, podem gerar grandes prejuízos à reputação.

Por Alessandra Costa, em colaboração especial com a Você S/A* 22 dez 2024, 12h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 18h02
-
 (Thomas Barwick/Getty Images)
Continua após publicidade

O recente caso de mau uso do cartão corporativo, que resultou na demissão de um executivo de alto escalão, reacende um tema crucial para as organizações: até que ponto pequenos delitos cometidos por colaboradores podem corroer a ética e os resultados de uma empresa? Embora os números possam parecer inofensivos em um primeiro momento, a soma dessas ações pode causar impactos significativos no clima organizacional e na saúde financeira das companhias.

Dados do PIR (Potencial de Integridade Resiliente), metodologia utilizada pela S2 Consultoria no desenvolvimento de testes de integridade que avaliam o perfil ético e as soft skills de profissionais de qualquer área, mostram que cerca de um terço (33%) dos profissionais admitiriam desviar bens ou recursos da empresa. Além disso, 15% dos colaboradores reconhecem já terem se apropriado indevidamente de recursos organizacionais. Esses números são alarmantes, principalmente considerando que a frequência de casos de apropriação indevida – como manipulação de despesas ou desvio de recursos – chega a representar 60% dos incidentes de fraude no ambiente corporativo.

É fácil subestimar o impacto de pequenas ações. Contudo, quando acumuladas, elas podem gerar grandes prejuízos financeiros e reputacionais. Entre os casos curiosos que já analisamos, lembro de um profissional que viajava a trabalho semanalmente e utilizava o serviço de lavanderia do hotel. O que começou com o reembolso de camisas e calças, previsto pela política da empresa, evoluiu para cobranças de lençóis e toalhas pessoais da casa do colaborador, trazidas de sua residência. A justificativa? “É injusto comprometer meu tempo livre lavando roupas depois de trabalhar a semana inteira.” Esse raciocínio ilustra como a racionalização de comportamentos inadequados é comum e pode normalizar pequenas fraudes.

Outro exemplo recorrente é o arredondamento de notas fiscais de refeições ou a substituição de comprovantes. O colaborador gasta menos do que o valor diário permitido para alimentação, mas ajusta o reembolso ao limite máximo, sob a alegação de que “é um direito” seu. Ou ainda, notas de despesas legítimas, mas não permitidas pela política da empresa – como bebidas alcoólicas em eventos – são alteradas para “se adequarem” às regras.

Continua após a publicidade

Esses casos, que podem parecer triviais, demonstram que muitas vezes os colaboradores não percebem a gravidade de suas ações, racionalizando-as com argumentos que os tornam aceitáveis em sua perspectiva. No entanto, quando a integridade é negligenciada, a organização enfrenta consequências que vão além das perdas financeiras: o impacto no clima corporativo, na confiança e na reputação da empresa é inevitável.

A solução começa pela criação de uma cultura organizacional sólida, que combine transparência, código de conduta claro e programas internos de reporte que previnam e tratem comportamentos inadequados. Treinamentos e comunicação constante são fundamentais para reforçar que não existe espaço para relativizar a ética.

Continua após a publicidade

No fim das contas, pequenos delitos não são tão pequenos assim. Quando tolerados, eles podem abrir espaço para comportamentos mais graves, fragilizando toda a estrutura ética da organização. Para que isso não ocorra, é essencial que as empresas estabeleçam padrões claros de integridade e tratem com seriedade todas as ações que violem esses princípios. Afinal, no mundo corporativo, pequenos gestos podem ter grandes repercussões – para o bem ou para o mal.

Alessandra Costa é psicóloga e sócia da S2 Consultoria.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital