Você S/A / Organize suas finanças / Edição 128 / Dinheiro
11/02/2009
No ano passado, a bolsa de valores caiu mais de 40%. Mesmo assim o presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, está otimista com a recuperação do preço das ações. "Se não chegamos ao fundo do poço ainda, estamos quase lá, agora é só retomada", disse ele em entrevista à você s/a. Com a crise financeira, os investidores estrangeiros tiraram 25 bilhões de dólares da bolsa no ano passado e foram as pessoas físicas que mantiveram boa parte das negociações. Agregar mais gente aos 550 000 investidores pessoas física é o desafio da bolsa para este ano.
Como o senhor acredita que vai ser 2009 para o investidor? Estamos muito otimistas. A taxa de juros no Brasil voltou a cair, o que estimula as aplicações em bolsa. A remuneração dos títulos do Tesouro americano é praticamente zero, o que faz com que os estrangeiros se interessem por investir na bolsa brasileira. Começamos o ano bem e, se olharmos o volume de negócios com derivativos na semana passada [a entrevista foi gravada no dia 23 de janeiro], saímos de uma média de 900 000 contratos para 1,4 milhão. Os fundamentos da economia estão bons e o investidor vai querer resultados financeiros. Eu espero que ele venha para a bolsa.
Mas será que o investidor não está ressabiado com tantas quedas no preço das ações? O investidor está mais maduro. Antes, as pessoas físicas entravam no mercado quando ele estava em alta e em pouco tempo os preços começavam a cair. Era uma frustração total. Parte do amadurecimento veio do projeto Bovespa Vai Até Você, que popularizou a bolsa, outra parte veio da educação financeira. O investidor está mais bem informado, mais maduro e sabe que o investimento em bolsa é para médio e longo prazos.
O investidor é muito mais emotivo do que racional? Sim. Mas ele já descobriu que o mercado de ações não é para se obter lucro no mesmo dia. No ano passado, houve uma transformação cultural. Quer ver um exemplo? Tínhamos 150 000 acionistas nos papéis da BM&FBovespa no final de 2007. Hoje temos 130 000 acionistas e desses 125 000 são pessoas físicas. Um ano depois da crise, o preço do papel da bolsa derreteu, acompanhando todo o mercado, mas o investidor está aí. Não saiu.
Não teve efeito manada, então? Durante a crise, o volume de transações das pessoas físicas não diminuiu. Pelo contrário, aumentou. Hoje está mais fácil operar no mercado financeiro porque temos uma tecnologia mui to melhor, o home broker está mais amigável, os grandes bancos fizeram um excelente trabalho na sala de clientes deles e as corretoras ajudaram com a educação financeira.
E o que a bolsa pretende fazer para atrair mais pessoas físicas? Vamos ampliar os pontos de atendimento em todo o país e dividir os custos com os corretores.
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