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Reavalie sua carteira

Ouvimos a história de quatro investidores que perderam dinheiro na crise e pedimos a especialistas que sugerissem maneiras de reverter o prejuízo. Você também pode aproveitar as dicas para reorganizar suas ações

O ano de 2008 não foi nada fácil para o investidor. O Ibovespa, índice que mede o comportamento dos principais papéis negociados na bolsa de valores, acumulou queda de mais de 40% no ano, o que corresponde, em média, à perda auferida pelo investidor. A expectativa é que a bolsa volte a subir, mas só no longo prazo. “O primeiro semestre será nebuloso. As empresas irão fechar os números do ano passado e divulgar os seus balanços, que não devem ser positivos. O segundo semestre será de recuperação, quando ficará mais clara a situação das companhias”, diz Mauro Calil, professor e educador financeiro do Calil & Calil, de São Paulo. “Será um ano de bastante oscilação, mas há expectativa de que o Ibovespa registre 50 000 pontos no final do ano, como no início de 2008”, diz Felipe Vaz, gerente de investimentos do Banco Real, em São Paulo.

Parece ruim, mas o momento é uma boa oportunidade para você analisar se os seus investimentos vão trazer bons rendimentos de curto ou longo prazo. Se a sua intenção é recuperar as perdas em menos de dois anos, o ideal é alterar seus investimentos para opções mais conservadoras. Se o objetivo for sacar o dinheiro depois de dois anos, você pode continuar negociando no mercado de ações. “Quem for usar o dinheiro agora deve transferir os investimentos do mercado acionário para o CDB pós-fixado; para quem vai continuar na bolsa, o aconselhável é reavaliar os papéis da carteira”, diz Felipe, do Banco Real.

A você s/a ouviu quatro investidores que perderam dinheiro no auge da crise, com a desvalorização de suas carteiras. Especialistas e consultores financeiros deram dicas e sugestões para que esses investidores reorganizem seus portfólios. As dicas também vão ajudar você a analisar seus papéis e garantir melhores rendimentos em 2009. Confira a seguir.

Carteira enxuta
A paulistana Ivete Bieger, de 35 anos, é designer de interiores e começou a comprar ações há três anos. O primeiro papel que ela adquiriu foi o do Banco do Brasil. No final de 2007, depois de fazer um curso de iniciação ao mercado de ações, Ivete decidiu diversificar o portfólio. Ela vendeu as ações do Banco do Brasil e comprou papéis da Vale e da Petrobras. Em agosto do ano passado, suas ações se desvalorizaram 56%. Para evitar o prejuízo, a designer decidiu não mexer na carteira e continuou investindo 15% da renda todo mês na bolsa.

ANÁLISE: Para os especialistas, Ivete é disciplinada e a volatilidade não a afeta. “Ela tem um perfil de médio e longo prazo e escolheu papéis geradores de caixa e bons pagadores de dividendos”, diz Marcelo Xandó, diretor da Verax Serviços Financeiros, de São Paulo.

Carteira de ações de Ivete Bieger
Vale 50%
Petrobras 50%


RECOMENDAÇÃO: Os investimentos estão 100% ligados às ações de minérios e petróleo. Uma sugestão é ampliá-los a outros setores, como bancos, empresas do setor de energia elétrica, telefonia e saneamento básico, que pagam bons dividendos. Um exemplo são as ações da Telesp, que têm uma taxa de dividendo de 10% ao ano.

Carteira sugerida
Vale 30%
Petrobras 30%
Bancos (Itaú,Bradesco ou Banco do Brasil) 20%
Cemig, Copasa ou Telesp 20%

Com banco e corretora
O advogado Fábio Luiz Conte, de 37 anos, opera na bolsa de valores desde 2007 e trabalha em uma consultoria de tecnologia da informação, em Curitiba, no Paraná. Ele queria segurança na hora de comprar e vender suas ações e por isso optou por uma carteira gerenciada em parceria com uma corretora. Como estratégia, aplicou sua grana em uma carteira de ações indicada por um banco e notou várias diferenças. “A corretora trouxe resultados bem melhores. Depois de passar por baixas na bolsa, a carteira da corretora já havia se recuperado. A do banco demorou meses para se restabelecer.” Desde o início da crise até hoje, a carteira de Fábio se desvalorizou 50%.

ANÁLISE: “Fábio usou um caminho interessante para quem quer formar um patrimônio e não tem tempo para analisar a carteira”, diz Mauro Calil. O advogado é cauteloso e desde o início das aplicações pensa em rendimentos de longo prazo. “Deixarei esta reserva para os meus filhos” , diz Fábio Conte.

Carteira de ações de Fábio Conte
Usiminas 10%
Petrobras 8%
Bradesco 9%
Unibanco 10%
Redecard 10%
Pão de Açúcar 9%
Perdigão 10%
CCR Rodovias 9%
Brasi l Telecom 10%
CPFL Energia 10%
Eletrobras 5%

RECOMENDAÇÃO: Além de diversificada, a carteira de Fábio é composta por papéis de empresas que estão focadas no mercado interno. Para os especialistas, a carteira sugerida pela corretora tem pouca exposição ao setor de commodities. Quando a bolsa voltar a subir, vai ser preciso correr atrás das ações como Vale e Petrobras, que, mais sólidas, vão se recuperar mais rápido do que os demais papéis.

Carteira sugerida
Usiminas 5%
Petrobras 8%
Bradesco 9%
Unibanco 10%
Redecard 10%
Pão de Açúcar 9%
Perdigão 10%
CCR Rodovias 9%
Trocar Brasi Telecom por Vale 10%
CPFL Energia 10%
Eletrobras 10%

 

Dono do clube
Murilo Prina Dutra, de 34 anos, é administrador de empresas e começou a investir na bolsa em 2006. Em junho de 2007, depois de participar de um curso sobre métodos para a formação de um clube de investimento, junto com dois amigos decidiu formar seu próprio clube, que hoje tem 50 cotistas e um patrimônio de 125 000 reais. “Começamos com Aracruz, CPFL e Itaúsa. Quando o capital do clube cresceu, compramos outros papéis, como Vale e Gerdau”, diz. Sozinho, Murilo, que tem 5% das cotas do clube, viu sua carteira se desvalorizar 50% de maio a outubro do ano passado. “Eu sabia que a situação estava piorando cada vez mais, mas não esperava que fosse com essa intensidade.” Hoje, o administrador está perdendo 35% do patrimônio que tem investido.

ANÁLISE: Ele não deve se desesperar. “A carteira do clube é equilibrada, com diferentes setores, como alimentos e energia”, diz Mauro Calil. O administrador, que mantém mensalmente um aporte de 200 reais, pretende adiar a venda das ações, que antes da crise estava prevista para daqui a cinco anos. “O meu prazo agora são oito anos. Eu não acredito que a bolsa vá voltar ao patamar de 70 000 pontos tão cedo”, diz Murilo.

Carteira de ações de Murilo
Vale 24,5%
Gerdau 17,5%
CPFL Energia 10,5%
BM&F Bovespa 9%
Itaúsa 7,8%
Sadia 5,7%
Confab 5,6%
Log-In 4,9%
Telemar 4%
Em caixa 10,5%

RECOMENDAÇÃO: O clube de investimento tem 42% dos papéis em mineração e siderurgia, que têm grande exposição no mercado externo. Uma sugestão é incluir ações de companhias voltadas ao mercado interno e aproveitar a grana do caixa para investir mais. “Ele pode descontar dos setores de mineração e siderurgia e aumentar a exposição da carteira aos bancos”, diz Jayme Alves, analista da Spinelli Corretora de Valores, de São Paulo.

Carteira sugerida
Vale 20%
Gerdau 10%
CPFL Energia 10,5%
BM&F Bovespa 9%
Itaúsa 10,3%
Trocar Sadia por Perdigão 5,7%
Confab 5,6%
Log-In 4,9%
Telemar 4%
Petrobras 10%
Usiminas 10%

 

Investidor independente
Francisco Lyra, de 24 anos, é advogado e começou a investir no mercado de ações aos 19 anos. Inexperiente, preferiu aplicar em fundos de renda variável. Após estudar o mercado acionário, procurou uma corretora e decidiu administrar seus próprios papéis. “Eu fiquei confiante para fazer investimentos mais arriscados. Foi então que comecei a operar por home broker com três carteiras de ações diferentes”, diz Francisco. Ele é um investidor arrojado. Durante o período pré-crise, quando os papéis começaram a se desvalorizar , ele vendeu a maioria das ações de sua carteira. Hoje prefere fazer operações curtas, , de compra e venda no mesmo dia. No day trade entanto, manteve papéis do Itaú e da Eletropaulo.

ANÁLISE: Para os especialistas, quem se arrisca em operações arrojadas precisa estar preparado para as consequências do futuro. “A estratégia de day trade não é nada aconselhável para quem quer formar patrimônio. É uma aplicação especulativa”, diz Jayme Alves.

Carteira de ações de Francisco
Cesp 26,93%
ALL 45,12%
Itaú 17,99%
Eletropaulo 9,96%


RECOMENDAÇÃO: Francisco tem disponibilidade para se dedicar ao mercado de ações. É um investidor que está atento às oportunidades para conseguir maior liquidez nas operações. Ele precisa analisar melhor alguns de seus investimentos. Comprar papéis da Vale e da Petrobras é uma das recomendações, eles serão os primeiros a se recuperar quando a bolsa voltar a subir. O ideal é repensar seus investimentos em ALL e Cesp. Os especialistas advertem: as operações de day trade não são aconselháveis aos investidores que queiram juntar dinheiro.

Carteira sugerida
ALL 15%
BM&F Bovespa 10%
Eletropaulo 15%
Vale 15%
Petrobras 15%
Usiminas 10%
Itaú 20%

 

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