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Questione seu banco

Os gerentes de bancos usam uma linguagem rebuscada na hora de vender seus produtos de finanças. Não se iluda e questione seu gerente

 10/09/2009

Crédito: Luciana Ruivo
 - Crédito: Luciana Ruivo

Pela difi culdade em reconhecer nossa ignorância, vivemos uma relação paradoxal com as instituições fi nanceiras. Gerentes de banco, corretores, advogados e especialistas usam linguagem rebuscada para demonstrar — ou iludir — conhecimento, enquanto clientes fi ngem que entendem para não passarem por desinformados.

O resultado, obviamente, é um subaproveitamento das relações de serviços. Empresas fi nanceiras concentram seus ganhos em produtos populares, fáceis de entender, e seus clientes multiplicam riquezas em um ritmo menor do que as alternativas à sua disposição permitem. Um mercado que nitidamente paga um preço alto pela má comunicação é o dos planos de previdência privada.

Quem contrata fi nge que entende e quem vende se vangloria por conquistar mais um cliente, por crer que ele realmente entendeu as complexas regras tributárias e o funcionamento das taxas envolvidas. Na verdade, a quase totalidade das pessoas que contratam um plano de previdência privada recebeu argumentos razoáveis de que o produto é mais vantajoso do que outras alternativas fi nanceiras. O cliente que não domina as regras do produto que contratou terá apenas o extrato da seguradora como referência. No extrato, não há a linguagem da venda (proibida pela Superintendência de Seguros Privados, que regula o setor), que incluiria simulações, comparações, efeito do longo prazo e custos ocultos de produtos concorrentes.

As únicas informações que constam são taxas de administração, provisão para impostos e saldo atual. Em uma comparação de curto prazo, as regras da previdência privada tornam essa alternativa desvantajosa, pois elas foram criadas para estimular a poupança de longo prazo. Poderia ser melhor? Talvez, se as seguradoras estivessem mais próximas de seus clientes. É uma relação que precisa amadurecer.

O caminho para mudar esse relacionamento paradoxal é só um: reconhecer nossa ignorância e perguntar, sempre, até que 100% das explicações estejam claras e organizadas em nossa mente ou em nossas anotações. Quem sabe, cansadas de tantas perguntas, as instituições não melhorem a maneira de nos comunicar suas oportunidades?

Questione sempre sua instituição financeira
Gustavo Cerbasi é consultor fi nanceiro pessoal, sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro e autor do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos www.maisdinheiro.com.br

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edson - oie - 19/09/2009 17:09:27



    
    
    
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