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Profissão: investidor

Cada vez mais pessoas abandonam suas profissões para se dedicar exclusivamente ao mercado de capitais e ganhar independência financeira. Vale a pena?

 11/11/2009

Crédito: Alexandre Battibugli
Jorge Eduardo Aidar, 45 anos: trocou uma carreira bem-sucedida pelo mercado financeiro - Crédito: Alexandre Battibugli
Jorge Eduardo Aidar, 45 anos: trocou uma carreira bem-sucedida pelo mercado financeiro

O economista paulistano Jorge Eduardo Aidar, de 45 anos, tinha tudo para construir uma carreira internacional de muito sucesso. Com pós-graduação em fi nanças e marketing, hoje ele estaria na fase da contabilização de bônus polpudos e outras formas de remuneração variável que engordam os bolsos dos executivos. Mas não foi esse o destino que o economista escolheu. Ele optou por ser um investidor profi ssional. A migração de uma carreira para outra não foi fácil. Jorge começou a trabalhar quando ainda era estudante da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, na petrolífera norte-americana Shell, na área de recursos humanos, depois foi para os departamentos comercial e de vendas e marketing.

Um ano depois foi para a Andersen Consulting (atual Accenture), especializada em gestão, fi nanças e produtos. Dois anos depois ele era o único brasileiro a fazer parte de um plano para estruturar a expansão da multinacional Domino’s Pizza no mundo. Morou um ano nos Estados Unidos e resolveu voltar ao Brasil. Na sua primeira semana no país, formatou a área de franquia da Microsiga (atual Totvs). Um ano e meio depois, migrou para o Banco Nacional (que depois foi comprado pelo Unibanco), no qual assumiu a área de nichos de mercado. “Criei um núcleo de produtos fi nanceiros para as redes de franquias e integrei a equipe que criou o Internet 30 Horas. Fiquei lá por oito anos.”

O Itaú (que se fundiu com o Unibanco) o chamou para assumir a gerência sênior de produtos de meios de pagamentos eletrônicos e desenvolver essa área. Depois de uma trajetória profi ssional brilhante e com uma passagem pela Interchange — empresa, na época, dividida entre os sócios Citibank, Unibanco, ABN Real e EDS —, Jorge começou a repensar sua vida. Ele já tinha sido fi sgado pelo vírus do mercado fi nanceiro. “Desde a época da faculdade eu comprava ações, mas era de forma muito amadora. Hoje, vivo exclusivamente do mercado de capitais”, diz.

HORA DA VIRADA
Em 2003, ele percebeu que já ganhava mais dinheiro com ações do que com sua profi ssão. Foi então que resolveu mudar tudo. Saiu do emprego, abriu uma consultoria e começou a comprar e vender ações 24 horas por dia. “Fiz vários cursos gráfi cos e fundamentalistas para aprofundar o conhecimento. Li muitos livros e mergulhei no assunto. Hoje, vejo todos os mercados, inclusive o asiático. Leio os jornais econômicos e posso dizer que estou realizado profi ssionalmente”, diz. Jorge vive dos dividendos que recebe das ações e dos juros sobre o capital, e com isso ele consegue ganhar anualmente duas vezes mais do que recebia quando trabalhava em um banco, incluindo bônus e outras rendas variáveis. Com dedicação, ele conseguiu aumentar três vezes seu patrimônio inicial. Mas, quando a crise fi nanceira chegou, a situação dele fi cou diferente. “Perdi 50% do meu dinheiro, tive de apertar o cinto, mas acho que consigo recuperar o dinheiro no ano que vem”, diz ele. Jorge faz parte de um contingente de pequenos investidores que não param de crescer na bolsa de valores.

Hoje já somam 521 529 cadastrados. Em 2003, eram 85 000. “O mercado fi nanceiro tem se preparado cada vez mais para atender aos investidores pessoa física e não é de se surpreender que a ocupação tenha crescido”, diz Robert Dannenberg, presidente da TradeNetwork, organizadora da Expo- Money, maior evento do país voltado à educação fi nanceira e investimentos. Isso porque a profi ssão de investidor começa a se impor como opção real entre as pessoas físicas. “É preciso se preparar para entrar no mercado, e nada garante que você terá sucesso na profi ssão. Os riscos são muitos e é fácil desistir no meio do caminho”, diz Jorge.

Por ser uma opção de profi ssão relativamente nova, que possibilita várias formas de atuação, não há uma caracterização única e defi nitiva para esse profi ssional. Tanto que o carioca Ricardo Orenstein decidiu se dedicar inteiramente ao mercado de capitais muito antes da febre que abarcou os brasileiros nos últimos dez anos. “Comecei aos 16 anos na Cotibra Corretora, que era do presidente da bolsa de valores do Rio de Janeiro, Ênio Rodrigues”, diz. Hoje, aos 44 anos, Ricardo conta que largou a formação em economia no último ano, na Universidade Cândido Mendes, foi morar nos Estados Unidos e ao voltar, após um ano, fez uma especialização no Ibmec em operações de open market.

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