Você S/A / Organize suas finanças / Edição 9120 / Capa
12/06/2009
Há sete anos no comando da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, Sérgio Rosa é um desses casos raros de aprendiz de feiticeiro. Jornalista de formação, sindicalista de profissão, esse paulistano de 49 anos conquistou o respaldo do mercado financeiro gerindo um patrimônio cujo volume de 120 bilhões de reais responde por grande parte do dinheiro que movimenta a bolsa de valores e alimenta as emissões de títulos de renda fixa. Nesta entrevista exclusiva para VOCÊ S/A, Sérgio faz um balanço de sua administração e conta como tem enfrentado a crise que em menos de um ano fez encolher metade do superávit da Previ — de 52 bilhões de reais, em 2007, para 26,3 bilhões de reais, em 2008. Você vai tirar lições que podem auxiliá-lo na gestão dos próprios investimentos.
A valorização que a bolsa vem apresentando no ano é consistente? A recuperação é um sinal de que no ano passado, mesmo no auge da crise, o pânico levou a uma desvalorização grande demais das ações. Houve empresas cujo valor de mercado passou a equivaler ao valor do seu caixa. Ativos foram liquidados a preço de banana. Sistemas de gestão como o stop loss, que obriga os fundos a vender seus ativos mais líquidos, levaram a uma desvalorização da bolsa muito maior do que a avaliação individual da situação econômica de cada empresa. O que está acontecendo agora é uma recomposição de preços, o que não significa uma recuperação sólida da economia.
Então, o momento ainda pede cautela?
Sim. A crise é profunda, desmontou as estruturas de crédito e sistemas de alavancagem nos quais as empresas se apoiavam para crescer, derrubou o valor de ativos de uma maneira significativa e alguns mercados ainda vivem uma redução de consumo.
Mas a crise também permite oportunidades. Como os fundos e os pequenos investidores podem tirar proveito?
As ações estão baratas. Empresas com bons fundamentos econômicos e de gestão podem ser consideradas potenciais investimentos para quem tiver condições. Não é o caso da Previ, pois temos uma exposição grande em renda variável.
O que o senhor espera que aconteça com a taxa de juros no Brasil e com as aplicações em renda fixa?
Os analistas do mercado financeiro estão projetando uma taxa de juros entre 9% e 9,5% para o fim do ano. É uma projeção razoável em função da conjuntura em que estamos vivendo, de menor aquecimento da atividade econômica e inflação sob controle. Para os próximos anos, trabalhamos com a estabilidade da taxa de juros em patamares mais baixos. Temos nos preparado para continuar com nosso programa de diversificação de investimentos em aplicações alternativas, porque não podemos ancorar mais a busca de rentabilidade em cima de títulos da dívida pública.
Quais são esses investimentos alternativos?
Existem segmentos diversos, que não se resumem a títulos do governo ou ações em bolsa. Temos várias oportunidades em imóveis, de shoppings a prédios com destinações específicas, como hospitais e galpões. O segmento de private equity foge do ciclo curto de preço de ações na bolsa, com investimentos em empresas médias de grande potencial de crescimento. Os fundos de pensão, como investidores de longo prazo, têm de olhar e selecionar esses segmentos, direcionando o portfólio para a diversificação, caminho seguido pela maior parte dos gestores no mundo.
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