Você S/A / Organize suas finanças / Edição 137 / Dinheiro
13/11/2009
Se a sua companhia oferece um plano de previdência complementar não pense duas vezes e participe dele. Os fundos corporativos funcionam basicamente assim: as empresas costumam contribuir no esquema um por um, ou seja, depositam exatamente a mesma quantia que o funcionário investe. E isso é muito bom. Se o funcionário deposita mensalmente 4% de sua renda no fundo de previdência, a empresa costuma colocar, em média, mais 4%. “Outra vantagem do plano empresarial é que é possível fazer aportes a partir de 20 reais. Valor bem inferior aos planos individuais”, diz Paulo Ribas Chaves, superintendente comercial de previdência corporate do Itaú Unibanco, em São Paulo. Além disso, devido ao maior poder de barganha das empresas na hora de negociar os planos com as seguradoras, o pagamento das taxas de administração e de carregamento fica menor para o funcionário. “As taxas dependem de empresa para empresa, mas certamente são bem menores do que a média dos planos individuais”, diz Lúcio Flávio Condurú de Oliveira, diretor geral da Bradesco Vida e Previdência, em São Paulo.
Fique atento
O funcionário precisa ficar atento às negociações feitas entre as partes. Se por um lado ele recebe um benefício da empresa, por outro, deve negociar o que poderá levar da contrapartida das contribuições feitas se tiver que sair do emprego de uma hora para outra. Normalmente é a partir do quinto ano de casa que a empresa começa a liberar 50% do que contribuiu, e costuma chegar a 100% a partir do 10 anos. “Há um ambiente favorável para que os planos empresariais cresçam, mas as empresas tem que fazer o dever de casa e melhorar os instrumentos de comunicação e implementação do produto com o funcionário”, diz Lúcio Flávio. Na realidade, o valor que a empresa coloca no plano de previdência que oferece é abatido tanto do seu Imposto de Renda quanto do funcionário, quando o plano é um PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre). “Vejo vantagem para todos os envolvidos”, diz José Eduardo Vaz Guimarães, diretor de marketing e produtos da Brasilprev, do Banco do Brasil, em São Paulo.
Uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria Mercer Consulting, Outsourcing, Investments em 33 países com 1 585 empresas que patrocinam planos de aposentadoria de contribuição definida revela a ampla adoção de adesão automática dos funcionários ao produto. Os planos pesquisados representam mais de 440 bilhões de dólares em patrimônio. Mas no Brasil a realidade ainda é um pouco diferente. Apesar de 53% dos planos de aposentadoria das 115 grandes empresas analisada terem sido criados nos últimos dez anos, o percentual de participação dos funcionários a esses produtos ainda está muito abaixo da meta das empresas. Só 28,8% das companhias conseguem de 90% a 100% de adesão dos seus planos. Outro ponto do estudo traz um retrato curioso da crise financeira global. Nenhuma empresa no Brasil suspendeu os planos contratados e apenas 6,8% delas considera a possibilidade de fazê-lo nos próximos meses.
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