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Ganhe dinheiro alugando suas ações na bolsa de valores

Quem aluga as ações ganha dinheiro duas vezes. A primeira é na transação financeira e a segunda é com um incentivo financeiro da BM&FBovespa

 10/09/2009

Crédito: Raul Junior
Vitor Augusto Boari, 31 anos: ganhou 15 000 reais com aluguel de ações - Crédito: Raul Junior
Vitor Augusto Boari, 31 anos: ganhou 15 000 reais com aluguel de ações

O advogado paulistano Vitor Augusto Boari, de 31 anos, é um pequeno investidor com perfi l bem arrojado. Ele investe há dez anos na bolsa e uma de suas estratégias favoritas de negócios é o aluguel de ações. O mecanismo dessa transação fi nanceira é o mesmo de quem aluga um imóvel. O investidor loca suas ações para outros investidores e com isso recebe uma grana extra. Ele não perde o direito de receber os dividendos, a bonifi cação, que é a distribuição gratuita de novas ações e a subscrição (entenda o que é na reportagem Chega de Dúvidas), quando uma empresa com capital aberto decide lançar mais ações. Ao contrário de Vitor, que aluga as ações, quem empresta as ações para outros investidores tem um perfi l bastante conservador. “Ele não tem a perspectiva de se desfazer do papel tão cedo”, diz Hélio Pio, gerente comercial da Ágora Corretora, do Rio de Janeiro.

Desde maio, quem empresta as ações no pregão tem mais uma vantagem. Além do dinheiro que vai receber por alugar os papéis, a BM&FBovespa concede 0,05% ao ano sobre o total emprestado para o investidor que aluga seus papéis. “É cedo para dizer qual será o resultado efetivo da medida, mas acreditamos no aumento dos investidores pessoas físicas como doadores, que já somam mais de 6 milhões”, diz Luis Antônio Barron, diretor de administração de risco da BM&FBovespa. A estratégia de quem aluga uma ação funciona assim: ele toma um papel emprestado, vende para outro investidor por 10 reais, por exemplo, e aposta que o preço da ação vai cair para 8 reais. Se confi rmada a queda no preço, ele recompra a ação por 8 reais e ganha com a diferença de cotações. É esse o raciocínio de Vitor, que em 2007 aprendeu como funcionavam as operações de aluguel e durante oito meses tomou papéis emprestados das empresas Cosan, Positivo e Gerdau. Com essas transações, ele faturou 15 000 reais. “Eu fazia contratos curtos de uma semana ou no máximo de 15 dias”, diz. O advogado acompanhava o noticiário fi nanceiro e mantinha contato diário com os profi ssionais da sua corretora, que alertavam sobre a volatilidade dos papéis. Vitor também estipulou um limite de perdas e ganhos de, no máximo, 10%. O advogado diz que é importante fi car atento quando as empresas divulgam um fato relevante.

Há cerca de dois anos, um diretor da Petrobras comunicou à imprensa que a companhia, além do petróleo, produziria álcool. A notícia fez o preço dos papéis do setor alcooleiro subir. Mas, depois de três dias, o presidente da Petrobras desmentiu a afi rmação do executivo e as ações da empresa despencaram. “Vendi a ação da Cosan — produtora de açúcar — quando o preço estava alto e comprei de volta quando caiu”, diz. Vitor, que não é um investidor de longo prazo, troca os papéis da carteira uma vez por mês e toma suas decisões de investimento analisando os setores. “É mais fácil porque eu analiso as informações de um único negócio”, diz. Até meados de agosto, os papéis das empresas Abyara, JHSF, Medial e Fertilizantes Heringer faziam parte da carteira do advogado.

TAXAS E GARANTIAS
Se você gostou da estratégia de Vitor é bom saber que quem aluga uma ação precisa pagar uma taxa ao investidor doador. A taxa varia conforme o prazo da transação e a ação. Em agosto, a taxa média era de 3%. “Quanto maior a oferta de ações menor o preço”, diz Alfredo Sequeira Filho, gerente da mesa personnal da Fator Corretora, de São Paulo. Desde o fi nal de julho até meados do agosto, a menor taxa registrada foi de 0,29% para os papéis da Vale e do Itaú Unibanco. O papel que mais remunerou foi da Haga S/A, que registrou uma taxa de 25,50%.

Os contratos entre doadores e tomadores duram em média entre 30 e 90 dias. Quem resolve emprestar ações precisa ter paciência. “O ideal é só alugar ações com a certeza de que vai fi car com ela por um bom tempo”, diz Keyler Carvalho Rocha, professor de fi nanças da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Como em qualquer operação na bolsa, quem empresta ações também corre riscos. “Se, enquanto estiver alugado, o preço do papel sofrer uma mudança muito grande, o investidor não vai poder vendê-lo”, diz Hélio, da Ágora. 

Quando termina o contrato, quem alugou as ações precisa devolver os papéis aos donos. Quem garante a devolução é a Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). “O papel não vai sumir, a bolsa garante que no prazo estipulado no contrato o papel voltará para o investidor que o emprestou”, diz Luis Antônio, da BM&FBovespa.

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