Você S/A / Organize suas finanças / Edição 134 / Dinheiro
12/08/2009

Após o susto com a crise financeira global, uma nova onda de emissões de ações — ainda que seletiva — já começa a surgir no mercado e pode oferecer chances de ganhos aos investidores mais atentos. Além dos IPOs (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês) as empresas veteranas também estão fazendo ofertas secundárias de papéis. Para ter uma ideia, de março até 20 de julho já foram negociados mais de 13,7 bilhões de reais em emissões primárias e secundárias de ações de seis empresas: MRV, BR Malls, VisaNet, Redecard, Light e Hypermarcas. A dúvida é saber se vale a pena comprar esses papéis agora ou esperar mais um pouco. "Ninguém coloca ação no mercado quando os preços estão muito baixos. As empresas querem ganhar", diz Fábio Colombo, administrador de investimentos, de São Paulo. Ele lembra que já houve valorização de 40% do Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, desde o começo do ano. Foi essa alta que fez as empresas voltarem à bolsa. “É preciso olhar com atenção, caso a caso. Alguns papéis estão caros outros nem tanto. É preciso que o preço da ação reflita os ganhos da empresa”, diz Fábio.
O desafio é saber qual a melhor hora de comprar as ações que estão chegando ao mercado. “Há muitas empresas se preparando para abrir capital, mas o mercado seguirá em ritmo mais cauteloso do que no passado”, diz José Cláudio Securato, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) e professor do Institute Saint Paul of Finance, em São Paulo. Os setores que devem lançar mais ações são logística, petroquímica, educação, call center, segurança, TI e alimentos.
Hoje, estão em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o órgão que regula o setor, três pedidos de abertura de capital e dois de oferta secundária de ações. Na fila de espera para se tornarem companhias abertas estão AGV Holding, do setor de logística, Centennial Asset Participações, também do setor de logística, e Infrasec Securitizadora. Já empresas como Natura e Perdigão (Brasil Foods) aguardam aprovação para a colocação de um novo lote de papéis à venda. O Santander também anunciou que está analisando a viabilidade de fazer uma oferta pública primária de ações. “É preciso saber o que está se comprando e o nível de risco que se está correndo”, diz Álvaro Bandeira, economista- chefe da AgoraInvest, em São Paulo. Outra coisa importante é lembrar que a bolsa é um investimento de longo prazo — acima de dois anos — e não se deve colocar mais do que 50% do dinheiro em ações. Mais uma regra? Tenha ações de empresas sólidas e com bons resultados financeiros. Olhar só a empresa não adianta. “É preciso acompanhar papéis do mesmo setor e o cenário econômico”, diz Maílson Hykavei, sócio da Finplan Consultoria, em São Paulo. Os especialistas projetam que a bolsa pode subir mais 30% nos próximos 12 meses e atingir 65 000 pontos. A bolsa antecipa tendências. Se as empresas estão voltando ao mercado é porque a economia começou a melhorar. “Pode ser um momento bom para entrar no mercado. Há margem de retomada para o Ibovespa, no longo prazo, para os 70 000 pontos”, diz José Cláudio, do Ibef.
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Empresas que já fizeram registro na Comissão de Valores Mobiliários para lançar ações no mercado:
| Data de entrada | Empresa |
| 29/05/2009 | Centennial Asset Participações Sudeste S/A |
| 24/06/2009 | AGV Holding S/A |
| 20/07/2009 | Infrasec Securitizadora S/A |
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