Você S/A / Organize suas finanças / Edição 128 / Dinheiro

Escolher a corretora de valores que vai fazer suas transações na bolsa nunca foi uma tarefa das mais fáceis. É preciso encontrar uma instituição confiável, com bom sistema eletrônico, que tenha profissionais capacitados para solucionar suas dúvidas sobre investimentos. Até setembro de 2008, quando os primeiros sinais da crise começaram a respingar por aqui, a diferença entre um bom e um mau corretor era praticamente imperceptível. Com o mercado em alta, era fácil obter ganhos financeiros. O cenário mudou. Agora é a hora de você avaliar seu consultor financeiro. Veja o que considerar em sua avaliação.
LISTAGEM NA CVM
Todas as corretoras habilitadas a negociar na bolsa de valores estão cadastradas no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — www.cvm.gov.br. Se a sua instituição não estiver listada no site, fuja dela. A corretora é obrigada a transferir sua carteira de ações para outra instituição gratuitamente. Procure saber quanto tempo a corretora opera no mercado e a avaliação dos clientes mais antigos.
CURRÍCULO ONLINE
Verifique se os profissionais são certificados e registrados na CVM para trabalhar nas corretoras. Boas instituições colocam o currículo dos profissionais em seus sites.
EXIJA MAIS
Pergunte sobre os riscos da ação, a possibilidade de a empresa em que você está investindo crescer ou falir, simule cenários de alta e baixa para ações e acompanhe atentamente, nos próximos meses, a divulgação dos balanços das companhias. Quanto mais você conhecer sobre o mercado de ações, mais apto vai estar para recuperar perdas por causa da crise ou montar uma carteira que trará bons rendimentos. Use as ferramentas de simulação que estão disponíveis nos sites das corretoras.
HOME BROKER
O sistema de transações eletrônicas, o home broker, deve ser eficiente. Converse com amigos e com profissionais da instituição para saber a qualidade do serviço. “Nada pior do que não conseguir comprar ou vender uma ação porque o sistema de informática caiu”, diz Nicolas Barbarisi, da Hera Investimentos, de São Paulo.
CUSTO
Nem sempre o menor custo de corretagem é o melhor para você. A corretagem fixa cobrada pela maioria das corretoras fica entre 10 e 20 reais por operação. Já a corretagem variável é de 0,5% sobre o volume de transações feitas no dia acima de 3 000 reais, acrescida de mais 25 reais. Para negociações feitas com valores abaixo de 3 000 reais, é melhor optar pela corretagem variável.
PAPO FURADO
Não caia na conversa fiada dos corretores que dizem que você vai ganhar milhões de reais em pouco tempo. Eles são remunerados ao atrair mais clientes para a corretora. Sua corretora deve ter um profissional que defina junto com você o seu perfil e os seus objetivos financeiros. Há quem queira investir 2 000 reais no curto prazo e quem vai aplicar 1 milhão no longo prazo. Saber qual é seu tipo de investimento é o que determinará a formação da sua carteira de ações.
COBRE OS RELATÓRIOS
As corretoras devem ter relatórios específicos para cada empresa negociada na bolsa. Eles são a sua fonte de informação. Esses relatórios são distribuídos gratuitamente aos investidores.
A corretora vende ideias, o risco é do investidor.
Este é um alerta de Silvia Penteado Sandoval, diretora de relações com investidores da GAS Investimentos, de São Paulo.
Não entre na bolsa para comprar ações hoje e vender amanhã. Não seja especulador, você não é profissional.
É o que diz Lucy Souza, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) Nacional.
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