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+ busca avançada

As novas oportunidades no ambiente globalizado

Por Julio Sergio Cardozo

O Brasil finalmente demonstrou em 2004 um apetite voraz para se inserir na comunidade internacional de maneira sustentável e continuada. No ano em que as exportações cresceram 30% e o superávit comercial recorde somou US$ 33 bilhões, o país comemorou a expansão do PIB em torno de 5%. Trata-se de um índice ainda abaixo da média obtida pelas nações emergentes, é verdade, mas tal resultado encerra longo período de estagnação, e sinaliza um futuro promissor. Os índices são positivos onde quer que se olhe. Dentre os mais animadores e significativos, as previsões indicam que a indústria evoluirá cerca de 5%, percentual que pode representar aumento de 3% no nível de emprego, segundo estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Como conseqüência desse contexto, as multinacionais brasileiras iniciaram uma tímida, porém vigorosa invasão ao Exterior. Trata-se de um fenômeno jamais visto anteriormente, pelo menos com esta amplitude. Essas companhias instalam plantas, subsidiárias, escritórios ou mesmo representantes em outros países. Dessa maneira, ao darem vazão a esta empreitada internacional, os empresários tomam de assalto outras fronteiras e subvertem a lógica no mercado de trabalho. Assim, esse rito de passagem e esta tendência inovadora têm o poder de abrir múltiplas oportunidades para os nossos executivos.

O ambiente global conspira a favor dos brasileiros, que já gozam de prestígio no Exterior. Paradoxalmente, o cenário volátil e movediço que dominou a economia doméstica nas últimas décadas, auxiliou na construção desse prestígio. A incerteza transformou-se numa vantagem competitiva. Não é à toa que os nossos profissionais comunicam-se com facilidade, são ágeis na tomada de decisão, e ainda têm a tendência de adaptar-se a qualquer tipo de cultura, além de apresentarem vocação para manipular as informações e os assuntos estratégicos. São pessoas capazes de impactar os negócios, democratizar o conhecimento, partilhar e compartilhar. Todos esses atributos garantiram o diferencial competitivo e impulsionam a fama mundo afora. Tanta flexibilidade, portanto, não caminha sozinha. Como se diz popularmente, nada vem de graça ou acontece por acaso.  Em primeiro lugar, é fundamental formatar um plano de carreira estruturado para levantar vôo.

Antes de cristalizá-lo, porém, vale ressaltar que a globalização quebrou paradigmas e lançou novas regras no mercado de trabalho.  Daí, portanto, a necessidade de adaptar-se às exigências requeridas pelo momento atual. O modelo de recrutamento, antes unicamente atrelado ao regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), avança para diversos arranjos tais como a prestação de serviço, a contratação de microempresas e a terceirização de mão de obra, dentre outros sistemas.   Dessa forma, valorizam-se os profissionais empreendedores e multidisciplinares, capazes de desempenhar diversas tarefas. O executivo do século 21 terá de acompanhar esse processo de evolução, reciclar-se, e conduzir uma revolução interna em seus conceitos e valores mais íntimos.  Esse projeto de desenvolvimento exige índice de consciência expandida acima do praticado até os dias de hoje.

A ordem vigente transfere ao profissional a autonomia de optar pelo próprio destino, ou seja: está nas mãos dele (ou em suas mãos) a chance de fazer e acontecer, alcançar sucesso, respeito, reconhecimento - condições ideais para se garantir uma remuneração justa e adequada. Apesar de o momento ser de redimensionamento e readaptação das relações trabalhistas, o executivo tem a oportunidade, sim, de fazer as próprias escolhas. São opções que estão intimamente ligadas à felicidade, prazer, produtividade, motivação, criatividade, a fonte eterna de inspiração. Essa busca faz parte daquilo que costumo definir como propósito ou filosofia de vida.  Da mesma maneira que você escolhe o companheiro (a) para amar, formar família e ter filhos, deve-se eleger o local de trabalho. Afinal de contas, é lá que passará grande parte de seu tempo, convivendo com as mais diversas pessoas, aprendendo com as diferenças, e tirando lições desse intenso e rico aprendizado.   

Esse plano de carreira deve enaltecer valores que extrapolem ou quantifiquem apenas remuneração, bônus e benefícios. Autonomia, liberdade e inovação, por exemplo, também contribuem nessa análise. O mundo globalizado produziu oportunidades sedutoras em todos os setores de atuação profissional. Porém, essas ofertas tentadoras terão curto prazo de validade se o prazer não for um elemento fundamental nessa opção. Dessa maneira, o sucesso financeiro e profissional pode estar comprometido. O universo corporativo está ávido à procura de colaboradores dotado de competências para liderar, empreender, inspirar e formar pessoas.   E tais qualidades são valorizadas tanto aqui como Exterior.
      
Julio Sergio Cardozo é presidente da Ernst & Young América do Sul