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Carreiras de futuro e salários polpudos

 

Janela para o mercado

Aos 34 anos, o administrador de empresas Gustavo Estrella, de 34 anos, é o mais jovem dos diretores da CPFL, operadora de energia elétrica que atua no interior de São Paulo. Ele ocupa a cadeira de relações com investidores desde outubro do ano passado. Para chegar lá, percorreu uma seqüência de cargos dentro da área financeira em empresas como Lafarge, Light e Brasil Telecom, antes de chegar à CPFL onde está há sete anos. Trabalhou na tesouraria, no planejamento, em fusões e aquisições e na área de estratégia. Entrou na CPFL como analista de planejamento financeiro. Em um ano, foi promovido a gerente de área. No posto, teve a oportunidade de participar da preparação para o IPO da companhia, realizado em setembro de 2004. Depois da abertura de capital, Gustavo começou a planejar a evolução de sua carreira. Suas opções eram crescer nas áreas de estratégia ou de relações com investidores. Optou pela última. Pesaram na escolha seu conhecimento da área financeira da empresa e uma característica pessoal, a capacidade de comunicação. “Tenho facilidade para falar e fazer relacionamentos, o que é fundamental para o profissional de RI”, diz Gustavo. Ainda assim, ao assumir o cargo, Gustavo investiu em cursos sobre apresentação de resultados e de funcionamento de mercado de capitais. Passou também por um processo de coaching, o que ajudou a melhorar seu relacionamento com os outros diretores da empresa, todos mais velhos. Gustavo atesta a valorização dos profissionais da área de relações com investidores. “O setor é relativamente novo e há pouca gente especializada”, diz. 

Mudança de planos


O administrador Gustavo Pigini, de 35 anos, diretor regional de vendas da Novo Nordisk, empresa farmacêutica dinamarquesa com sede em São Paulo, chegou há alguns meses na função, mas começou na empresa em 1 998. Até 2002, porém, era um vendedor do time da empresa, que produz medicamentos de última geração para diabetes. Foi aí que resolveu sair para um sabático e passou dois anos em Londres, com planos de estudar inglês e fazer uma especialização. “O inglês deu certo, mas a especialização acabou ficando para depois”, conta ele. No meio tempo, Gustavo teve outras experiências profissionais e foi até sub-chefe de cozinha em um restaurante da cidade. “Quando voltei, havia uma nova vaga e acabei voltando para a empresa, na mesma função”. Em poucos meses, foi convidado para assumir uma função no escritório da empresa. Não ganharia comissão e teria trabalho em dobro, mas topou. “Foi um jeito de ficar próximo da diretoria da empresa”, diz. E aí surgiu a gerência da área de vendas em Belo Horizonte (MG) e ele foi. Também não durou muito: o próximo cargo, oito meses depois, é o que ocupa agora. “Eu assumi a gerência da cidade que estava em último lugar e, quando saí, ela estava em segundo no ranking de vendas. Isso contou muitos pontos”, diz. Nesse meio tempo, fez um mini MBA na Business School São Paulo e um curso de especialização em Marketing que ainda não concluiu por causa das viagens constantes. “Acho que o mais importante na minha carreira é a minha postura, sempre transparente, e minha disposição para aceitar desafios”, conclui.

Engenheiro de negócios

Engenheiro civil por formação, executivo de negócios por opção, há um ano Bruno Fakiani assumiu a diretoria de planejamento estratégico e novos negócios da Guanandi, incorporadora do grupo WTorre, de São Paulo. “Eles me ofereceram o desafio de iniciar as operações da empresa. Eu aceitei”, conta ele. Sem citar cifras, Bruno, que tem apenas 28 anos, afirma que sua remuneração já é o suficiente para o que precisa. “Não gosto de falar em números, mas a área de incorporação com certeza vem se valorizando nos últimos anos. O mercado é bom e ainda faltam profissionais com bagagem nessa área”, diz. Apesar da pouca idade, seu currículo já soma estágios em obras, três anos de consultoria estratégica na alemã Roland Berger Strategy Consultants, com escritório em São Paulo, cursos de finanças e estratégias na conceituada escola de negócios francesa Insead, e ainda experiência de dois anos como empreendedor – também do mercado imobiliário. “Foi um aprendizado e tanto. Amadureci uns oito anos nesses 24 meses”, calcula. Sua aposta para se diferenciar é buscar oportunidades além de São Paulo. “É preciso enxergar negócios no Brasil todo. Falar de incorporação só na capital paulista está ficando antiquado”, diz ele. No longo prazo, sua meta é alçar a Guanandi ao patamar das maiores empresas do setor e participar da abertura de capital do grupo, prática que também está em alta no setor imobiliário. Só em 2007, foram mais de 20 empresas do segmento a ingressar na Bolsa de Valores de São Paulo.

Profissão petróleo

A rápida movimentação da carreira do geólogo Mario Monteiro, de 24 anos, dá uma dica do quanto a indústria petrolífera vem disputando talentos nessa área. Em 2005, Mario entrou no mercado como trainee na gigante americana Chevron. Passou lá um ano e meio, até receber um convite para trabalhar na Petroleum Geo-Services (PGS). A relação com a empresa norueguesa durou seis meses. Terminou quando ele aceitou a proposta da Petrosynergy e iniciou uma parceria que também não se prolongaria por muito tempo. Um ano depois, em junho deste ano, Mario trocou a posição de geólogo júnior na Petrosynergy pela de geoscientist na petroleira dinamarquesa Maersk Oil. De um posto a outro, sua remuneração saltou 50%. Nada mal para quem se formou há apenas um ano no curso de graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e não precisou deixar a capital fluminense uma vez sequer. “Eu sempre foquei minha formação em petróleo, minha monografia foi sobre isso, meus estágios foram nessa área”, conta. Para crescer nesse mercado, Mário aproveita todas as oportunidades que as empregadoras oferecem para se especializar. “Fiz cursos técnicos e de extensão ainda enquanto cursava a graduação”, conta. Sua recomendação é conhecer bem o setor e suas necessidades. “O setor está aquecido. Quem tem qualificação facilmente se encaminha”, diz ele.