
SIM OU NÃO?!
A forma de negociar também varia muito de país para país. Por isso mesmo, você precisa estudar não só os costumes cotidianos dos estrangeiros como a maneira como eles agem numa mesa de reunião. Foi o que descobriu, na prática, o carioca Felipe Rebelli, de 40 anos, sócio-gerente da consultoria Towers Perrin. Ele passou boa parte da década de 90 trabalhando no exterior, e foi no México onde mais se surpreendeu. "Os mexicanos são muito gentis e relutam bastante em dizer não, o que acaba confundindo quem vem de fora", afirma. "Às vezes, eu achava que tudo estava caminhando bem numa negociação, a conversa se estendia por horas e, desde o início, eles já sabiam que não iam levar o projeto adiante." Felipe estava mais habituado com o comportamento direto dos americanos e, no começo, estranhou muito a postura mexicana. "Depois de algum tempo, no entanto, você se acostuma. É tudo uma questão de se adaptar à cultura do país em que você está."
Assim como se preparar para uma viagem internacional, também é essencial se organizar para receber profissionais de outros países. Na maioria das vezes, uma boa pesquisa sobre os costumes dos colegas ajuda a evitar problemas. Mas, em algumas situações, o choque cultural é inevitável. Que o diga o paulista Rogério Simões, de 40 anos, sócio da Ernest & Young. Em 1999, ele estava no Amazonas, em um projeto com u m grupo de profissionais da Malásia para aquisição de uma madeireira. Estavam todos hospedados e trabalhando no mesmo hotel, mas o ritmo da turma de estrangeiros era totalmente diferente. "Eles começavam às 9 horas da manhã e só paravam às 3 horas da madrugada", lembra Rogério. "No começo, eu tentei acompanhar, mas não agüentei." Ele conta que não havia razão para isso, já que o cronograma estava em dia. A rotina estafante era, simplesmente, a forma como o grupo da Malásia estava acostumado a trabalhar. "Quando eu voltava do jantar, eles me convidavam, felizes, para mais uma rodada profissional. A saída era entrar escondido no hotel cada vez que saía para comer!"
POLITICA DA BOA VIZINHANÇA
Conheça a cultura de alguns países na hora de trabalhar. Isso pode garantir o sucesso da sua viagem:
ESTADOS UNIDOS Os americanos são objetivos, focados em resultados de curto prazo e nos aspectos legais da negociação. Seja pontual, prepare-se para um contato frio no início, tenha uma estratégia definida e vá direto ao assunto.
JAPÃO Os japoneses gostam de decisões coletivas e jamais dizem "não" durante uma negociação, pois isso é considerado grosseiro. Também são inicialmente frios, pensam no longo prazo e dividem as negociações em várias etapas. Geralmente quem fala mais é quem tem menor poder de decisão.
CHINA Lá, tão ou mais importante do que aquilo que se diz é aquilo que não se diz. Fique atento aos sinais e ao contexto da situação. Os chineses gostam de decisões coletivas, o que alonga as negociações. Colocá-los contra a parede exigindo um "sim" ou "não" é um erro grave.
ALEMANHA É um dos países mais formais da Europa. Chegar atrasado a uma reunião é quase um insulto. Os alemães não discutem negócios durante as refeições. Também não gostam de contatos físicos, como tapinhas nas costas.
ÍNDIA Nas apresentações, há o tradicional ritual de troca de cartões e apertos de mão (só entre os homens), incluindo a ostentação de títulos acadêmicos. Se for convidado por um muçulmano ou hindu para a casa dele, tire os sapatos antes de entrar. As mulheres não devem expor braços, pernas, costas ou usar decotes muito ousados.
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