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Dicas polêmicas

Faça corpo mole, mas não chute o balde. É o que pregam a suíça Corinne Maier e a alemã Judith Mair em dois livros que viraram manifestos contra o atual papel do trabalho na vida

No livro Chega de Oba-Oba! (Editora Martins Fontes), Judith Mair cita um manual de regras que solucionaria todos os problemas dos funcionários. Confira abaixo alguns dos itens expostos no manual:

  1. Uma vez estabelecidos os horários de trabalho entre o empresário e o funcionário, ele deve ser seguido à risca. Telefones depois do expediente não precisam ser atendidos; 
  2. O trabalho está restrito às quatro paredes do escritório. É proibido levar trabalho para casa;
  3. Na hora de escolher um funcionário, se houver empate nas qualificações, as mulheres têm prioridade;
  4. Quem pensa que trabalho bom é só aquele que também dá prazer está na empresa errada;
  5. Não somos amigos, mas colegas ou chefes. Problemas particulares devem ser deixados de lado durante o período de trabalho;
  6. Os telefones celulares devem ser desligados durante o expediente. Telefonemas ou e-mails particulares só na hora do almoço; 
  7. O foco é o trabalho. Dispensamos qualquer cultura empresarial que glamorize a empresa;

Em Bom dia, Preguiça! (Editora Campus), Corinne Maier aconselha a não perder tempo trabalhando demais, mas fazer apenas o suficiente. Veja abaixo alguns dos mandamentos que ela considera impostos aos gerentes de nível médio e os respectivos contraconselhos da autora:

 

 Mandamentos

Contraconselho 

 O trabalho é um bem e o emprego um privilégio. Se estiver empregado, aproveite, pois muitos não estão.  O assalariado é a figura moderna da escravidão. Você trabalha pelo salário.
 Doe seu tempo sem contar. Essa é a condição para arrumar um emprego estável e conservá-lo.  É inútil querer mudar o sistema. Claro que você pode ligar um dia para o escritório e dizer que está doente ou adotar o slogan "Roube no emprego, porque ele rouba de você".
 Aceite as regras do jogo. No mundo empresarial todos são iguais e, por isso, só os melhores se dão bem.  Você não será avaliado com base no seu trabalho, mas na capacidade de se adequar ao modelo estabelecido. Fale a língua deles.
 Adote o credo do executivo: o futuro pertence às empresas maleáveis, orientadas para a satisfação do cliente. Se não acredita nisso nem precisa vir amanhã.  Depois de 'enquadrar' as pessoas em situação temporáriia (substitutos, terceirizados, etc)trate-os com cordialidade, pois eles são os únicos que trabalham de verdade.
 Seja dócil e cordato. O consenso é primordial; mais vale errar em grupo do que ter razão sozinho.   Jamais aceite um cargo de responsabilidade. Você será obrigado a trabalhar mais, sem qualquer compensação a mais.
 Não leve muito a sério o que você faz. Quem faz isso são os que empatam a roda, verdadeiros fanáticos que põem o sistema em perigo.   Escolha os cargos mais inúteis. Quanto mais inuteis forem, menos será possível quantificar sua "contribuição para a produção da riqueza da companhia" 
 

Fontes:

Bom dia, Preguiça! - Editora Campus - Páginas 144 a 149

Chega de Oba-Oba! - Editora Martins Fontes - Páginas 95 a 100

 

 

Confira a entrevista com as autoras do livro na reportagem Faça Corpo Mole, Mas não Chute o Balde, na edição de setembro da VOCÊ S/A que está nas bancas.