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A Era da Beleza

Este mês, chega às livrarias o novo livro do escritor americano Daniel Pink. Nele, o autor descreve uma revolução na forma como pensamos nosso trabalho e vida

Por José Eduardo Costa

O escritor americano Daniel Pink ganha a vida refletindo sobre o mundo em que vivemos. Seu primeiro livro, Free Agent Nation (algo como "A Nação dos Autônomos"), sem lançamento no Brasil, se tornou um best-seller internacional no gênero negócios e não-ficção. Este mês, seu segundo livro, também listado nos principais rankings dos Estados Unidos, chega por aqui. Em A Revolução do Lado Direito do Cérebro (Editora Campus/Elsevier), Daniel descreve a transição de uma era baseada no pensamento lógico e analítico para um período que ele chama de Era Conceitual. "O futuro pertence ao profissional capaz de detectar tendências, oportunidades e, principalmente, criar", diz. De acordo com ele, essas são características encontradas nos designers, inventores e artistas. Confira a entrevista de Daniel a VOCÊ S/A.

VOCÊ S/A - Em seu novo livro A Revolução do Lado Direito do Cérebro você revela seis aptidões essenciais para o sucesso profissional e realização pessoal no futuro, quais são elas?

Daniel Pink - Na realidade eu chamo de seis sentidos, que são design, história, sinfonia, empatia, lúdico e sentido (saiba mais sobre as seis aptidões descritas por Daniel,acessando o link ao lado). Eu acredito que todos nós temos, em maior ou menor grau, essas habilidades. O que acontece é que nas últimas décadas essas competências não eram avaliadas e nem consideradas como fundamentais na construção de um excelente profissional. Nossa era se consagrou como a do "trabalhador do conhecimento", o profissional de ótima formação, capaz de processar informações e oferecer alto grau de especialização. Mas isso está mudando.

VOCÊ S/A - Ao que o senhor atribui está mudança?
Daniel Pink - A três fatores: outsorcing (migração dos empregos para países em desenvolvimento), automação e abundância de bens materiais. Construímos um modelo de sociedade que valoriza a riqueza material e isso só fez agravar nossa ânsia por bens não-materiais - beleza, emoção e espiritualidade. Hoje, assistimosà migração do trabalho de natureza intelectual para diversos países da Ásia como Índia e China. Além disso, a tecnologia está mostrando que pode superar as competências humanas associadas ao lado esquerdo do cérebro, que são o pensamento lógico, linear e seqüencial. Isso nos leva para uma nova era, que recompense um tipo diferente de pessoa com um tipo diferente de mente. Eu chamo essa nova fase de Era Conceitual. Nela, são valorizadas as aptidões associadas ao lado direito do cérebro: intuição, criatividade, empatia e inventividade.

VOCÊ S/A - Como você imagina que essa mudança impactará nos programas de MBA?

Daniel Pink - Nos Estados Unidos as aplicações para programas de MBA estão diminuindo ano a ano. A sensação de estudantes e empregadores é que as habilidades de um MBA podem ser customizadas. No mundo atual dos negócios, tanto faz ter um MBA numa escola americana ou numa faculdade na Índia. Diversos bancos de investimento americanos estão empregando analistas financeiros indianos por um saláriobem menor do que pagariam a um analista americano com MBA. Os programas de MBA necessitam ampliar seu currículo, incluir cadeiras associadasà invenção, à visão sistêmica e à inteligência emocional. Algumas escolas de negócios começaram a estabelecer parcerias com escolas de artes. Esse é um passo no sentido correto.

VOCÊ S/A - Que mudanças este movimento traz para a carreira?

Daniel Pink - É uma mudança enorme. A fim de sobreviver, temos que fazer algo que os trabalhadores ultramarinos não podem fazer mais barato e que o software não pode fazer mais rápido. Além disso, é preciso satisfazer uma necessidade estética, emocional e espiritual. Acredito que asrespostas para esses anseios estão naquelas seis habilidades que mencionei anteriormente. Felizmente, eu acredito que essas aptidões são habilidades fundamentalmente humanas. No livro, eu apresento mais de 50 ferramentas e exercícios para ajudar o leitor a desenvolver tais competências.


VOCÊ S/A - Por que você considera os designers os profissionais do futuro?

Daniel Pink - Os designers são, em muitas maneiras, profissionais conceituais. Eles têm o comando das potencialidades do lado esquerdo do cérebro (lógico, analítico e linear), mas não é só isso. Esses profissionais têm um senso estético muito apurado, facilidade para pensar o grande do retrato, ou seja, têm visão sistêmica. E, por fim, são criativos. Em breve, todo profissional precisará incorporar um pouco de designer dentro de si.