Você S/A / Escolha sua profissão / Edição 146 / Capa
28/10/2010
No primeiro semestre de 2010 foram criados 1,5 milhão de empregos no Brasil. O resultado, fruto do forte crescimento da economia brasileira, foi tão positivo que se iniciou uma discussão sobre a possibilidade de o país atingir um quadro de pleno emprego. Essa é uma situação em que só fica desempregado quem está trocando de ocupação ou não quer nenhum posto. Para isso ocorrer, a taxa de desemprego precisa cair a níveis abaixo de 6%. Em julho, essa taxa chegou a 7,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE). É uma marca histórica, que só ocorreu no Brasil no início dos anos 70, no famoso "milagre econômico". Se a taxa continuar em queda, é possível que se atinja o pleno emprego ainda este ano. Esses números refletem a situação geral do trabalho no país. Apesar de não haver estatísticas, se fosse analisado apenas o mercado para profissionais qualificados - aqueles com diploma universitário ou formação técnica - ou só o mercado para executivos, há indícios de que a situação é ainda melhor. "Nessa faixa do mercado, talvez já tenhamos chegado ao pleno emprego", diz Fernando Mantovani, gerentegeral da Robert Half, empresa de recrutamento, de São Paulo, que organizou a pesquisa de cargos e salários que faz parte desta reportagem - que você confere aqui em primeira mão.
O mercado de trabalho qualificado é diferente. Quando a crise chegou aqui, em meados de 2008, menos vagas nesse perfil foram fechadas, em comparação ao total de empregos eliminados. Agora, o número de vagas abertas para esse pessoal também é menor, comparativamente. Mesmo assim, a demanda é tão alta que há setores em que já não há gente disponível. "Em áreas como construção civil, infraestrutura, bens de consumo e no mercado financeiro, a escassez é geral", diz Marcelo Ferrari, gerente da Mercer, consultoria de recursos humanos, de São Paulo. A tendência é de que esse cenário se mantenha pelos próximos meses e, em certos casos, como no setor de petróleo, pelos próximos anos. "O crescimento da economia vai ser muito alto este ano, ainda que ocorra uma desaceleração", diz Fernando. Além disso, as faculdades não têm alimentado o mercado com a quantidade necessária de profissionais, o que torna disputado o passe de quem estiver ao alcance dos recrutadores. "Em engenharia e TI, faltam dezenas de milhares de profissionais", diz Francisco Ramirez, professor do Insper, em São Paulo, e dono da ARC Recruiting, empresa de recrutamento de executivos. A seguir, saiba quais são os salários pagos para 155 cargos e quais são as principais tendências para o mercado de trabalho qualificado no Brasil.
BEM REMUNERADOS, MAS SEM EXAGEROS
Este ano, as empresas estão mais contidas na hora de remunerar os novos profissionais, no ato da contratação. Ao contrário do que aconteceu em 2007 e 2008, quando muitos profissionais recebiam propostas com incremento de 50% na remuneração, as ofertas hoje têm ficado na casa dos 20% a 25%. Em alguns casos chegando a 30%. "As empresas erraram no passado, porque os salários foram bastante inflacionados e muitos profissionais não deram o retorno equivalente e esperado", diz Adriana Cambiaghi, gerente da divisão de marketing e vendas da Robert Half. "O custo foi alto e agora as companhias preferem esperar mais para fechar a vaga do que contratar a qualquer preço", completa.
É HORA DE VENDER
Em 2010, o consumo é que está impulsionando a economia brasileira. Para as empresas, o que importa é pôr o pessoal na rua vendendo o que for possível. Por isso, na área comercial(vendas e marketing), os vendedores estão mais valorizados do que os marqueteiros. Pesa contra o marketing o fato de o consumidor estar mais cético com a propaganda tradicional. Estão em alta as ações que valorizam a experiência do cliente - quem é bom nessa área está ganhando bem. Assim, profissionais de inteligência de mercado estão sendo muito demandados.
COMISSÕES AGRESSIVAS
Após a crise, a remuneração da área comercial sofreu uma revisão. Grande parte dasempresas promoveu uma redução de 5% a 15% no salário fixo dos novos contratados. Para ganhar dinheiro, o profissional precisa ter uma remuneração variável boa, o que ele só consegue se fechar contratos de venda. "Isso aumenta a cotação dos profissionais mais arrojados", diz Adriana, da Robert Half.
CRAQUE DE VENDAS
O cargo que teve a maior valorização na área comercial é o gerente de desenvolvimento de negócios. É ele quem se relaciona com clientes de forma estratégica para fechar vendas complicadas. "Algumas empresas precisaram reforçar o time de profissionais com esse perfil, que exige muita experiência e relacionamento no segmento", diz o professor Licínio Mota, coordenador da pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing, de São Paulo. É o caso de Fábio José dos Santos, de 45 anos, que no mês passado foi contratado como diretor de desenvolvimento de novos negócios da Sonda Procwork, empresa de serviços de TI e parceira da multinacional alemã SAP. O trabalho de Fábio é estreitar o relacionamento com clientes e garantir que eles adotem os caros e robustos sistemas de gestão da empresa alemã, um tipo de venda complexo e que leva tempo para ser fechado. "Muitas oportunidades de negócios engavetadas em 2009 voltaram a ser discutidas agora, o que tem movimentado o mercado", diz Fábio, que nos últimos meses vinha recebendo de duas a três propostas por mês.
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