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Desesperar, jamais!

A reportagem Problemas, sim. Desespero, não - na edição de julho da VOCÊ S/A - fala sobre como impedir que as dificuldades pessoais prejudiquem a sua carreira. Confira o depoimento de dois profissionais que tiveram seus trabalhos impactados por problemas fora dele

Por Fernanda Medeiros

Depoimento 1

"Há mais ou menos cinco anos, eu trabalhava como publicitário em minha própria agência. Tinha clientes muito bons, uma revista mensal própria e tudo parecia andar nos eixos. Mas aí veio a inadimplência, uma crise finaceira e com ela a separação. Sem ter quem responsabilizar, resolvi achar que a grande culpada por tudo era ela, a agência. Eu tinha raiva daquilo tudo e minha única vontade era me desfazer, me livrar o quanto antes do problema. Doei os móveis e os computadores e entreguei o imóvel antes do fim do contrato, pagando uma multa altíssima. Achava que assim teria chance de começar outro trabalho e reaver minha esposa. Reneguei as contas, os impostos, as idas aos bancos, os anunciantes. Fiquei com raiva dos clientes inadimplentes, não queria nem reaver o que me deviam. Só pensava em colocar uma pedra no assunto. Nem dos clientes idôneos eu queria receber. Larguei tudo, mas foi esforço em vão. Quatro dias depois do fim da agência, um advogado estava me procurando para que assinasse os papéis do divórcio. Consegui um trabalho dias depois em uma outra agência. Durante aproximadamente três anos me dediquei só ao novo emprego. Eram 13, 14 horas de trabalho por dia. Visitava clientes até nos fins de semana, para manter-me ocupado. Quando sobrava tempo, saía para longas corridas (perdi 14 quilos em quatro meses). Eu só queria trabalhar e não pensar em mais nada. Hoje, após quase quatro anos, retomei minha vida: faz oito meses que tenho minha própria agência. E o melhor de tudo é que meu novo sócio sabe controlar a parte financeira como eu nunca soube fazer. Agora, me dedico ao atendimento da agência e sei que, dessa forma, iremos pra frente sem problemas."

 

Paolo Scuderi - Proprietário da Pianta Comunicação


 

Depoimento 2

"Meu ex marido era PMD (psico-maníaco-depressivo). Nos casamos quando eu tinha 16 anos e, apaixonada, só fui perceber isso muitos anos depois. Ele era viciado em jogos e bebidas, estava sempre me agredindo, independente do motivo. Podia ser pela comida, pelas roupas que vestia ou por um simples comentário sobre algo que passava na televisão. Nessa época, eu trabalhava em uma multinacional alemã. Ele costuma me ligar dezenas de vezes por dia, ia até lá e me fazia passar vergonha, tinha o intuito de me prejudicar. A primeira vez que falei em separação ele comprou um revólver e ameaçou suicídio. A tortura continuou, então, por muitos anos. Ele jogava fora todo o nosso dinheiro e eu, por mais de uma vez, tive de ir trabalhar a pé. Claro que isso tudo afetava meu trabalho. Diversas noites esperei, sem dormir, ele chegar dos bares ou então fui acordada com o barulho que ele, bêbado, fazia, quebrando alguma coisa. Como alguém vai trabalhar depois de uma noite assim? Até hoje me pergunto como não desisti. Acho que foi pelos meus filhos, sabia que precisava tirá-los dali. Alguns colegas da empresa sabiam o que se passava comigo. Minha mãe também me ajudou muito, ouvindo minhas lamentações. Escondidos, procuramos orientação de um psiquiatra e depois de quatro anos em tratamento arrumamos as malas e fomos embora. Há dois anos não nos falamos. Estou em outro emprego e muito feliz. Mas vou ser eternamente grata à outra empresa, que não me deixou desamparada na hora em que precisei."

 

Margarida Schuwenck, funcionária do departamento financeiro de um laboratório farmacêutico 

 

 

Leia a reportagem Problema, sim. Desespero, não!

 

Confira todos os complementos da edição de julho

 

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