
“Para se aposentar rico e jovem a dica é começar cedo e não desviar da sua meta”, Marco Antonio Rossi, diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência
Disciplina, muita disciplina. Este é o caminho para quem quer chegar à aposentadoria com dinheiro suficiente para viver de um jeito confortável, montar um negócio ou, simplesmente, mudar de vida. É preciso ser constante nos depósitos feitos nos planos de previdência ou em aplicações financeiras. Mas, antes de começar a juntar dinheiro, o ideal é escolher o melhor plano de aposentadoria disponível no mercado e verificar a idoneidade da seguradora. Nesta entrevista, Marco Antonio Rossi, diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência e vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), que reúne as empresas do setor, dá dicas para você se aposentar jovem e rico.
É possível mesmo se aposentar rico e jovem?
É possível sim, mas é preciso começar a poupar cedo. Quando começar a trabalhar, a pessoa já deve fazer um plano de previdência, mesmo que seja para guardar apenas 50 reais por mês. E não deve mexer nunca nesse dinheiro. Tem de fugir da tentação de usar a grana para comprar um carro zero quilômetro ou fazer uma viagem bacana para o exterior. E lembrar de escolher o plano adequado ao seu perfil.
Como saber qual é o melhor plano?
A primeira coisa é analisar o regime tributário. Quem faz a declaração do Imposto de Renda no modelo completo deve optar pelo PGBL, porque há vantagens fiscais. Quem declara pelo modelo simples deve ficar com o VGBL. Depois é preciso escolher qual a melhor tabela, se a progressiva ou a regressiva. Para quem fará aplicações olhando para o longo prazo o ideal é a tabela regressiva, em que a alíquota começa em 35% e vai reduzindo até chegar a 10%. Não há vantagem em fazer um plano e sacar os recursos antes de quatro anos. Também é preciso saber se a seguradora é confiável.
Como verificar se ela é confiável?
Hoje, todas as seguradoras que estão no mercado são confiáveis. Além disso, a Susep, o órgão que fiscaliza o setor, pega pesado com quem não cumpre a lei. O cliente pode ver no site da Susep as seguradoras que estão no mercado e também consultar o Procon. Além disso, há cinco anos o governo criou a lei da portabilidade, que permite que o investidor transfi ra seus recursos de uma instituição para outra.
Há garantia real de que o dinheiro depositado agora será sacado no futuro?
Sim, mas não dá para sonhar muito alto. O investidor deve ser conservador e estimar uma rentabilidade entre 6% e 8% ao ano. Há fundos de previdência que renderam 22% no ano passado, mas não há certeza de que será assim no futuro. Ser conservador é a garantia de ter um retorno certo no futuro.
Não é mais vantajoso ter um plano de investimentos em fundos e ações do que um fundo de previdência?
A diversifi cação é sempre positiva. Mas a previdência é uma aplicação de longo prazo e, nesse caso, os planos são melhores. Há 15 anos, quando se falava em um plano de previdência, as pessoas pensavam na aposentadoria para a vida toda. Com a perspectiva de uma vida mais longa, a previdência se tornou um dinheiro que pode ser utilizado num novo negócio, levar uma vida mais confortável, dar-se ao luxo de eliminar as segundas e sextas-feiras de uma semana de trabalho.
Os planos Ciclo de Vida são bons?
Esses planos são arrojados quando o cliente é mais novo e se tornam conservadores perto da aposentadoria. Acho que o importante é criar redes de agências com especialistas para dar a melhor orientação para o cliente. O mercado financeiro não funciona de uma maneira pragmática. Pode acontecer de o investidor sair da bolsa em um momento que as ações estão em baixa e comprar quando elas estiverem em alta. É arriscado.
E os novos planos de previdência para saúde e educação?
Eles ainda não foram aprovados. A maior parte das pessoas faz planos de saúde na empresa.
Quando elas se aposentam têm de arcar com os custos dos planos particulares. A previdência
vai ser uma reserva para esses custos. Na educação, acho que é irreversível. Esses fundos já
existem nos Estados Unidos. E a educação é o alicerce que mais preocupa a classe média.
Os planos empresariais valem a pena?
Normalmente, os planos têm uma contribuição da empresa de 4% e mais 4% do funcionário.
Os custos são menores do que os planos tradicionais. Mas, em termos de rentabilidade ela é praticamente a mesma.
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