
Consumidora usando equipamento da Visanet: o lançamento das ações da empresa é o mais aguardado do ano
Nunca ocorreram tantos IPOs (sigla em inglês para oferta inicial de ações) no Brasil como no ano passado. De todas as ofertas públicas de ações realizadas nos últimos três anos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mais da metade ou 61 ocorreu entre janeiro e novembro de 2007. E justamente pelo número maior de novatas, o ano também fi cará marcado pelos menores retornos no primeiro dia de lançamento de um papel, um tradicional indicador de valorização. Um estudo da Bresser Asset Management, de São Paulo, mostra que, em 2004, a média de alta dos papéis no primeiro dia era de 10,38%. Já até julho de 2007, a média não passou de 4,69%.
Autor do estudo, o economista Guilherme Mazzilli Pereira aponta várias razões para relacionar a menor valorização ao aumento do número de companhias abrindo capital. Há saturação no mercado e o investidor passou a fazer escolhas e não investir em todas as que entravam no pregão, diz. Guilherme também acredita que a onda de IPOs esteja impulsionando a entrada de companhias nem tão preparadas assim. Há muita empresa que não deveria abrir capital ainda e não só abre como sai precifi cada para cima, alerta.
O preço alto é uma opinião unânime entre os analistas. Numa comparação com os papéis já negociados no mercado, os IPOs estão caros, diz Marcelo Canguçu de Almeida, diretor da Concórdia Corretora, de São Paulo. Como saber se uma empresa está barata se ela nem entrou no pregão? Ou, pior, como ter certeza de sua valorização antes mesmo da estréia na bolsa? A resposta não é simples. É preciso:
1 Analisar detalhadamente o prospecto;
2 Entender a representatividade daquela empresa em seu setor;
3 Projetar as oportunidades de crescimento no curto e no longo prazos.
Ou seja, não é tarefa fácil para quem não é especialista. Mesmo assim, não dá para desprezar oportunidades como o IPO da Bovespa, que teve 50% de valorização na estréia, ou da BM&F, que subiu 22%. Acompanhar os noticiários para saber quais IPOs chamam a atenção de investidores estrangeiros é um caminho para acertar seu lance. Fala-se na possível abertura de capital da Visanet, que deveria ter saído no ano passado, diz Fausto Gouveia, analista da corretora Alpes, de São Paulo. A julgar pelo resultado obtido por sua principal concorrente, a Redecard, que teve valorização de 21,4% em seu primeiro dia de negociação, a Visanet promete ser o grande IPO do primeiro semestre de 2008.
Depois da Visanet, controlada pelo Bradesco e Banco do Brasil, fi que de olho nos setores com baixa representatividade na bolsa. Dois exemplos são as áreas de educação e saúde. Faculdades e laboratórios que lancem ações podem ser uma boa oportunidade de investimento, diz Fausto. Os setores de mineração, petrolífero e de energia estão em plena expansão e são promissores. Veja a seguir a lista das empresas com avançado processo de abertura na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e se prepare para o que pode ser, mesmo, chances de ganho no ano.
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