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Ronaldo, do Real Madri: não se faz um time só com estrelas
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Quando o placar está a seu favor

Liderar em tempos de crise é fácil. O difícil é fazer a diferença quando a economia vai bem

Por Roberto Shinyashiki

A enxurrada de boas notícias divulgadas recentemente pela imprensa posiciona a economia brasileira na rota do crescimento. A taxa de desemprego em São Paulo, cidade que concentra boa parte da oferta de trabalho no país, vem recuando e o comércio e a indústria estão dando sinais de vida. O clima atual é de otimismo e confiança. A promessa do governo -- e a crença do empresariado -- é a de que o ritmo se manterá. Esse cenário de oportunidades faz com que as exigências dentro das organizações aumentem. Durante décadas, aprendemos a trabalhar em meio a crises. A questão agora é saber se conseguiremos liderar dentro de um cenário com perspectiva de crescimento econômico.

Liderar em tempo de recessão é mais fácil, pois a própria situação econômica serve como desculpa para a imobilidade geral. As ações normalmente são cortar custos e reduzir a margem de lucro. Mas quando tudo evolui, inclusive os concorrentes, você precisa mostrar resultados. O mundo volta a crescer e as pessoas passam a consumir mais. E nessas horas as organizações necessitam de líderes desbravadores, capazes de explorar o desconhecido.

Ambientes em constante mudança exigem líderes que decidam e que tenham percepção para captar os movimentos da economia, da equipe, dos concorrentes, dos clientes e dos consumidores. É por isso que a gestão de pessoas tem um papel todo especial, principalmente na administração da diversidade. As empresas ainda buscam gente que pense de maneira igual, quando deveriam privilegiar o diferente. Um time precisa de profissionais de perfis e habilidades distintos para carregar o piano. Observe o badalado time do Real Madri, da Espanha. Lá jogam as estrelas mais bem pagas do futebol mundial. São craques que não carregam o piano e querem aparecer apenas na hora do gol, na finalização. Não haveria nada de errado nisso se não fosse um pequeno detalhe: não se constrói uma equipe vencedora apenas com atacantes e goleadores. Os recentes fracassos do time mostram isso.

O líder de hoje tem de ser veloz no raciocínio e nas tomadas de decisão. Mais do que nunca, as empresas precisam de gente com percepção aguçada sobre as movimentações ao redor e com capacidade de mobilização. Como diria o comandante: levantem as velas que o vento está a nosso favor! Até quando, ninguém sabe... Aproveitemos, então, o momento.


*Roberto Shinyashiki é psiquiatra, escritor e conferencista