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| Lima de Paula, de 39 anos, sócio-fundador da Teknisa: jornada dupla e muita persistência até fazer o negócio próprio decolar |
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Como virei o dono
Conheça a trajetória do engenheiro civil George Lima de Paula, que largou um emprego promissor para virar S/A
Quando criança, eu costumava perguntar para o meu pai como ganhar dinheiro. E ele sempre respondia da mesma maneira: trabalhe para as massas; pense em um produto que seja imprescindível para as pessoas. O curioso é que ele era professor universitário -- e não empresário. Aos 25 anos, depois de quase quatro trabalhando como consultor de sistemas em uma grande empresa em Belo Horizonte, a Magnesita, resolvi que era hora de arriscar. Na época, computador era um artigo caro e raro. Mesmo assim, em sociedade com meu irmão Wilson, comprei um equipamento importado por 3 900 dólares, bastante dinheiro em 1990, e montei uma pequena empresa de desenvolvimento de softwares, batizada de Teknisa. Investi inicialmente cerca de 6 000 dólares. Como o dinheiro era curto, eu e meu irmão chegamos a produzir algumas mesas para o escritório, que até hoje são utilizadas na empresa. Eu e ele trabalhávamos à noite, virando madrugadas. Durante o dia, um estagiário respondia pelo escritório, uma sala que aluguei do meu pai. Mesmo no aperto, nunca atrasei o aluguel.
A rotina era cansativa: trabalhava 14 horas por dia, oito na Magnesita e mais seis no meu próprio negócio. Levei essa vida dupla durante um ano, até tomar coragem para fazer a passagem de empregado a patrão. Apesar da vontade de empreender, me sentia inseguro. Pensava no salário garantido no final do mês e nas contas a pagar e, confesso, balançava. Havia a possibilidade de progredir na Magnesita, fazendo uma carreira como gestor de área, mas a perspectiva de continuar lá não me animava. Foi bem difícil encarar essa guinada. Durante três anos vi meu orçamento minguar: ganhava cerca de 2 000 reais como empregado -- e 400 como dono da empresa. Diante do aperto, várias pessoas me aconselharam a voltar atrás. Mas eu persisti. Se tivesse desistido um mês antes, teria perdido o grande negócio da empresa. Sou formado em engenharia civil e nos primeiros anos da empresa coloquei a mão na massa e toquei pessoalmente a parte técnica da empreitada. Nosso primeiro produto, um sistema de matrículas para a Universidade Federal de Minas Gerais, foi também nosso primeiro obstáculo: emperrou nas burocracias do governo. Até que veio um pedido para desenvolvermos um sistema na área de alimentação. Cobramos caro pelo serviço, pois achávamos que o produto não ia vender bem. Mas a empresa fechou negócio, aprovou o sistema -- e o sucesso chegou. Hoje, quase 15 anos depois, são mais de 3 000 empresas utilizando nossos produtos no Brasil, Chile, Venezuela, Argentina, Peru e Colômbia. Estamos nos programando para, em breve, expandir o negócio para México, Portugal e Espanha. Graças, em grande parte, às exportações, conseguimos crescer, em média, 40% ao ano. De um time de três, passamos a 200 funcionários. Eu e meu irmão continuamos sócios. A gestão é profissionalizada desde 1994. A Fundação Dom Cabral nos dá suporte nesse processo. Hoje temos quatro diretores executivos. Eu virei diretor de negócios, responsável por novas oportunidades e pela busca de parceiros no exterior. Tenho muito orgulho de dizer que a Teknisa é a primeira empresa de software mineira a tirar o ISO 9001, que atesta a qualidade do nosso produto -- e da nossa gestão."
O negócio é persistir
As dicas de George Lima de Paula para você não ficar no meio do caminho na hora de empreender:
Seja persistente: para ter sucesso, é preciso investir dinheiro e tempo Conheça o negócio em que pretende atuar: tenha foco, estude o mercado e a concorrência
Cuide da profissionalização da gestão: isto garante a longevidade do negócio
Invista em inovação: o caminho para se diferenciar do concorrente
Depoimento a Maria Dolores
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