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Irajá Heckmann com a família: jogos ensinam a lidar com o dinheiro
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Cura para bolso furado

A receita do médico gaúcho Irajá Heckmann para manter a saúde das suas finanças

Por Iraja Heckmann*

Sempre tive menos intimidade com os números do que com a biologia. Mas há quatro anos, já instalado em meu consultório em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com um ritmo de trabalho intenso e em crescimento profissional, resolvi fazer um curso de marketing para aprender a gerir melhor meu negócio. Logo na aula de matemática financeira, fui apresentado à teoria dos juros compostos (juros calculados sobre juros). Confesso que fiquei impressionado. E mais interessado ainda em descobrir como tirar proveito deste recurso para melhorar minhas contas no final do mês. Foi aí que realmente comecei a despertar para o mundo das finanças pessoais. No final daquele mesmo ano, pedi o livro Pai Rico, Pai Pobre, de Robert T. Kiyosaki e Sharon L. Lechter (editora Campus) como presente de amigo secreto da turma do curso. Devorei a leitura. Desde então, não parei mais de estudar o assunto. Nestes quatro anos, já li mais de 50 obras sobre finanças pessoais. E, a cada dia, me esforço para colocar em prática o que tenho aprendido na teoria.

Logo após Pai Rico, Pai Pobre, passei para O Homem Mais Rico da Babilônia (Ediouro). Na obra, o autor George Clason apresenta ensinamentos financeiros usando contos ambientados na antiga Babilônia. Foi lá que aprendi a estratégia fundamental da gestão de finanças: primeiro pague-se a si mesmo um décimo de seus ganhos. Traduzindo: ao receber seu salário, em vez de primeiro pagar as dívidas, as contas e depois investir o que sobrar -- se sobrar! --, o autor recomenda o inverso. Antes de mais nada, separe 10% do que entrar e já aplique esse dinheiro. Em seguida, ajuste o orçamento ao valor que sobrou e, então, pague as contas do mês.

Depois das lições da Babilônia, li O Milionário Mora ao Lado, de Thomas Stanley e William Danko (Manole). Principal aprendizado: para construir riqueza é preciso ter disciplina, persistência e deixar a ostentação de lado. Em Proteja Seu Dinheiro de Você Mesmo, de Thomas Gilovich e Gary Belsky (Futura), conheci temas de economia comportamental e passei a entender que nem sempre é a razão que impera na hora das decisões de consumo. Muitas vezes agimos por impulso.

Entusiasmado, comecei a tentar praticar essas lições. Para controlar meus impulsos de consumo, por exemplo, fiz um adesivo com a regra-chave das finanças pessoais -- "Primeiro pague-se a si mesmo" -- e o colei dentro da carteira. Assim, quando estou prestes a cair na tentação de gastar algo desnecessário, dou de cara com o adesivo na carteira. Então, a razão fala mais alto. E mais: decidi mudar a cultura financeira da minha família e de alguns conhecidos. Dei de presente o livro O Homem Mais Rico da Babilônia para meus irmãos, para minha mãe, para a secretária do consultório e até para o porteiro do edifício onde moro. Comecei também a conversar mais com meus filhos, Laura, de 4 anos, e Pedro, de 11, sobre o assunto. Tenho comprado jogos que estimulem as crianças a pensar em dinheiro, como Banco Imobiliário, Dinheiro do Mês e Ações Exame. Há algumas opções também para jogar no computador, como RollerCoaster, em que a criança se torna a gestora de um parque de diversões. Além disso, sempre que posso, levo meus filhos para visitar bancos e acervos históricos, como é o caso do Museu da Moeda, em Porto Alegre.

Depois desta virada e de ter envolvido a família, dei outro passo importante. Fiz um curso sobre mercado de capitais. Aprendi a operar o homebroker, o sistema de negociação de ações pela internet. Aos poucos, passei a comprar ações. Comecei com 300 reais aplicados nos papéis da Gerdau. Depois, comprei ações da Perdigão, do Banco Itaú e da Marcopolo. Para mim, o segredo para agüentar as oscilações da bolsa é ter uma certa distância na hora de acompanhar os preços dos papéis. Não fico colado na tela do computador checando as mudanças a cada minuto. Analiso as empresas, verifico informações de mercado e acompanho a ação, mas sempre olhando no longo prazo. Neste item, também já consegui envolver meu filho mais velho. Pedro já tem ações da Klabin. Apresentei a ele algumas empresas, expliquei o que elas fazem e como funcionam e ele escolheu.

É claro, minha carteira de investimentos não é composta somente por ações. Hoje, tenho cerca de 50% dos meus investimentos na bolsa, 25% em títulos do Tesouro, 15% investidos numa cooperativa de crédito e o restante é o meu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que tem uma parte investida em ações da Petrobras e da Companhia Vale do Rio Doce. No início, mantinha parte do dinheiro em fundos, mas tirei o investimento do banco, assim fujo das taxas de administração. Eu mesmo administro minha poupança. Até o momento, a estratégia tem dado certo. Desde que comecei essa nova fase, há quatro anos, meus investimentos quase triplicaram. Espero continuar neste ritmo".


Finanças saudáveis
Os sete passos do Dr. Irajá para garantir a tranqüilidade

1. Primeiro pague a si mesmo -- No mínimo, 10% do salário.

2. Invista em ativos -- Ativo é aquilo que significa dinheiro no seu bolso, como ações, fundos, imóveis.

3. Melhore sua educação financeira -- Leia o que puder sobre o assunto. Se for iniciante, comece com O Homem Mais Rico da Babilônia.

4. Controle e registre seus gastos -- Ao pensar em comprar algo, pergunte-se: "Eu quero ou realmente preciso?"

5. Evite ter dividas -- Seja no cartão de crédito, seja no cheque especial, não importa.

6. Não despreze uma boa negociação -- Pechinche, faça contra-oferta.

7. Dinheiro não é tudo -- Mas é um ótimo calmante para os nervos.


*Irajá Heckmann,de 43 anos,é casado, tem dois filhos e atua como médico geriatra em Porto Alegre