
A Renault, no Paraná: volta dos empregos.
O grande destaque deste ano no Sul do país está a 100 quilômetros da capital catarinense, florianópolis. Itajaí (25o lugar), no litoral norte do estado, saltou 23 posições no ranking geral e tornou-se a quarta Melhor Cidade para Fazer Carreira na região, desbancando pólos econômicos tradicionais, como Caxias do Sul (34o) e Londrina (29o). No quesito vigor econômico, a cidade ficou em 7o lugar e deixou para trás as capitais Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis. O motivo da ascensão é a efervescência em torno do porto da cidade, que cresceu quase 300% na última década e já é o segundo do Brasil em movimentação de contêineres, ficando atrás apenas de Santos, em São Paulo.
A boa infra-estrutura do porto e sua localização privilegiada às margens da BR-101, entre São Paulo e Porto Alegre, a 7 quilômetros do aeroporto de Navegantes têm atraído grandes companhias, como WEG e Perdigão, que transferiram para o município seus centros logísticos. Itajaí hoje respira otimismo e crescimento, diz o presidente da associação empresarial da cidade, Marco Aurélio Seara Júnior. O município já conta com 7 000 empresas. A maior demanda é por profissionais especializados em logística e comércio internacional. A cidade também oferece opções para quem quer se desenvolver. A Universidade do Vale do Itajaí é a maior do estado, com 33 000 alunos, e a Fundação Getulio Vargas abriu, no ano passado, uma unidade no município, oferecendo cursos de pós-graduação e 15 MBAs.
NA CAPITAL
Enquanto Itajaí surge como pólo criador de oportunidades, as capitais do Sul se consolidam entre as 15 melhores do país para fazer carreira. Apesar dos salários 15% mais baixos, a região atrai muitos profissionais do Sudeste por combinar boas propostas de trabalho com qualidade de vida superior à da maioria das metrópoles brasileiras. Em Porto Alegre (7o lugar), no Rio Grande do Sul, áreas como telecomunicações, saúde e educação estão aquecidas.
O comércio, que no estado cresceu 9,5% neste ano, também impulsiona a economia local. É no varejo que deve aparecer o maior número de vagas para executivos nos próximos anos, diz Fernando Ferrari Filho, professor de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A Lojas Renner, com mais de 100 unidades pelo Brasil, é uma das líderes do varejo na capital gaúcha, onde possui 14 lojas, além da sede do grupo. Só neste ano, a rede inaugurou no país seis unidades e contratou 300 pessoas. Uma delas foi o paulistano Fábio Miguel Kezam, de 32 anos, que se mudou em janeiro para Porto Alegre. Ele trocou o cargo de coordenador de projetos do portal Terra pela gerência de internet da Renner, com a missão de reformular o site da rede varejista. Fui surpreendido por uma ótima oferta para crescer na carreira saindo de São Paulo, diz Fábio.
CARRO E CELULAR
Mas esse movimento já não é novidade paraos especialistas. Na filial de Curitiba da Michael Page, consultoria de recrutamento para média e alta gerência, metade dos currículos avaliados éde outras regiões do país. Profissionais que chegam dos principais centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, com experiência nas matrizes de grandes empresas especialmente nas áreas comercial e de logística , estão valorizados. Eles ganham mais poder de decisão nas empresas daqui e crescem mais rápido, diz o gerente regional da consultoria, Roberto Picino.
Curitiba (8o lugar) tem ainda como atrativo a presença de multinacionais como HSBC, Kraft e Siemens. Mas é o setor automotivo que vive o seu melhor momento na cidade. A região metropolitana de Curitiba abriga o segundo maior pólo automobilístico do país, com fábrica da Volkswagen e sedes das montadoras Volvo, Nissan, além da Renault, em São José dos Pinhais. Estamos competindo pesado para trazer os melhores engenheiros para cá, disse à você s/a o presidente da Nissan, Thomas Besson, no fim do ano passado. A montadora japonesa planeja aumentar suas vendas em um ritmo superior ao do mercado, cuja previsão de crescimento é de 24% neste ano.
Já a terceira capital do Sul, Florianópolis (14o lugar), tem criado vagas, principalmente, no setor de tecnologia. Em 2007 o pólo local faturou 48% a mais do que no ano anterior. A arrecadação é duas vezes maior que a do turismo, tradicional fonte de recursos da cidade. Em Florianópolis, a cada ano surgem 20 empresas de tecnologia. Algumas recebem investimentos diretos estrangeiros, como a Cre8, de jogos e aplicativos para celulares, comprada no ano passado por uma multinacional americana por 8 milhões de dólares.
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