
Para se destacar na carreira e ocupar uma posição privilegiada no plano de sucessão da empresa, nem sempre basta fazer uma venda recorde ou atingir as metas do trimestre. Muitas companhias hoje pedem bem mais do que isso. Elas procuram executivos capazes de entregar resultados sólidos, ou seja, que possam ser mantidos por meses e anos. Por isso, querem saber de que maneira a pessoa lida com a equipe, com os clientes e com os processos internos para atingir seus objetivos. Nesse grupo estão companhias como Monsanto, Basf, Votorantim e Siemens.
Elas têm até políticas para avaliar se as atitudes de hoje estão contribuindo para o futuro do negócio. Eu não valorizo grandes vendas pontuais, mas dou prêmio para o profissional que demonstra que pode sustentar bons resultados ao longo do tempo, diz Paulo de Castro, Presidente da Gold Nutrition, fabricante de alimentos com sede em São Bernardo do Campo, São Paulo. A questão é: dá para fazer isso no meio de uma pressão cada vez maior por ganhos imediatos? Especialistas dizem que sim, é possível, e apontam o caminho. Se você supera as metas esfolando seus subordinados, dificilmente vai conseguir que eles mantenham o ritmo no mês seguinte, diz o professor Joel Dutra, da Fundação Instituto de Administração (FIA). E ainda corre-se o risco de perder talentos para o mercado.
Na Monsanto, essa preocupação se manifesta nos critérios de remuneração variável dos executivos. Todos os líderes são responsáveis pelo desenvolvimento de sua equipe e, desde o ano passado, o cumprimento das metas de treinamento e retenção corresponde a 50% do bônus. A idéia é estimular a formação de sucessores e manter as pessoas motivadas. A companhia também procura incentivar outras ações que têm foco no médio e longo prazos.
OLHO NO FUTURO
Quem se beneficiou desse ambiente foi o engenheiro paulistano Maurício Rodrigues, de 33 anos. Há três anos, quando respondia pela tesouraria da Monsanto, a unidade brasileira era deficitária. Maurício percebeu que a situação era insustentável, pois a matriz nos Estados Unidos poderia fechar a torneira a qualquer hora. Era preciso mudar a cultura da empresa, diz. O executivo conscientizou os colegas a controlar seus recursos e colocou ordem no fluxo de caixa. Em 2007, a Monsanto passou a gerar receita e, há quatro meses, Maurício foi indicado para assumir a gerência de planejamento financeiro.
Desenvolver sua equipe e aprimorar continuamente os processos são atitudes que podem ajudar a construir resultados mais sólidos. Mas é preciso também olhar para fora da organização e prestar atenção às mudanças no mercado. O executivo tem que pensar no que vai assegurar os ganhos da companhia no futuro, diz Olga Colpo, sócia da PricewaterhouseCoopers.
Foi o que fez a paulista Valdirene Licht, de 40 anos, diretora de marketing para produtos agrícolas da Basf na América Latina. Depois de cinco anos trabalhando no exterior, ela voltou ao Brasil em 2006 para ajudar a unidade local a enfrentar uma crise no setor agrícola. Valdirene sugeriu a criação de uma área para identificar oportunidades para as quais a empresa ainda não estava preparada. Enquanto as atenções estavam voltadas para custos, segui em outra direção e trouxe novas receitas, diz. Em abril deste ano, Valdirene foi promovida ao cargo regional. Hoje, trabalhando só com metas de longo prazo, virou sinônimo de crescimento sustentado na empresa.
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