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Dinheiro de plástico

Para os disciplinados, os cartões de créditos e débito ão uma alternativa eficaz de monitorar os gastos

A médica paulista Emannuelle Assad, de 29 anos, decidiu há cinco anos aposentar o talão de cheques. Pouco atenta aos vencimentos dos cheques pré-datados que emitia, ela teve o nome enviado para a lista negra dos devedores do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Hoje, Emannuelle só usa cartão — de débito para os gastos do dia-a-dia e de crédito para compras de valores mais altos. “O cartão facilita o controle do meu orçamento”, diz. Assim como Emannuelle, milhares de brasileiros têm aderido cada vez mais ao chamado dinheiro de plástico.

Até o fim do ano, os cartões serão responsáveis por 21% de todas as compras feitas pelas famílias brasileiras, volume três vezes superior ao de cheques, que deve ficar em 7%, de acordo com levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (Abecs). “O cartão é mais seguro que o cheque tanto para o lojista quanto para o consumidor, daí a rápida expansão”, diz Fernando Chacon, diretor de marketing de cartões do banco Itaú, em São Paulo. O pagamento por meio eletrônico, de fato, livra o comerciante do risco de inadimplência e afasta do cliente aquele desconforto de ter o cheque descontado na data errada. Praticidade e comodidade são dois itens que também pesam na mudança de comportamento do consumidor. Mas, se o cheque vem sendo substituído pelo plástico com sucesso, o dinheiro vivo ainda representa um desafio a ser vencido para a indústria de cartões, persistindo como o principal meio de pagamento do brasileiro, em 60% das compras. “O cartão de débito é muito usado para saques, mas tem pouco uso para compras de valores altos. As pessoas preferem o dinheiro”, diz Álvaro Musa, sócio da Partner Consultoria, especializada em serviços financeiros ao consumidor, de São Paulo.

CRÉDITO COM TROCO
Já que vencer o “inimigo dinheiro” tem se mostrado uma tarefa difícil, a Visa, uma das maiores operadoras de cartão de crédito do país, resolveu unir-se a ele. Lançou há pouco o serviço Visa Electron Troco Fácil, que permite ao portador do cartão sacar sem qualquer custo até 100 reais de troco ao fazer uma compra de, no mínimo, 20 reais. O comprovante de venda discrimina o valor da compra e do troco, facilitando o controle do cliente. “É uma conveniência que estamos oferecendo ao consumidor para aquele dinheiro de emergência”, diz Eduardo Gouveia, diretor executivo comercial e de marketing da VisaNet Brasil, que experimentou — e aprovou — recentemente o serviço a bordo de um táxi em Curitiba, no Paraná. A iniciativa começou a ser testada há seis meses em Brasília e São Paulo e hoje está disponível em todo o país.

Cerca de 5 000 estabelecimentos e prestadores de serviço entre farmácias, supermercados, padarias, postos de gasolina e cooperativas de táxi estão habilitados a fazer a transação. O cartão de crédito representa uma alternativa eficaz de monitoramento dos gastos. Mas aqui é importante ter disciplina. Do contrário, é fácil perder o controle das dívidas. É possível fazer um bom planejamento financeiro tirando proveito das vantagens oferecidas pelos cartões de crédito — como uma data específica no mês para quitar as despesas e a oportunidade de parcelar compras sem juros. “O cartão passou a ser um facilitador do crédito e um auxiliar na administração do orçamento familiar”, diz Fernando, do Itaú.

Benefícios como o acúmulo de milhas para viagens e novidades, entre elas o uso do cartão para entrada em estádios de futebol, tornam o plástico ainda mais atraente. Como toda fonte de financiamento, no entanto, o cartão de crédito requer um controle mais apurado. Caso contrário, o portador terá de arcar com juros altos — 9,6% ao mês, em média, sobre o crédito rotativo e 7,2% ao mês, em média, no parcelado, nos cartões internacionais, segundo dados da Abecs. “O cartão é um cheque com infinitas folhas”, diz Rafael Paschoarelli, especialista em finanças pessoais e autor do livro Como Comprar Mais Gastando Menos, da Editora Saraiva. O especialista lembra que o cartão é apenas um instrumento: a diferença estará no uso que se faz dele.