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Fuja da tentação consumista

Organize suas contas, invista seu dinheiro e consiga mais de 100 000 reais em uma década

Por Ana Brandão

Economizar 5 000 reais em seis meses exige determinação. Afinal, vai ser um corte de 834 reais no orçamento mensal. Não é pouca coisa, mas com vontade e disciplina é possível alcançá-lo. Além de cortar os gastos corriqueiros desnecessários, será preciso enxugar as despesas de compras supérfluas e livrarse dos juros do cartão de crédito e do cheque especial, e também vai ser muito provável que você tenha de reavaliar as suas despesas fixas.

Os especialistas financeiros dão as dicas para tornar a sua tarefa mais fácil: livre-se das compras por impulso, revise as despesas como as contas de água, luz e telefone e diminua os gastos no supermercado. Sim, no supermercado, porque é lá que a tentação do consumo acontece de forma mais intensa. É possível reduzir as despesas com alimentação em até 15% com uma medida simples, que é encher o carrinho respeitando uma lista de compras feita antes de sair de casa. “Se a compra de supermercado for feita de cabeça, olhando o que está disponível nas gôndolas, o consumidor tende a gastar mais”, diz Diógenes Donizete, assistente técnico da diretoria do Procon, de São Paulo. Segundo ele, se o gasto mensal com alimentação for de 2 000 reais, em um mês daria para economizar 300 reais. Em seis meses, a conta passa para 1 800 reais. Não é nada mal. Outra dica importante para quem quer cortar despesas é controlar as contas de luz, gás, água e telefone.

O ideal é procurar as empresas prestadoras de serviço que têm cálculos sobre o consumo ideal para cada tipo de pessoa e seguir os parâmetros delas. Além de reduzir a sua conta, você também contribui para o equilíbrio ecológico. Repense também as despesas com a televisão a cabo e o provedor de internet. Será que não é mais econômico fazer um pacote com desconto para esses serviços? Pesquise as melhores opções de serviços com as empresas. E, se achar um preço melhor, troque. É muito provável que sua operadora ofereça um desconto ainda maior, porque ela não vai querer perder um cliente. Faça a mesma coisa com a conta de telefone celular. A guerra das operadoras por clientes vai fazer com que vocé consiga obter um plano acessível às suas necessidades. Se você ainda não está convencido de que é possível economizar 5 000 reais em um semestre, pergunte a si mesmo antes de uma compra se ela é um desejo ou uma necessidade? “Se for um desejo junte o dinheiro e compre à vista com desconto”, diz Diógenes.

Veja um exemplo: em uma grande rede varejista de São Paulo, um home theater pode ser pago em seis prestações de 500 reais, sem juros. Se o pagamento for feito à vista, o consumidor leva o mesmo produto por 2 849 reais. Uma economia de 151 reais. Muitas v ezes, as lojas anunciam que o preço a prazo não tem juros, mas se você barganhar sempre pode conseguir um desconto à vista. Se o objeto da compra for uma necessidade, você deve parcelar o valor, mas procure a loja que tem a menor taxa de juros, e não apenas a menor prestação. 

“O consumidor ainda não abandonou o hábito de avaliar apenas se o valor da parcela cabe no bolso e deixar de verificar as taxas de juros cobradas nos financiamentos. Isso é um problema grave e que corrói as finanças”, diz Diógenes, do Procon. Esse comportamento não é culpa do consumidor. Afinal, o país passou por anos de inflação descontrolada e a estabilidade econômica só chegou há pouco mais de uma década. Por esse motivo, Walter Franco, professor do curso de orçamento familiar da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), recomenda que todas as pessoas se interessem por conhecer um pouco mais sobre finanças pessoais. “Para viver em um mundo globalizado, é preciso entender de economia, de juros e de poupança”, diz. Esse conhecimento será útil quando você decidir aplicar suas economias.

PREPARE-SE PARA INVESTIR
Alexandre Assaf, consultor e professor de fi nanças do departamento de contabilidade da Universidade de São Paulo, diz que antes de escolher em qual banco aplicar seu dinheiro você deve considerar a sua idade. Parece um conselho estranho, mas não é. “Para quem tem entre 25 e 40 anos, o ideal é economizar para a compra de um imóvel residencial, se ainda não o tiver. E, depois disso, colocar pelo menos 30% da sua poupança em ações, que tendem a render mais ao longo do tempo”, diz. Para os que têm mais de 40 anos, Alexandre aconselha diminuir a parcela destinada às ações e aumentar o percentual de aplicações em renda fi xa. E, para todas as pessoas que estão pensando em poupar, ele recomenda um plano de previdência privada, que pode ser um Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) ou um Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL). No Banco do Brasil (BB), quem tem 5 000 reais pode investir no fundo Renda Fixa Parceria. A taxa de administração é de 1,8%, mas para se beneficiar dela o cliente precisa manter o dinheiro aplicado no banco por dois anos ou mais. Caso contrário, pagará uma taxa de 1,2% para sair do fundo. 

Para quem tem menos de 5 000 reais para investir, as taxas desse fundo são maiores, e chegam a 2%. E quem quer abandonar o fundo antes do tempo previsto no regulamento vai pagar uma taxa de saída de 1,5%. Já o Certificado de Depósito Bancário (CDB) do Banco do Brasil remunera os clientes com 85% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), para quem aplicar até 9 999 reais, e paga 90% para valores a partir de 10 000 reais. Em qualquer uma das aplicações financeiras que você escolher, é importante avaliar periodicamente a trajetória dos seus investimentos. “Reveja sempre onde seu dinheiro está investido porque, conforme os valores vão aumentando, as taxas de administração tendem a cair e você pode ter uma rentabilidade mais alta”, diz Carlos Antonio Decezaro, gerente executivo da diretoria de varejo do Banco do Brasil. 

Com um pouco de disciplina e organização nas suas contas, dá para ganhar muito dinheiro e realizar todos os seus sonhos de consumo.

Sem cartões e com 5 000 reais em seis meses
Descontrole financeiro era o dia-a-dia de Célia Rodrigues Pereira, 39 anos, gerente administrativa da gráfica Visual Graphic, de São Paulo, até cinco anos atrás. Casada, com três filhos, ela tinha oito cartões de crédito e nenhum domínio sobre a fatura de cada um deles. Os juros dos cartões de crédito colocaram a família em uma situação de insolvência. Diante do buraco negro, Célia dec idiu rever suas contas.

Procurou as operadoras de cartão, negociou descontos de até 40% e conseguiu quitar suas dívidas. O segundo passo dela foi criar planilhas. Em uma delas, Célia relacionou os ganhos dela e os do marido, Izaias Pereira. Em outra, os gastos da família. Mais uma medida foi trocar o crediário por compras à vista. Ela só parcela compras depois de ter economizado pelo menos 50% do valor do produto. Uma das maiores contas da casa de Célia era a de energia elétrica. 

O marido de Célia desenvolveu um aparelho que controla o tempo do banho. Se alguém se empolga com a cantoria embaixo d’água, o aparelho apita e o show acaba. A conta caiu de 200 reais para 80 reais ao mês. “Usei parte do que economizei para quitar minha casa, seis anos antes do prazo, e compramos nosso segundo carro. E o que sobra investimos na poupança”, diz Célia Pereira.

 

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