
Depois de dois anos longe das líderes, Brasília volta a figurar entre as cinco Melhores Cidades para Fazer Carreira no Brasil. A capital federal saltou do 10o para o 5o lugar no ranking geral e se consolidou como a campeã da região Centro-Oeste. O que mais pesou nessa ascensão foi o quesito econômico, em que a cidade subiu cinco posições graças, principalmente, às oportunidades criadas pelo setor de tecnologia e telecomunicações. Essa é a área que mais se desenvolve no município e seu crescimento é puxado pela demanda dos órgãos governamentais, embaixadas, associações diversas e empresas.
Brasília hoje tem cerca de 1 000 companhias de TI. Mas o Parque Tecnológico da cidade, que começa a receber as primeiras obras de infraestrutura em uma área de 123 hectares, promete atrair 1 bilhão de reais em investimentos e gerar quase 80 000 empregos em sete anos. Hoje já existe uma procura grande por profi ssionais para baixa, média e alta gerência no setor, mas falta pessoal qualifi cado e com experiência, diz Douglas Oliveira, sócio da PricewaterhouseCoopers em Brasília.
A Politec, que desenvolve e mantém sistemas de informação, é uma das empresas que está caçando talentos na capital federal. Este ano, ela assinou um contrato de 100 milhões de dólares com a multinacional japonesa Mitsubishi. Para dar conta do serviço, terá de contratar em dois anos 3 500 funcionários, entre programadores, analistas de sistemas e gerentes de projetos. Nossa principal dificuldade é a falta do inglês, pois atendemos muitas empresas no exterior, diz José Ricardo Amaro, diretor de recursos humanos.
TRABALHO PARA FORASTEIROS
A escassez de gente qualifi cada também é um reflexo do perfil da cidade, em que muitos moradores trabalham para o governo. Os melhores profi ssionais locais estão no serviço público, por isso sobra bastante espaço para quem vem de fora fazer carreira corporativa aqui, diz Acsa Vasconcellos, headhunter da consultoria Insight, com sede em Brasília. A saída encontrada pelas empresas é buscar gente nos principais centros do Sudeste, Sul e Nordeste. O estatístico carioca Carlos Abdalad, de
41 anos, foi um dos que encontrou em Brasília uma boa oportunidade de crescer na carreira. Em maio, ele trocou o banco ABN Amro Real, em São Paulo, pela gerência de planejamento de marketing da Brasil Telecom na capital federal. Além do aumento salarial de 18%, pesaram na sua decisão a melhora na qualidade de vida e a experiência em um novo mercado. Já estava na hora de sair da mesmice do setor financeiro. As soluções em telecomunicações são bem diferentes, diz Carlos.
Outro setor que tem criado oportunidades em Brasília é a construção civil. O crédito farto e o aumento do preço do metro quadrado atraem grandes construtoras para o disputado mercado brasiliense. As obras de dois novos shoppings e as de infra-estrutura, como a reforma de importantes avenidas, novos viadutos e pontes, movimentam o setor. Faltam engenheiros, principalmente civis, mas também pessoal administrativo e fi nanceiro, diz Acsa, da Insight. E a previsão é de que os investimentos cresçam ainda mais com o início da construção de um novo bairro na capital federal. Já em Goiânia (17o lugar na lista), o desafi o hoje é encontrar administradores experientes. Os setores de alimentos,
têxtil, construção civil e varejo estão à caça de profissionais com bagagem em gestão de negócios e pessoas. A cidade tem muitas empresas familiares, em fase de sucessão, e procuram gente para conduzir esse processo de forma tranqüila, diz Douglas Oliveira, da Price. Com a necessidade de profi ssionalizar a administração e buscar recursos para crescer, aumentou também a demanda por executivos com experiência em abertura de capital especialmente nas áreas de contabilidade e fi nanças.
Em Cuiabá (40o), Campo Grande (49o) e Dourados (86o), a indústria de açúcar e álcool é o principal
motor do crescimento. As três cidades estão recebendo investimentos para construção de usinas e ampliação das plantações. A demanda também é por profissionais das áreas de administração e finanças. Além do domínio da operação, procuram-se executivos que tenham visão estratégica do negócio. Os setores agrícolas mais tradicionais, como a soja e a pecuária, também estão em alta, puxada por consumo interno e exportações. Nas três cidades, o aumento da renda do agronegócio cria oportunidades nos setores de turismo, comércio e serviços.
CAMPEÃS REGIONAIS
1-BRASÍLIA (DF)
2-GOIÂNIA (GO)
3-CUIABÁ (MT)
4-CAMPO GRANDE (MS)
5-DOURADOS (MS)
Estilo
1 - Em Goiânia, o sertanejo não sai de moda. Em bares e boates, pessoas se vestem a rigor, de chapéu, bota, fivela, ao som de música caipira.
2 - Cuiabá é o ponto de partida de passeios naturebas. A região reúne três ecossistemas: pantanal,
cerrado e selva amazônica.
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