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As capitais do Sudeste mantêm o vigor econômico e as cidades médias têm mais oportunidades

Por Gabriel Penna, de São Paulo

Uma economia vigorosa e diversificada, somada às melhores opções de formação e desenvolvimento profissional, faz do Sudeste a melhor região do país para construir carreira. Para ter uma idéia, das 100 cidades no ranking deste ano, 56 delas duas a mais do que em 2007 estão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Sete municípios da região estão entre os dez primeiros colocados. Uma hegemonia que se manifesta, de um lado, nas grandes metrópoles, onde estão as matrizes das grandes corporações e as principais universidades e centros de formação executiva do país. De outro, nas cidades médias, como Macaé (10o), Campinas (9o) e São Caetano do Sul (4o), que crescem a partir de pólos de investimento e desenvolvimento regional.

É justamente em um desses pólos, no Espírito Santo, que está o principal destaque do Sudeste neste ano. Vitória, com seus 314 042 habitantes (é a quarta capital menos populosa do país), voltou a ocupar o 3o lugar no ranking geral depois de cinco anos distante das primeiras colocadas. No quesito saúde, a cidade é a 1a da lista, ou seja, tem o maior número de leitos e profissionais de saúde para cada 1 000 habitantes. No aspecto econômico, saltou do 5o para o 2o lugar, embalada por investimentos milionários na indústria de base, leia-se, Vale e Petrobras.

A petrolífera estatal está construindo um gasoduto na região e ampliando a produção de gás natural na bacia do Espírito Santo. Já a mineradora investe na ampliação de ferrovias, do Porto de Tubarão e na construção de um novo pólo siderúrgico. Há oportunidades para técnicos, engenheiros e geólogos, e também para gestores em logística, comércio exterior e finanças. A oferta de vagas cresceu 30% nos últimos 12 meses, diz José Ricardo Barros, gerente regional do grupo Foco, consultoria especializada em recrutamento de gestores. Médias e pequenas empresas da cidade, que prestam serviço às grandes, estão tendo de se profissionalizar e buscar executivos preparados. Trazemos grande parte dos candidatos de outros estados, pois a cidade não forma gente o suficiente, diz José Ricardo.

VIDA COM QUALIDADE

É o caso do paulistano Marcelo Bartolini, de34 anos, que se mudou com a esposa para Vitória no fim de 2007. Com um cargo melhor (era gerente-geral em São Paulo) e 30% de aumento, ele assumiu a direção da Silotec, companhia de logística no Porto de Tubarão. Em poucos meses, sua rotina mudou e as caminhadas na praia o ajudaram a perder 7 quilos. Além de um mercado aquecido, a cidade oferece qualidade de vida, diz Marcelo.

A combinação de oportunidades com vida equilibrada é também o chamariz de São Caetano do Sul, no ABC Paulista. A cidade, considerada pela ONU a melhor do país em desenvolvimento humano, garantiu pelo segundo ano consecutivo o 4o lugar geral. As oportunidades têm surgido a partir da diversificação da economia, que até pouco tempo girava em torno da fábrica da General Motors, instalada há quase 80 anos. A renda per capita elevada cinco vezes a média brasileira tem criado possibilidades nos setores de serviços, varejo e construção civil. A cidade menos populosa do ABC é a que mais gera empregos na construção. A Rossi Residencial, por exemplo, anunciou no ano passado investimentos em imóveis para as classes A e B. A cidade também se prepara para ganhar um pólo de tecnologia.

Em Vitória, consegui conciliar desafio profissional com equilíbrio pessoal. 
Marcelo Bartolini, 34 anos, diretor da Silotec, empresa de logística.

O PESO DA EDUCAÇÃO

Tanto em Vitória como em São Caetano do Sul, os investimentos em educação ainda não acompanham o ritmo da economia. Basta dizer que, nesse quesito, o de maior peso na pesquisa, elas ocupam os modestíssimos 121º e 126º lugares, respectivamente. Os celeiros de executivos, no entanto, não estão distantes delas. São Paulo (1º lugar geral), Rio de Janeiro (2º) e Belo Horizonte (6º) são as três melhores colocadas em educação e fazem do Sudeste o principal provedor de profissionais qualificados do país.

É por isso também que estão entre as primeiras colocadas do país para fazer carreira. Elas oferecem as melhores alternativas de formação e atualização, o que é fundamental para crescer no mundo dos negócios e lidar com problemas cada vez mais complexos, diz Moisés Balassiano, professor da FGV-RJ e coordenador da pesquisa. Nessas três capitais, estão as três melhores escolas de negócios do país, de acordo com o Guia VOCÊ S/A Os Melhores MBAs no Brasil 2007. Juntas, FIA, em São Paulo, Fundação Dom Cabral, em Belo Horizonte, e FGV, com sede no Rio, treinam todo ano quase 25 000 executivos. Esses profissionais encontram no próprio Sudeste as melhores oportunidades para testar seu conhecimento. Para cargos de média e alta gerência, São Paulo ainda concentra a maioria das vagas no país, diz Eline Kullock, da Stanton Chase.

A capital paulista, líder do ranking há sete anos, também oferece os melhores salários do país, 15% mais altos do que no Rio de Janeiro, por exemplo. É também a que mais emprega: 104 829 pessoas com carteira assinada nos primeiros quatro meses deste ano. Boa parte dessas oportunidades está na construção civil, um setor que hoje cresce em todo o Brasil, mas que tem na capital paulista o epicentro dessa expansão. No ano passado, foram lançadas na cidade 38 536 unidades, 50% a mais do que em 2006.

Para tocar tantas obras, as construtoras contratam engenheiros, arquitetos e gestores, principalmente, nas áreas de projetos e finanças. Já as matrizes de grandes empresas brasileiras e multinacionais demandam serviços como consultoria em negócios, tecnologia, logística e marketing. São Paulo abandonou seu lado fabril para ser uma cidade quaternária, especializada em serviços e profissionais sofisticados, diz Paulo Haddad, ex-ministro da Fazenda e Planejamento e especialista em desenvolvimento regional.

Mas, para estar próximo desse mundo de oportunidades, é preciso pagar um preço. O mercado nas principais capitais do Sudeste é mais exigente e a concorrência é maior do que em outras regiões do país. Além disso, há um problema crônico das grandes metrópoles brasileiras: o trânsito. Em São Paulo, os engarrafamentos batem recordes sucessivos e a situação ainda pode piorar. A cada dia, a frota da cidade ganha 900 novos carros. Na hora de decidir o destino para seus próximos passos na
carreira, portanto, se você não estiver inteiramente focado em crescer profissionalmente com velocidade, não deixe de considerar esse potencial fator de muito estresse.

CAMPEÃS REGIONAIS

1-SÃO PAULO (SP)
2-RIO DE JANEIRO (RJ)
3-VITÓRIA (ES)
4-S. CAETANO DO SUL (SP)
5-BELO HORIZONTE (MG)

Crescimento

Em São Paulo, as construtoras procuram engenheiros, arquitetos e gestores principalmente nas áreas de projetos e finanças. Cresce também a demanda pelos serviços de consultoria.