Raul Junior

James Meaney 43 anos presidente da Contax
No início do mês passado, James Meaney, de 43 anos, presidente da Contax, empresa de contact center que tem 60 000 funcionários em 21 filiais espalhadas por sete estados, decidiu investir 50 milhões de reais na instalação de uma nova unidade em Recife. A iniciativa deve gerar 10 000 empregos na região em cinco anos. James começou a tomar essa decisão cinco anos atrás, quando autorizou a criação de um projeto piloto com 500 funcionários da empresa na capital pernambucana. Nos anos seguintes, o executivo teve de fazer muitas opções: encomendou pesquisas de mercado, ouviu seus clientes, consultou o conselho administrativo, negociou incentivos fiscais com os governos estadual e municipal e selecionou gestores.
Mesmo depois de oito anos no comando da Contax, James nunca decide apenas com base em sua experiência. Para ele, um bom processo decisório deve ser analítico, participativo e planejado em qualquer circunstância. "O mercado muda muito rápido. O que era uma decisão certa há dois anos hoje não é mais", diz o executivo. Foi com essa estratégia que James participou da fundação da Contax, em 2000, e cinco anos depois conduziu o processo de abertura de capital da empresa no Brasil e nos Estados Unidos. Em 2007, a companhia alcançou faturamento de 1,3 bilhão de reais. O segredo do sucesso é acertar as decisões que você toma. Um executivo pode até errar em decisões pequenas. Em grandes, nunca.
A opinião de James está afinadíssima com a de especialistas, consultores, headhunters e executivos que ouvimos para esta reportagem. O desempenho de um profissional pode ser medido pelo índice de acerto que ele obteve em cada decisão. Uma métrica composta por velocidade, qualidade e impacto das escolhas. "O melhor profissional com certeza é o que erra menos nas decisões", afirma Olga Colpo, sócia da PricewaterhouseCoopers.
Escolhas acertadas têm, naturalmente, um peso importante na evolução profissional. Muitos presidentes, diretores e gerentes passam o dia fazendo opções que, se estiverem equivocadas, podem prejudicar um negócio e uma carreira. Só decisões certas podem trazer reconhecimento. Para Manfred Stanek, presidente da Proudfoot Consulting no Brasil, com escritório em São Paulo, um executivo que decide certo e alinha a organização em torno de sua escolha é aquele que se torna o CEO da empresa.
MAIS INFORMAÇÕES, MENOS TEMPO
Por mais incrível que pareça, também é um consenso que hoje é mais difícil tomar uma boa decisão do que era no passado. O mercado é imprevisível. Há uma infinidade de informações à disposição. O número de variáveis que devem ser consideradas é cada vez maior e o espaço de tempo que um profissional dispõe para decidir entre as alternativas viáveis é mais e mais limitado. "No passado, era difícil tomar decisões porque havia pouco acesso à informação. Hoje, por termos informação demais, o processo tornou-se ainda mais complexo. É um paradoxo", explica Marcelo Cardoso, presidente do conselho consultivo da DBM Consultoria e vice- presidente de Desenvolvimento Organizacional da Natura.
A pressão sobre o tomador de decisão está cada vez maior. Em mercados cada vez mais competitivos, uma decisão errada tem conseqüências mais graves do que teria no passado. "Um concorrente pode se aproveitar de qualquer decisão errada que você tomar", afirma Vicente Ferreira, professor do Coppead, instituto de pós-graduação e pesquisa em administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Quem não decide bem pode até ocupar, transitoriamente, uma boa posição num ambiente de baixa turbulênciaou numa empresa sem maturidade ou num segmento pouco inovador. Se você não se encontra numa dessas situações, saiba que sua evolução profissional será limitada. "Quem não tem arrojo e não se envolve em tomadas de decisões difíceis está fadado a trabalhar em funções de menos responsabilidade", diz Marcelo Cardoso. Por isso, escolha. A decisão é sua.
1876
Por 100 000 dólares, a Western Union compra a patente do telefone de Graham Bell.
1914
Henry Ford aumenta para 5 dólares por dia o salário de seus operários, o dobro do que pagavam seus concorrentes. Em uma tacada, elimina o turnover, contrata os melhores trabalhadores e cria uma nova classe de consumidores.
1956
O Plano de Metas do presidente Juscelino Kubitschek fomenta a indústria automobilística no Brasil, implanta siderúrgicas e hidrelétricas e aumenta a produção da Petrobras.
1957
O imigrante polonês Samuel Klein adquire a Casas Bahia e adota um sistema de venda a crédito para a população de baixa renda.
1960
Tom Watson Junior, o número 1 da IBM, revoluciona o comércio de computadores, vendendo separadamente hardware, software e serviços.
1971
A Intel lança o primeiro microprocessador
1980
O Itaú inaugura a primeira agência informatizada e o Bradesco lança terminal eletrônico de consultas para clientes.
1989
Com a missão de evitar a falência do Pão de Açúcar, Abílio Diniz reassume o comando do grupo e em cinco anos promove uma reestruturação que culmina com a abertura de capital.
1999
As cervejarias Brahma e Antarctica se juntam e dão origem à Ambev.
2000
A Naturalança a linha “sustentável” de cosméticos Ekos.
2006
O megainvestidor Warren Buffett decide doar 30 bilhões de dólares à fundação de Bill Gates.
2007
Um consórcio formado pelos bancos RBS, Fortis e Santander adquirem o ABN AMRO, na maior fusão da história do sistema financeiro.
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