
Paulo Tavares, 33 anos, gerente de mídia e tecnologia da Accenture: novo cargo para evoluir na profissão
Clique e veja onde estão as 116 201 vagas
No quarto ano da pesquisa de emprego da VOCÊ S/A, o número de vagas a serem abertas aumentou de 111 056 em 2007, para 116 201 este ano. A alavanca foi o setor público, que estima a abertura de 56 348 vagas por meio de concursos. Na iniciativa privada, a média de vagas por empresa caiu de 1 305 em 2007 para 1 129 este ano. “Depois de um período excepcional de contratações é normal que o ritmo diminua um pouco no ano seguinte. Mas 2008 também será de crescimento”, diz Alfredo Assumpção, sócio da Fesa, uma das maiores consultorias de seleção de executivos do Brasil.
Ele explica que os rumores de recessão americana devem afetar as instituições fi nanceiras no primeiro semestre, inclusive por aqui. Mas todos os setores devem manter-se em alta na segunda metade do ano. Os números de crescimento da Fesa são um bom termômetro desse cenário. Em 2007, seu faturamento cresceu 72%. A procura por altos executivos, como diretores e presidentes, aumentou de 60 profi ssionais em 2006 para 101 no ano passado. “Com a economia globalizada, quem não muda é engolido. E as mudanças começam de cima para baixo”, diz o consultor.
Certamente, os executivos mais talentosos irão aproveitar esse momento de aquecimento da economia e de geração de emprego para crescer mais rápido. Por essa razão, VOCÊ S/A vasculhou não apenas a quantidade de vagas a serem criadas em 2008. Esta reportagem revela também onde estão as melhores oportunidades para você concretizar esse plano, que inclui pela primeira vez as empresas que terão vagas para executivos. “As pessoas hoje querem subir mais rápido do que há dez anos”, diz a professora Betânia Tanure, especialista em comportamento organizacional da Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais.
Segundo uma pesquisa feita pela professora com 392 executivos da Exame – Melhores e Maiores — As 500 Maiores Empresas do Brasil, na década de 1980 os profi ssionais trocavam a cada 1,9 ano, em média, de função (o que pode signifi car uma simples mudança de tarefas). Hoje, esse tempo caiu para 1,2 ano, o que mostra a rapidez maior na carreira, dentro ou fora da empresa atual.
Uma pesquisa exclusiva da consultoria PricewaterhouseCoopers para a VOCÊ S/A, com 15 empresas líderes em seus setores, mostra que, na visão dos departamentos de recursos humanos de 60% delas, crescer rápido em cargos de gerência é ser promovido após dois ou três anos (para 33%, o conceito se aplica mesmo quando a promoção vem com mais de três anos). É um parâmetro, mas quem não estiver nesse ritmo não precisa correr. Nessas empresas, o indicador de sucesso está mais ligado à geração de resultados do que ao tempo no cargo. Se você avaliou a sua carreira e resolveu mudar de emprego, leia a reportagem A Hora Certa de Mudar e veja o que colocar na balança nesta hora.
Quem já está com o currículo na mão deve olhar nossa tabela com o número de vagas nas principais empresas do país. Entre as que participaram da pesquisa, 48 divulgaram as vagas que abrirão para executivos. São 3 082 oportunidades para os cargos de gerência para cima. “As empresas têm se tornado escadas para essa escalada profi ssional e se tornam descartáveis, o que não é necessariamente ruim para a carreira, desde que o profi ssional feche ciclos e colha resultados”, diz Betânia Tanure. O importante é aproveitar a estadia na companhia para absorver conhecimento, desenvolver habilidades e se dedicar a um projeto que traga algo de bom para a empresa. E, claro, colher os louros.
Saiba como levantamos os dados deste especial
Durante três meses a VOCÊ S/A entrou em contato com 238 empresas do guia Exame – Melhores e Maiores — As 500 Maiores Empresas do Brasil, da Editora Abril. O anuário lista as companhias com melhor crescimento e desempenho financeiro a cada ano. Entre as empresas consultadas, 91 responderam à pesquisa e 53 delas divulgaram o número de vagas que pretendem abrir em 2008. Algumas informaram a quantidade de oportunidades que abrirão para cargos executivos (total de 3 082), onde entram gerentes e quem está acima deles. São 59 853 vagas — média de 1 129 por empresa (veja no gráfico Vagas x Empresas a média nos três últimos anos do especial Pesquisa de Emprego). A participação das empresas é voluntária. Pelo segundo ano, estão no levantamento as vagas para os três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário (são 56 348 oportunidades). É importante destacar que esses números são uma estimativa, já que representam o máximo de vagas que podem ser abertas durante o ano (saiba mais na reportagem Crachá Estatal).
Mais da metade das vagas está concentrada em três setores: varejo, bens de consumo e serviços. O primeiro é o campeão de contratações no levantamento, com 35% das oportunidades. Depois vêm, considerando as empresas que responderam à pesquisa, transporte, telecomunicações e fabricantes de eletrônicos. Com os três primeiros, concentram-se 80% das vagas. Mas há outros dez setores com vagas para profi ssionais com diversas formações.
O Grupo Pão de Açúcar lidera mais uma vez o ranking, com 9 000 vagas, 180 para cargos gerenciais. Em 2007, foram 8 000, todas já preenchidas. Compatível com os planos de expansão da companhia — dona das marcas Extra, Sendas, CompreBem, Pão de Açúcar e Assai —, que pretende investir 1 bilhão de reais em infra-estrutura, tecnologia, logística e abertura de 91 lojas em 2008. Assim como no último ano, o foco é na expansão da área que engloba o que não é alimento, cuja previsão é representar 33% dos negócios até 2010 (hoje, responde por 24%). A área engloba o chamado Mundo Tec, que inclui produtos têxteis, de esporte e para crianças, uma das meninas- dos-olhos do grupo.
Para dirigir o departamento é que o administrador carioca Tiago Guinle Dantas, de 38 anos, foi contratado em junho passado. Ele veio para estruturar o Mundo Tec, que neste ano chega com força às lojas. Foi essa meta que estimulou o executivo a deixar o cargo de diretor da marca de roupas Luigi Bertolli para fazer parte do time do Pão de Açúcar e ganhar 30% a mais. “Queremos criar uma nova cultura no consumidor. Este é um desafi o que vale o frio na barriga”, diz Tiago.
Em 2008, a campeã de vagas para executivos, ou seja, de gerência para cima, é a Accenture, com 396 vagas. No ano passado a empresa anunciou 880, e contratou 2 400 profi ssionais. Agora, serão 1 980 novas oportunidades já que, com o aquecimento econômico de 2007, as empresas buscam diferenciais para crescer. Com isso, aumenta a demanda por serviços de consultorias. “A perspectiva é investir 20 milhões de dólares e crescer 25% este ano”, diz Roger Ingold, presidente da Accenture Brasil.
O setor de serviços, no entanto, é mais amplo do que empresas que oferecem serviços como produto fi nal. “A orientação para servir o cliente é um diferencial nas empresas hoje. Transformar a experiência dele tem que ser uma preocupação constante”, diz Rodrigo Araújo, sócio da consultoria Korn/Ferry, de São Paulo. Logo, a visão de serviços está espalhada por todos os setores e deve oferecer oportunidades de mudança.
Aproveitando isso, Paulo Tavares, mineiro, de 33 anos, mudou-se para a Accenture em setembro de 2007, depois de quatro anos na Fundação para Inovações Tecnológicas, centro de pesquisa na área de tecnologia. A mudança rendeu um aumento de 25% e a gerência de projetos em serviços de consultoria para a área de mídia e tecnologia. A divisão foi criada em julho de 2007 e receberá investimento de 250 milhões de dólares em todo o mundo este ano. A idéia é dobrar o número da equipe no Brasil até dezembro (hoje são 200 pessoas). “A área me interessou e estava preparado para a gerência em uma empresa global”, diz Paulo.
Ele apostou nas perspectivas de crescimento da empresa e levou em conta seu plano de carreira. Foi uma grande mudança sair de uma fundação, para encarar os planos agressivos da Accenture. “Se o crescimento for o projeto e não parte dele, a chance de tomar decisões erradas e ser infeliz é grande”, alerta Betânia Tanure. No caso de Paulo, faz sentido, pois mudou para uma área de seu interesse, além de representar um salto na carreira no momento em que se sentiu preparado para isso.
Veja como está a carreira de três profissionais dos especiais anteriores
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