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Para usar os recursos da sua previdência sem perder dinheiro você precisa se planejar

Por ANA BORGES

"Mesmo aposentado é preciso continuar pensando sempre no futuro" -- Thomas Hirschbruch

A previdência tem duas fases: a de acúmulo do patrimônio e a de transformação dos recursos em renda. Mas esse processo não é tão simples quanto alguns bancos e seguradoras dizem na hora de vender um plano. É que, sem planejar bem, pode-se perder dinheiro ou até fi car sem um tostão após alguns anos de aposentadoria. Tudo depende da forma como se começa a usar as economias. O perigo é maior para quem se entusiasma com o montante que acumulou e decide tirar tudo de uma vez. Isso é o que chamamos de síndrome da loteria, diz Marco Antonio Rossi, diretorpresidente da Bradesco Vida e Previdência. A pessoa acredita que fi cou rica de uma hora para outra e, sem disciplina, pode ver o dinheiro acabar rapidamente.

E acaba mesmo. Parte consumida por impostos, parte pelo uso indiscriminado do que você juntou. Não dá para esquecer que o dinheiro tem de durar toda a vida. Mesmo aposentado, é preciso sempre pensar no futuro, diz Thomas Hirschbruch, de 61 anos, ex-gerente de planejamento de uma multinacional do setor químico, que parou de trabalhar em 2002. Ele tem um plano de pensão vitalícia única opção disponível na época em que fez seu planejamento. Hoje, há seis maneiras de sacar o dinheiro da previdência privada. Thomas usa bastante suas economias para viajar com a mulher, Sueli Hirschbruch, de 55 anos, também aposentada. Para você fazer o mesmo no futuro, veja as opções para sacar o dinheiro da previdência sem correr riscos:

RENDA VITALÍCIA

Neste tipo de plano, você tem a garantia de que terá uma renda distribuída em parcelas mensais até o fi m da sua vida. É o tipo mais comum de aposentadoria, indicada para quem não quer correr o risco de fi car sem dinheiro na terceira idade. Se você se aposentar com 65 anos e tiver uma renda acumulada de 500 000 reais, terá parcelas mensais de 2 137,25 reais.

RENDA VITALÍCIA COM PRAZO MÍNIMO

Este tipo de aposentadoria é semelhante ao sistema de renda vitalícia, mas se o segurado morrer antes do prazo fi nal do contrato que pode ser de dez ou 15 anos quem recebe parte do saldo que sobrou é a família. É um sistema ideal para quem quer proteger os parentes, mas é preciso lembrar que a renda mensal é inferior à renda vitalícia. Se você acumulou 500 000 reais e se aposentou aos 65 anos, vai ter uma renda de 1 941,92 reais por 15 anos.

RENDA VITALÍCIA REVERSÍVEL AO CÔNJUGE

É o sistema de aposentadoria que, em caso de morte, quem receberá a renda é o cônjuge. É uma alternativa para quem é casado e a mulher ou marido não tem renda. Se você acumular 500 000 reais, decidir se aposentar aos 65 anos e seu cônjuge tiver 60 anos, vai sacar 1 527,84 reais por mês.

RENDA COM PRAZO CERTO

O segurado tem renda mensal por prazo determinado. Se você acumular 500 000 reais e se aposentar com 65 anos, receberá 3 925,10 reais por 15 anos.

RESGATE PROGRAMADO

É o modelo em que o segurado faz retiradas periódicas como, por exemplo, uma vez por ano ou uma vez a cada cinco anos. Esse plano é indicado para quem tem uma fonte de renda mensal. Se você fi zer um resgate programado a cada dois meses e tiver acumulado 500 000 reais na previdência privada, vai sacar 8 737,27 reais.

RESGATE TOTAL

Neste modelo, o segurado retira integralmente o montante acumulado das contribuições. O resgate total é o plano de saída perfeito para quem quer assumir a gestão do seu patrimônio. Há outras questões importantes que você precisa conhecer em relação à saída do seu plano de previdência. Uma delas é a taxa que só é cobrada quando o cliente quer sacar o dinheiro em um período curto menos de um ano. Neste caso, ela pode chegar a 1%. E não se esqueça dos impostos.

Há duas formas de tributação da renda da previdência. A tributação regressiva prevê alíquotas de 35% de Imposto de Renda aplicável nos primeiros dois anos de investimentos. Esse valor cai cinco pontos percentuais a cada dois anos até chegar a 10%. A tributação progressiva prevê alíquota única de 15% para os resgates. Quando o valor for convertido em renda mensal, os percentuais variam de acordo com os critérios do Imposto de Renda para os salários. Cabe ao cliente decidir, na hora de contratar o plano, o regime tributário que prefere adotar. Fique esperto.

Usando o dinheiro

O ex-gerente de planejamento de uma indústria química, Thomas Hirschbruch, 61 anos, já está aproveitando o dinheiro da sua aposentadoria. Ele parou de trabalhar há cinco anos, depois de poupar por vários anos para um fundo de previdência complementar da empresa onde trabalhava. Na época, a única opção de saída do plano era o modelo de renda vitalícia, que foi adotado por ele.