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Do cofrinho para o banco

A previdência para menores é a melhor garantia financeira para o futuro dos seus filhos

Por ANA BORGES

"Os planos vão pagar os estudos deles" -- Udinilson Rodrigues

Com apenas 7 anos, o pequeno paulista Felipe Guimarães dos Santos já sabe como é importante poupar. Ele tem mais de 4 000 reais aplicados em um Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) do Itaú Vida e Previdência. O plano foi aberto há dois anos pelos pais e Felipe, sempre que pode, investe parte da mesada. E não faz isso à toa. Basta perguntar o que ele quer ser quando crescer que logo responde: dentista. O dinheiro da previdência, pelos seus planos, será usado para montar um consultório.

Os pais de Felipe, o administrador de empresas Udinilson Rodrigues dos Santos, de 51 anos, e a mãe, Rilza Marília Guimarães, de 47 anos, também contrataram um plano de previdência privada para os outros dois fi lhos, Gabriela, de 10 anos, e Thaysa, de 12 anos. Mensalmente, eles depositam 100 reais em cada conta. O dinheiro será usado para custear a educação deles e, se não conseguirem um trabalho após se formarem, eles terão independência fi nanceira, diz Udinilson.

Já o tradutor de inglês Klauss Brandini Gerhardt, de 36 anos, fez um PGBL da BrasilPrev para o fi lho, Eduardo Brandini Gerhardt, de 5 anos, de olho nas vantagens fiscais. Klauss começou a fazer as contribuições para Eduardo quando ele tinha menos de 3 anos e deposita 150 reais todo mês. Ele já deve ter uns 3 000 reais e vou migrar para um plano que aplique em renda variável, já que a rentabilidade é melhor no longo prazo, explica. Com o PGBL ele pode deduzir até 12% da renda bruta anual no Imposto de Renda (IR).

Assim como as famílias Gerhardt e Santos, mais e mais pais decidem investir em planos de previdência para seus fi lhos no Brasil. Nos últimos 12 meses terminados em julho, a captação dos fundos para menores cresceu 84%, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida. Os fundos começam a virar uma alternativa à velha caderneta de poupança, símbolo do presente de avós e tios para a criançada. Se você já pensa no futuro dos pimpolhos, veja como funcionam os planos de previdência privada para eles:

AS VANTAGENS DO PLANO

- Quem faz um PGBL para o filho pode abater do IR as contribuições até 12% da renda bruta anual desde que o menor seja seu dependente econômico.

- Se a criança não for dependente do titular do plano ou o limite de desconto do IR de 12% da renda bruta anual já foi ultrapassado, a opção é um plano do tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL).

- As contribuições mensais podem ser de apenas 25 reais. A titularidade é da criança ou do jovem, mas os depósitos são feitos pelos pais. As contribuições são aplicadas em renda fi xa ou em fundos que são compostos por renda fi xa e variável.

- O responsável pode aumentar o valor da contribuição, fazer aportes extras e alterar a idade para que o menor receba a renda. Para diminuir a contribuição ou sacar o dinheiro é preciso aguardar um prazo mínimo, geralmente, até os 21 anos.

- Alguns planos de previdência também oferecem um seguro diante da ausência de quem mantém o plano. O menor passa a receber uma renda mensal em caso de morte do responsável.

VOCÊ DEVE FICAR ATENTO

- Os custos de investir em planos para menores são idênticos aos demais planos de previdência: existe a taxa de carregamento, que incide sobre os depósitos mensais, e também a taxa de administração, que é cobrada em todos os planos.

- A taxa de carregamento varia entre 0,3% e 10% sobre os depósitos e a taxa de administração fi ca entre 0,75% e 5%. Quanto maior a renda acumulada, menor a taxa.

- Observe o regime tributário. Há dois modelos: o regressivo e o progressivo. No regime regressivo, o valor do IR será calculado no resgate do dinheiro. O percentual varia de 35%, para menos de dois anos, a 10%, no período de dez anos.

- No regime de tributação progressiva, os resgates em planos de previdência complementar serão tributados na fonte pela alíquota de 15%. Quando o investimento vira renda mensal, o percentual varia conforme o IR que incide nos salários.

Fundo de pensão

O casal Udinilson Rodrigues dos Santos e Rilza Marília Guimarães fez planos de previdência para os três fi lhos: Felipe, Gabriela e Thaysa. Eles querem usar o dinheiro para pagar os estudos das crianças. Outro benefício é criar uma renda complementar caso não consigam emprego ao sair da universidade.